Diretor explica infração de Verstappen no Bahrein. Mercedes e Red Bull pedem clareza

De acordo com Michael Masi, diretor de prova da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para a Fórmula 1, Max Verstappen teve de devolver a liderança para Lewis Hamilton no fim do GP do Bahrein não por ter excedido os limites da pista da curva 4 de Sakhir, mas por ter obtido vantagem duradoura. Os chefes de Mercedes e Red Bull reclamaram da falta de clareza das regras

Hamilton vence na estratégia e pega Verstappen: assista como foi o GP do Bahrein (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

O grande embate entre Lewis Hamilton e Max Verstappen pela vitória no GP do Bahrein do último domingo (28) foi marcado também por uma polêmica. O holandês fez a ultrapassagem sobre o heptacampeão e assumiu a liderança depois de colocar a sua Red Bull fora dos limites de pista da curva 4 do circuito de Sakhir, no Bahrein. Imediatamente, contudo, a direção de prova da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), liderada pelo australiano Michael Masi, entrou em contato com a equipe e pediu que Max devolvesse a posição a Hamilton. Nas voltas seguintes, Verstappen tentou atacar o piloto da Mercedes, mas não foi o bastante para uma nova tentativa de ultrapassagem. Lewis conquistou uma grande vitória, a 96ª da sua laureada carreira, enquanto o adversário lamentou o revés.

Ainda no domingo, Masi explicou a infração cometida por Verstappen. O diretor de provas deixou claro que não considerou o fato de Max ter excedido os limites da pista na curva 4 em si, mas entendeu que o holandês ganhou “vantagem geral duradoura” ao passar Hamilton daquela forma e, por isso, teve de devolver a posição.

“No que diz respeito à tolerância dada a quem ultrapassasse os limites da pista durante a corrida, isso foi mencionado muito claramente no briefing e nas notas de que isso não seria monitorado no que dissesse respeito a tempos de volta, mas isso vai ser sempre monitorado de acordo com os regulamentos desportivos, de forma que uma vantagem geral duradoura não deve ser obtida”, disse.

MAX VERSTAPPEN; LEWIS HAMILTON; GP DO BAHREIN; F1
Max Verstappen ultrapassou os limites da curva 4 para superar Lewis Hamilton (Foto: Reprodução)

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Durante todo o fim de semana, os limites de pista na curva 4 tiveram atenção especial por parte dos comissários, que deletaram tempos de vários pilotos que excederam os limites naquele trecho. Para a corrida, contudo, Masi reiterou que só haveria algum tipo de infração no caso de uma ultrapassagem além dos limites da curva.

“Tínhamos duas pessoas que estavam monitorando aquela área em todos os carros a cada volta. E praticamente todos os carros, exceto um, fizeram a coisa certa dentro do que esperávamos em uma sequência geral. Houve um carro que, ocasionalmente, passava um pouquinho do ponto ou escapava, mas não era uma coisa constante”, comentou.

Em entrevista à Sky Sports britânica pouco depois do fim da corrida, Toto Wolff, chefe da Mercedes, criticou a falta de clareza sobre as determinações da direção de prova a respeito.

“Estou tão confuso quanto você. No começo da corrida, foi dito que os limites de pista na Curva 4 não seriam sancionados e então, na corrida, de repente ouvimos que se você continuasse a passar do ponto, isso poderia ser visto como uma vantagem e poderia causar uma punição em potencial. E aí, no fim das contas, aquela decisão realmente nos fez ganhar a corrida”, declarou.

“O Max, na definição do diretor de prova, passou bastante [do limite] e obteve uma vantagem, ele teve de devolver a posição e isso salvou nossa vitória. Precisamos ser consistentes nas mensagens que estão sendo dadas. Elas precisam ser claras, precisam ser sagradas e não um romance de Shakespeare que dá margem para interpretação”, bradou o austríaco.

Christian Horner, chefe da Red Bull, definiu a ambiguidade da regra como uma zona cinzenta e seguiu o mesmo discurso do adversário.

“A mensagem que chegou para os pilotos foi que os limites de pista na curva 4 não seriam punidos durante a corrida. Ron [Meadows, diretor-esportivo da Mercedes] e eu conversamos com Michael durante a corrida. Michael se referiu à anotação da seguinte forma: ‘Sim, mas desde que [um piloto] não obtenha vantagem’”, comentou.

“Acho que isso precisa ser simples para que todos possam entender e que não precisem levar o documento no carro para lê-lo e lembrar do que pode e do que não pode”, complementou o britânico.

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