F1 acerta de novo ao escolher Portimão, que traz misteriosa Red Bull e esperançosa Ferrari

Como Mugello, o circuito de Portimão não poderia ser mais adequado à Fórmula 1. A montanha-russa portuguesa encantou os pilotos e deve proporcionar uma corrida interessantíssima no domingo. Além da velocidade e do sobe e desce, o traçado ainda teimou em não revelar com clareza o roteiro do fim de semana

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 “Essa pista prova que a F1 só precisa escolher os circuitos certos”. A frase é de Sebastian Vettel depois do primeiro dia de treinos livres do GP de Portugal. O país europeu voltou ao calendário após um hiato de 24 anos devido aos efeitos da pandemia. Na busca por formar um cronograma sólido para a temporada afetada pelo novo coronavírus, Portimão surgiu como uma boa opção. Como Mugello, o inédito traçado lusitano encantou imediatamente e caiu nas graças dos pilotos. Lewis Hamilton falou sobre o quanto a pista é desafiadora: “Tem curva que vem do nada”. Enquanto Pierre Gasly descreveu bem a sensação de estar em uma montanha-russa. “Você fica com o estômago na boca”. É um ótimo começo quando os astros do espetáculo se rendem assim.

É ainda melhor quando o dia inaugural reserva outras surpresas. O asfalto do autódromo do Algarve foi recapeado e se mostrou muitíssimo escorregadio. Os níveis de aderência e o aquecimento de pneus foram questões levantadas pelos pilotos. Na verdade, foi mais complexo do que se apresentou, mas isso deve melhorar gradativamente ao longo das sessões. A Pirelli também fez uma escolha conservadora para a etapa portuguesa, muito em função desse asfalto. A fabricante escolheu os compostos mais duros da gama: C1 (branco e duro), C2 (médio e amarelo) e o C3 (macio e vermelho).

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Então, por conta desse piso mais traiçoeiro e da pista desconhecida, os dois treinos desta sexta foram marcados por inúmeras rodadas, escapadas de pista e violações de limites. Os incidentes, portanto, já levantam a expectativa de uma corrida movimentada, especialmente também pelas áreas de brita e trechos de alta velocidade, combinados com curvas que “aparecem do nada”.

Outro elemento interessante neste cenário e que vai ter um efeito ao longo do fim de semana é que os pilotos não tiveram tanto tempo de pista, especialmente na sessão vespertina, que acaba sendo a mais importante do dia. Isso porque, nos 30 primeiros minutos, a Pirelli conduziu os testes com os pneus de 2021. Já no restante da atividade, duas longas bandeiras vermelhas causadas pelo problema de motor da AlphaTauri e, depois, pelo acidente entre Max Verstappen e Lance Stroll acabaram limitando os trabalhos em simulação de corrida e classificação, o que torna qualquer análise imprecisa, ainda que o favoritismo óbvio seja da Mercedes.

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Valtteri Bottas na tarde desta sexta-feira em Portimão (Foto: Mercedes)

E Valtteri Bottas confirmou a performance ao liderar as duas sessões, mesmo se queixando de certo desequilíbrio da parte traseira do carro. A da tarde, cravando 1min17s940, usando os compostos macios – único que encontrou a pista vazia. Hamilton não teve chance de volta limpa. Perdeu o giro rápido por causa de um pequeno erro e, mais tarde, se viu preso no trânsito – que, aliás, deve marcar a primeira parte da definição do grid no sábado. Ficou apenas na oitava colocação da tabela. Quem mais perto esteve do finlandês foi Verstappen, mas calçado com pneus médios. O holandês não teve tempo para andar com os vermelhos devido ao inexplicável toque com Stroll. Então, há uma questão importante que precisa ser respondida: a Red Bull terá condições de seguir com o bom desempenho apresentado em Nürburgring ou foi apenas um caso isolado?

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Há duas semanas, a equipe austríaca, sempre nas mãos de Max, foi capaz de andar muito perto da Mercedes em classificação – algo inédito neste ano em condições normais. Na corrida alemã, Hamilton foi mais consistente, mas Verstappen impôs um ritmo verdadeiramente forte. Agora, em Portimão, ainda não está claro se essa performance será a mesma ou melhor. É certo dizer que o RB16 evoluiu, enquanto os alemães deixaram de atualizar o seu W11. Nas poucas voltas em cima dos compostos amarelos, o dono do carro #33 foi mais rápido que Bottas. Se Max puder se aproximar em classificação, em uma pista tão singular, a Mercedes pode ter mais com o que se preocupar.

Enquanto a disputa na ponta ainda parece resumida aos dois carros pretos e a Verstappen, o pelotão intermediário segue incrivelmente equilibrado, entre McLaren, Renault, Racing Point e até AlphaTauri, que tem de se preocupar com o carro incendiado de Gasly. E agora o grupo tem a companhia de uma Ferrari cautelosamente mais forte, depois de mudanças em diversos elementos aerodinâmicos e um novo difusor, além de um assoalho, inspirado na SF90 do ano passado. Charles Leclerc, também utilizando pneus médios, cravou o quarto melhor tempo, com Vettel em sexto, e isso pode ser traduzido como uma clara indicação de evolução. Tanto que o monegasco já espera um salto em termos de ritmo de classificação.

Verstappen e Stroll se envolveram em um toque que pode se repetir na corrida (Foto: Beto Issa)

Portanto, além de todas as condições normais de preparação, essa pista ainda traz a particularidade do asfalto, a tendência para o tráfego e para os erros, principalmente. Assim, a escolha do momento de ir à pista será crucial. “Este será, com certeza, um desafio para o resto do fim de semana visto que Portimão é uma pista totalmente nova no calendário e que ninguém está muito familiarizado. De manhã, devido à pista ‘verde’, tivemos algumas granulações – o que não foi uma grande surpresa dadas as circunstâncias. Como esperado, a situação melhorou durante o resto do dia, mas ainda teremos mais evolução da pista conforme mais borracha for acumulada”, disse Mario Isola, o chefe da Pirelli.

Diante disso, a Fórmula 1 se vê em um fim de semana que promete por mais uma decisão correta em termos de circuito, como bem disse o tetracampeão da Ferrari. E a sexta-feira tumultuada já é um indicativo suficiente de que vem por aí uma boa corrida.

A Fórmula 1 volta a acelerar neste sábado em Portimão. O treino livre 3 está marcado para 7h (de Brasília), enquanto a sessão que vai definir o grid de largada do GP de Portugal acontece às 10h. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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