F1 vê dia maluco no Bahrein com Mercedes veloz, Ferrari quase lá e Red Bull à espreita

Pouco mais de uma semana após os testes coletivos, a Fórmula 1 ganhou de vez a pista do Bahrein para a abertura do campeonato, e o primeiro dia foi dos mais interessantes. Lewis Hamilton puxou uma inesperada dobradinha da Mercedes, enquanto Max Verstappen e a Red Bull enfrentaram algumas intercorrências e se viram longe da ponta da tabela

Agora é para valer! E a Fórmula 1 voltou um tanto amalucada neste primeiro dia de treinos livres do GP do Bahrein, que abre a temporada 2024. Pouco mais de uma semana após os testes coletivos, a expectativa de entender a real diferença de performance do grid acabou de certa forma frustrada. Mas isso está longe de ser ruim. O caso é que o resultado da quinta-feira (29) deixou ainda mais perguntas do que respostas. A dobradinha da Mercedes, puxada por Lewis Hamilton, é uma surpresa, mas há mais por trás disso. A Red Bull ainda parece muito forte, só talvez não como se imaginou na semana passada.

No entanto, é preciso dizer: o dia foi confuso. Primeiro, porque começou com a liderança da RBDaniel Ricciardo foi o mais rápido no TL1, com Yuki Tsunoda em quarto. A McLaren surgiu entre os carros de Faenza. Max Verstappen foi apenas o sexto. E mesmo que não seja possível tomar esse resultado para uma análise precisa, chama a atenção o fato de que os tempos foram muito próximos. Há certo equilíbrio, sim.

Já a segunda sessão da quinta-feira foi mais expressiva, claro, porque acontece quase nos mesmos horários de classificação e corrida. Aqui, o cenário começou a ficar mais evidente por causa das condições do tempo. O termômetro registrou uma queda de 13 graus, quase a mesma medida da temporada do ar. Os ventos, que tanto afetaram o primeiro treino, interferiram menos. Portanto, o TL2 pode ser dedicado àquilo que interessa para a sexta-feira e, especialmente, o sábado.

Diante disso, a Mercedes se mostrou muito veloz de cara. Satisfeito com a dirigibilidade e com as respostas do W15, Hamilton pareceu muito confortável, de fato, e não demorou a ditar o ritmo. Ele precisou de dois jogos de pneus macios para alcançar a marca de 1min30s374, que valeu a liderança do dia.

O carro prata e preto é fruto de um trabalho intenso da equipe alemã, para tentar retomar o caminho das vitórias. O time de aerodinâmica investiu muito em uma asa dianteira nova e mais eficiente, enquanto revisou os sidepods e a parte traseira. Durante o dia, os técnicos mexeram muito na configuração, alteraram o acerto das asas e tentaram aprofundar o entendimento do novo modelo, que se põe mens briguento, digamos assim, e talvez bem menos diva, como tanta deseja Toto Wolff, o chefão da Mercedes.

George Russell corroborou a sensação de que a Mercedes encontrou algo real. O inglês ficou apenas 0s2 atrás do colega de equipe. Há sorrisos nas garagens alemãs, mas Russell tratou logo de afastar euforia. Ainda assim, há um fato que é bem nítido: o W15 parece ter performance de classificação. “Não vamos nos precipitar”, disse George à emissora Sky Sports após a sessão. “O ritmo em volta única parecia forte, mas fizemos algumas alterações nos testes que ainda precisamos entender”, revelou.

Logo atrás da Mercedes, surgiu também outro nome que surpreende. Fernando Alonso foi capaz de cravar a terceira melhor marca do dia, com a Aston Martin. Até ele mesmo se assustou com o desempenho. Esse sentimento se dá por conta do projeto da equipe verdinha. O AMR24 é muito original e carece ainda de alguma quilometragem. Porém, parece ser um carro bem-nascido. “Estou um pouco surpreso que estejamos tão bem nos tempos”, revelou Fernando.

“Acho que ainda temos de encontrar mais desempenho”, assegurou o bicampeão, antes de comparar o momento atual de seu time com o início da temporada 2023: “Há 12 meses, estávamos numa posição mais forte aqui no Bahrein. Mas vamos ver”. É fato.

Oscar Piastri é um elemento surpresa também (Foto: McLaren)

Então, a tabela chega na Ferrari. Sensação da pré-temporada, a escuderia enfrentou um dia complexo. Enquanto Carlos Sainz foi capaz de entregar uma performance em volta única até interessante, Charles Leclerc se envolveu em erros e chegou a ser a atrapalhado em seu giro de simulação de classificação. Daí a diferente entre os dois companheiros. Mas Maranello é melhor do que mostrou nesta quinta.

O carro é rápido e também parece trabalhar de maneira mais apropriada com os pneus — o que é alívio para os italianos, porque o desgaste excessivo foi uma falha determinante em 2023. “Hoje correu bem no geral, mas não é fácil ter uma imagem clara do desempenho. Corrigimos o maior problema que tivemos no carro do ano passado, que era a degradação dos pneus, mas também a sensibilidade ao vento e outros fatores. O desempenho puro na volta rápida é outra coisa em comparação com o ritmo de corrida e amanhã teremos uma imagem mais clara”, afirmou Frédéric Vasseur.

Oscar Piastri foi responsável por colocar a McLaren nesse bolo da frente, em uma diferença de décimos para Ferrari e Aston Martin. A equipe inglesa segue em um projeto dos mais sólidos, evoluindo de maneira gradativa, ainda que Lando Norris tenha enfrentado problemas no TL2. De toda a forma, o carro laranja e preto tem velocidade e é equilibrado.

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Menos de um décimo atrás do jovem australiano, surgiu Verstappen. É quase um choque a posição do neerlandês, especialmente após a pré-temporada. Mas tem explicação: diferente da Mercedes, a Red Bull se concentrou no ritmo de corrida e no melhor entendimento dos pneus. E de fato, Max apresentou o desempenho mais consistente entre a concorrência.

“Não foi ruim, acho que estamos todos próximos. Provavelmente alguém já está usando mapeamentos mais potentes em termos de velocidade máxima, mas nos concentramos em nós mesmos”, disse Verstappen.

“Nem todos fizeram isso [aumentar a potência do motor], mas alguns certamente fizeram. Não estou preocupado com a diferença para a liderança, mas estaremos todos perto na classificação, então vai ser divertido. Para ritmo de corrida, fiquei feliz, mas ainda há algumas coisas que podemos fazer melhor”, completou.

Max Verstappen é o líder em termos de ritmo de corrida no Bahrein (Foto: Red Bull Content Pool)

Há, sim, um ponto sobre o mapeamento dos motores e carga de combustível, mas, de maneira geral, existe um equilíbrio maior entre as rivais. A questão todo gira em torna da corrida de sábado. Neste ponto, os taurinos estão à frente. Durante o TL2, todo mundo se envolveu em uma simulação de primeiro stint da prova. Ou seja, todos andaram com pneus macios — o composto C1, o mais duro, deve ser também utilizado no GP.

Aí que Verstappen exibiu enorme performance, andando quase sempre na casa de 1min36s6. O ritmo foi 0s4 melhor que o de Leclerc e 0s2 que a McLaren de Piastri. Com relação à Mercedes, o desempenho é menos conclusivo, porque a simulação de Hamilton foi mais irregular, mas estima-se também algo em torno de 0s4 a 0s5. É esse o cenário.

E só para não deixar passar a maluquice do dia. A Nico Hülkenberg foi capaz de colocar a Haas em sétimo, menos de um décimo atrás de Verstappen. Sergio Pérez, que também apresentou um forte ritmo de corrida, foi o décimo, logo atrás de Leclerc. Alexander Albon trouxe a Williams para o 11º lugar.

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP do Bahrein de Fórmula 1 e transmite classificação e corrida em segunda tela, em parceria com a Voz do Esporte, na GPTV, o canal do GP no Youtube. Além disso, debate tudo que aconteceu na pista com o Briefing após cada dia de atividade. Na sexta-feira, o TL3 abre o dia às 9h30 (de Brasília, GMT-3), com a classificação a partir das 13h. A largada está marcada para as 12h do sábado.

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