‘Estupefato’ com ‘exterminadores do futuro’: Lito Cavalcanti critica caso da F1 no Rio

Na série Grandes Entrevistas, no GRANDE PREMIUM, Lito Cavalcanti conta que reage com espanto a tudo o que acontece envolvendo o autódromo de Deodoro, objeto de desejo do presidente Jair Bolsonaro para levar a F1 de volta ao Rio de Janeiro

Para os que tratam do esporte a motor, jornalistas de ontem e de hoje, o assunto do momento no Brasil é a pauta Fórmula 1 no Rio. Na série Grandes Entrevistas, do GRANDE PREMIUM, Lito Cavalcanti fala sobre o quanto está espantado com os detalhes que cercam o caso envolvendo o autódromo de Deodoro.
 
A praça é tratada como objeto de desejo de Jair Bolsonaro, Wilson Witzel e Marcelo Crivella para levar o GP do Brasil de F1 de volta ao Rio de Janeiro. No entanto, a cada nova notícia sobre Deodoro, Lito Cavalcanti reage com a estranheza de quem percebe algo totalmente fora do prumo em curso.

“Olha, eu estou estupefato com isso. Não consigo entender. Basicamente o que acontece é o seguinte: o Chase Carey tem problemas com o Tamas Rohonyi, porque o Tamas tem um contrato até 2020 nos termos em que o Bernie [Ecclestone] concedeu. Acho até que o Bernie concedeu em consideração aos serviços muito bons que o Tamas prestou para a FOCA, a FOTA, para a ampliação das fronteiras da F1 – foi quem organizou os primeiros GPs da Hungria, em Portugal”, contou.

Área destinada à construção do autódromo de Deodoro, no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

“E quando o Bernie pegou, há três ou quatro anos, a crise de frente, assinou o contrato desobrigando a hosting fee [taxa paga pelas cidades-sede]. Não sei como está agora, mas há poucos anos estava em US$ 30 milhões, que eram pagos à CVC, então a dona dos direitos comerciais, para hospedar a F1”, disse Lito.

 
“O Bernie fez o contrato isentando disso, isentando de dar um número de credenciais tão grande para a CVC. O Bernie não precisava dessas coisas, então, por contrato, o Tamas não precisa mudar para o Liberty. E o Carey não aceita de jeito nenhum, porque o Tamas tem o contrato e diz que é assim que vai funcionar.”
 
“O Carey, aí, vai ao Rio se encontrar com aquela turma dos exterminadores do futuro e propõe fazer a corrida no Rio de Janeiro em 2021. Ele não pode fazer antes de 2021, mas pega o outro lá, meio precipitado, tá ok?, que chega no microfone, tá ok?, e diz que vai trazer a F1 para o Rio de Janeiro amanhã, tá ok?. Mas como amanhã? Não, porque ‘vai ser no Rio ou não vai ser, porque é o Brasil’. Mas, não, não funciona assim. Eu fico vendo essas coisas que estão acontecendo e pensando 'para onde vai?' Porque isso é só no aspecto F1. Olho para isso da mesma forma que olho para tudo que vem de lá: não é nem com ceticismo, é com espanto”, descreveu.
 
“Não tem condição de fazer em 2020. 'Então vamos fazer em 2021. E não vai entrar verba pública'. Tá bom, então não vai entrar verba pública. A Petrobras quer adquirir os naming rights, isso é marketing. A Petrobras é economia mista, não é verba pública. Nem existe verba pública, amigo. Existe o dinheiro do contribuinte, o governo não produz nada. É o nosso dinheiro. Eu já nem sei mais o que dizer, porque eu nem sei mais o que vai acontecer. Vai acontecer [a F1 mudar para o Rio]? Acho difícil”, finalizou Lito Cavalcanti.
 

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