Ex-vice da FIA diz que foi tratado “de forma injusta e ilegal” por “desafiar status”

Robert Reid, que renunciou ao posto de vice-presidente de esporte da FIA no último dia 10 de abril, deu maiores detalhes sobre a decisão e disse que “foi tratado de forma injusta” pela gestão de Mohammed Ben Sulayem

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) acordou com uma nova bomba no último dia 10 de abril, quando Robert Reid pediu demissão do cargo de vice-presidente de esporte. O britânico já havia explicado os motivos por trás da renúncia e sugeriu uma rota de colisão com o atual presidente, Mohammed Ben Sulayem. Agora, detalhou os principais obstáculos que enfrentou na gestão. 

Reid explicou em texto publicado no Substack que pagou o preço por se manifestar contra algumas coisas que não apoiava dentro da FIA. O preço, no caso, foi o isolamento e a exclusão, como pontuou. 

Apesar de reconhecer que não se arrepende da atitude tomada, entende que essa postura lhe custou o cargo de vice-presidente que ocupava desde a eleição de Ben Sulayem, em 2021.

“Eu me manifestei quando senti que princípios fundamentais estavam sendo corroídos. Fiz isso de forma respeitosa, construtiva e sempre com o objetivo de preservar a integridade do esporte. Mas agir assim teve um custo. Ficou claro que levantar preocupações legítimas nem sempre era bem-visto, e vivi na pele como desafiar o status quo pode levar à exclusão, e não ao diálogo. Não me arrependo de ter me posicionado, mas acredito que fui tratado de forma injusta por isso”, explicou Reid. 

F1, FÓRMULA 1, FIA, Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, AFP
Presidência de Ben Sulayem foi duramente criticada por Robert Reid (Foto: AFP)

“Liderança importa, governança importa. E a confiança, uma vez perdida, é difícil de reconstruir. Se o automobilismo quiser continuar sendo credível e prosperar no futuro, precisa ser guiado não pelo controle, mas pela colaboração. Não pelo silêncio, mas pela responsabilidade”, continuou.

Um episódio em específico que marcou a passagem de Reid pela gestão de Ben Sulayem foi a desativação de seu e-mail corporativo. Após pedir mais tempo antes de assinar uma emenda de acordo de confidencialidade, ouviu da FIA que não teria o prazo estendido e depois ficou sabendo por meio de advogados que o endereço de e-mail havia sido fechado. 

Além disso, também como consequência por não ter assinado o documento, foi excluído de uma reunião do Conselho Mundial do Esporte a Motor. Reid destacou que a decisão foi “injusta e ilegal”.

“Não me recusei a assinar a emenda do acordo de confidencialidade, apenas solicitei uma pequena extensão de prazo para poder buscar orientação jurídica sobre um documento complexo, regido pela legislação suíça, que foi apresentado com um prazo relativamente curto. Esse pedido foi negado”, detalhou. 

“Como resultado, fui excluído da reunião do Conselho Mundial do Esporte a Motor, na minha visão, de forma injusta e ilegal. Dez dias depois, meu e-mail da FIA foi desativado sem aviso prévio. Vários pedidos de assistência e explicação ficaram sem resposta até que, após uma carta enviada por meus advogados, fui informado de que se tratava de uma decisão deliberada”, seguiu Reid. 

Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, disse que as mudanças são "extremamente emocionantes" para o futuro da categoria (Foto: Red Bull Content Pool)
Mohammed Ben Sulayem, presidente de uma FIA que não para de mexer (Foto: Red Bull Content Pool)

“Quero deixar claro: continuo vinculado às obrigações de confidencialidade e seguirei respeitando essas responsabilidades legais. Não divulgarei nenhuma informação recebida em caráter confidencial ou obtida em minha função oficial”, esclareceu. 

Por fim, Reid falou sobre as mensagens de apoio que tem recebido de dentro da própria FIA desde o anúncio da renúncia. Porém, como explicou o britânico, grande parte dessa rede de apoio tem ficado longe dos holofotes por medo de retaliação da gestão de Ben Sulayem. 

“É interessante, embora não totalmente surpreendente, que muitas das mensagens de apoio tenham vindo acompanhadas da ressalva de que não estavam dispostas a se manifestar publicamente por medo de retaliação, o que evidencia alguns dos problemas que enfrentamos”, disse Reid. 

“Jamais pediria a alguém que se colocasse em uma posição desconfortável, seja por meio de uma carta de apoio ou de uma publicação nas redes sociais demonstrando apoio claro, pois não acho que isso seria justo. De outras partes, o silêncio tem sido ensurdecedor”, concluiu. 

A Fórmula 1 realiza o GP da Arábia Saudita, em Jedá, entre os dias 18 e 20 de abril, quinta etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. Às 10h30 (de Brasília, GMT-3) de sexta-feira (18), os pilotos realizam o treino livre 1. Depois, às 14h, retornam para o segundo treino livre. No sábado (19), o TL3 acontece às 10h30, ao passo que a classificação será às 14h. Por fim, no domingo (20), os pilotos disputam o GP da Arábia Saudita às 14h. O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ LEIA TAMBÉM: Mercedes vê Bahrein como teste de evolução na F1 2025: “Tivemos dificuldades em 2024”

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!