Engenheiro da McLaren compara Ricciardo com guitarrista e diz: “Precisa praticar mais”

Daniel Ricciardo ainda não conseguiu entregar o esperado em 2021 mas, para Andrea Stella, engenheiro que ocupa a função de diretor de competição da McLaren, uma parcela de culpa também se dá pela falta de testes e treinos

A decepção de Daniel Ricciardo com um GP da Hungria fraco (Vídeo: F1)

A disputa entre McLaren e Ferrari se mostra cada vez mais interessante, sobretudo neste momento em que ambas as equipes estão empatadas no Mundial de Construtores com 163 pontos. No de Pilotos, no entanto, as estatísticas parecem ser menos favoráveis por um só motivo: Daniel Ricciardo. Enquanto Lando Norris tem 48 tentos a mais do que tinha após 11 corridas em 2020, o único australiano do grid tem 28 a menos. Mas, para Andrea Stella, engenheiro italiano que ocupa a função de diretor de competição da McLaren, a falta de treinos também tem parcela de culpa nas dificuldades do dono do carro #3.

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O engenheiro explica que a falta de testes, combinada com sessões de treinos mais curtas neste ano de 2021, tornou a vida de Ricciardo mais difícil. Isso o prejudicou em não conseguir focar completamente no seu estilo de direção, já que precisa estar atento ao fim de semana de corrida como um todo.

“Às vezes dou o exemplo de um músico. Você pode dizer a ele como tocar uma guitarra, você pode usar muita teoria, mas em algum momento, você terá que gastar muito tempo com exercícios. E não necessariamente dá um passo em um concerto, a maior parte do progresso que você faz é quando trabalha em casa em segundo plano e passa horas e horas se exercitando”, explicou Stella, em entrevista ao site Autosport.

“Um aspecto que não ouço falar o suficiente é que na F1 atual não é fácil treinar. Os testes de inverno eram mínimos em 2021 e, na sexta-feira, você tem uma hora a menos para treinar. E ainda é uma prática de preparação para uma corrida, não é uma prática em que você possa fazer algum trabalho sistemático, de adaptação a um carro, entendendo todas as sutilezas que são necessárias para operar no nível incrivelmente alto em que os pilotos de F1 operam hoje em dia”, seguiu.

“E devo dizer, e estou neste negócio há algum tempo, o nível dos pilotos agora é muito alto. O número de pilotos que podem guiar em um nível muito alto é considerável, em comparação com o que víamos anteriormente”, opinou ele.

E os treinos parecem ser ainda mais necessários pela luta contra a Ferrari, principalmente após o GP da Hungria. Enquanto um carro vermelho chegou ao pódio, os dois laranjas ficaram fora do top-10. O que não apaga, no entanto, a primeira parte da temporada de Norris, que deixou de pontuar apenas no Hungaroring. Mas escancara o desempenho abaixo de Ricciardo, que já disse ser a “sua temporada mais desafiadora na F1” por não saber mais o que fazer para tentar aprimorar e apressar a adaptação ao MCL35M.

Daniel Ricciardo ainda não conseguiu ter consistência pela McLaren (Foto: McLaren)

E a saga de Ricciardo, para Stella, também se explica pela aerodinâmica do carro da McLaren que, por mais que seja bom em curvas de alta velocidade, é preciso cautela para não perder totalmente o controle.

“Ele [Ricciardo] é um piloto que gosta de aumentar a velocidade nas curvas, e sem necessariamente fazer o movimento de frenagem, pelo menos o tanto que o nosso carro exige. Por isso, acho que entendemos qual era o problema sobre explorar toda a velocidade”, disse Stella.

“E entender isso é bom, porque conseguimos modelar esse aspecto, o que significa que sabemos o que fazer quando usarmos o simulador e treinarmos o piloto em alguns aspectos. E isso está em mãos e está entendido. Mas na F1 o progresso que vemos não é em uma mudança de corrida para corrida”, acrescentou.

“Portanto, embora estejamos tentando ajustar algumas das características para tornar a direção um pouco mais natural, ao mesmo tempo, o mais importante é oferecer eficiência aerodinâmica, mesmo que não pudéssemos necessariamente melhorar esses aspectos em termos de equilíbrio e de aproveitamento do carro”, salientou.

Daniel Ricciardo chegou à McLaren com ‘peso de ouro’, mas ainda não entregou o esperado (Foto: McLaren)

Vale lembrar que o australiano levou até mesmo um simulador para sua casa para tentar melhorar seu rendimento. E, embora as dificuldades de Ricciardo possam estar proporcionando à equipe um desafio inesperado, Stella ressalta que ainda há muitos aspectos positivos em relação à sua contratação.

“Vemos o progresso passo a passo. E também vemos o nível de corrida de Daniel, que é muito completo. Então, o ponto chave que precisamos adicionar no momento é um pouco de velocidade”, afirmou ele.

“Mas as largadas, a forma como ele tem sido tão preciso em manter alguns carros mais fortes atrás dele nas corridas, como se pensarmos em [Silverstone] com o Carlos, essa apresentação na corrida é muito forte”, continuou.

“E depois tem a atitude, a atitude é muito positiva, exatamente o que a gente vê e o que você sabe do Daniel, o que quer dizer que mesmo quando não estamos atingindo a velocidade que gostaríamos, o espírito é forte, a motivação é muito alta. Portanto, estou muito otimista para o futuro”, concluiu.

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