Espetáculo de mídia e de pista: Norris é futuro carismático de uma McLaren que tanto sofreu

Lando Norris,20 anos, pode não estar em uma equipe do nível das em que estão Max Verstappen e Charles Leclerc. Mas tal dupla que fique de olho: o britânico é o futuro da McLaren, mas pode ser o da Fórmula 1 também

Entre 2013 e 2018, a McLaren viveu tempos sombrios, ao menos quando comparados com seu passado glorioso, na Fórmula 1. Claro, o momento clássico de toda essa fase se passou no GP do Japão de 2015, quando um dos piores carros da história da equipe, o MP4-30, se juntou ao então fraco motor Honda e Fernando Alonso, ao seu jeito, soltou o famoso “motor de GP2”. Mas isso é passado.

O futuro é alegre, midiático, divertido, jovem e, mais importante do que tudo isso, talentoso. E tal horizonte já tem nome de batismo: Lando Norris.

Daniel Ricciardo se encaixa em alegre, divertido e tudo mais, mas não é dele que falamos aqui (Foto: F1)

A tarefa da McLaren, a partir de agora, é simples – porque envolve apenas uma missão, por mais que ela seja, na prática, complicada: continuar com um carro competitivo.

Se o time laranja assim conseguir, Norris será deles por muitos anos. Com só 20 na atualidade, é possível dizer que por muitos, muitos mesmo.

E isso é tudo que a McLaren quer.

Porque ele substitui tudo que era necessário trocar em termos de pista e de mídia para os de Woking. É o personagem que não deixa ‘plot holes’, ou “buraco na trama”, fazendo a referência a filmes e séries.

Todo filme e série – digo, toda equipe de Fórmula 1 precisa, primeiramente, de um piloto talentoso para ir longe. Norris entra em tal definição de forma inconteste.

Da carreira de destaque no kart, passando pelos títulos de Fórmula Renault, Toyota Series, F3 Euro e o vice da F2, perdendo só para George Russell, seria difícil cobrar um currículo melhor para alguém chegar na Fórmula 1 já com o direito de falar “ou agora, ou nunca” para a McLaren.

Pois ele fez isso, aproveitando uma proposta da Toro Rosso para 2019. Fez os laranjas perceberem que se não subissem o menino, lhe perderiam. A McLaren apostou no certo, manteve Norris e pega os dividendos agora, com pódio na abertura e terceira colocação no Mundial após duas corridas.

Tais dois GPs, inclusive, deram argumentos fortes pró-Norris. Não só o pódio ou as boas colocações, mas poucos pilotos na história da categoria pegariam duas voltas finais em duas provas seguidas para 1) tirar diferença para Lewis Hamilton com a volta mais rápida do dia; 2) pular de nono para quinto na última curva.

Lando Norris superou Lance Stroll e Sergio Pérez na última volta para terminar em 5º na Estíria (Foto: McLaren)

Só que uma equipe precisa de faturamento para existir. Ele vem dos resultados na pista, primeiramente, mas também da imagem que o time passa para quem cogita investir.

Fernando Alonso é bicampeão do mundo, mas a imagem da McLaren foi queimada a cada reclamação ao estilo “motor de GP2” que ele fez em seus últimos anos na equipe. Marcas que quisessem investir em Alonso, com sua saída poderiam não mais querer sua imagem vinculada a uma equipe que passava constantes vergonhas.

Com Norris, não só os resultados lamentáveis acabaram, como a imagem foi prontamente recuperada, já que em vez de reclamações, o público vê as brincadeiras, os sorrisos, as piadas e os abraços em Zak Brown.

Marketing sincero.

Charles Leclerc tem a Ferrari, Max Verstappen tem a Red Bull, e ambos são considerados os jovens de hoje, mas o futuro da categoria. Eles que tomem cuidado: se a McLaren mantiver a evolução, Norris acaba com essa dupla. Vira trio rapidamente. Se derem um carro digno, o topo é o destino para o piloto com cara de criança.

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