F1 volta para segunda fase com desejo de necessária briga do trio-de-ferro

A Fórmula 1 está de volta. Depois de quatro longas semanas, a maior das categorias abre a segunda parte de sua temporada em um templo do esporte a motor: Spa-Francorchamps. E por ser na Bélgica e em um circuito de alta velocidade, a expectativa é de um embate real e necessário entre as três principais equipes do grid

A primeira metade de temporada da Fórmula 1 em 2019 foi marcada por uma mistura de sentimentos de adversidade e entusiasmo.  Isso porque muitas etapas foram insuficientes em termos de competitividade do bloco da frente, enquanto o pelotão intermediário seguiu firme e imprevisível, mas ainda longe do top-3. Daí as vitórias consecutivas e a incômoda impressão de que a Mercedes e Lewis Hamilton poderiam até vencer todos os GPs do ano. Mais tarde, as últimas semanas antes da pausa das férias na Europa foram brindadas com corridas magníficas, com duelos eletrizantes, tensão e que renovaram o amor pela maior das categorias. Agora a pergunta que fica é: que tipo de F1 vamos ver a partir deste fim de semana? Aquela em que a Mercedes nadou de braçadas, ao mesmo tempo em que a Ferrari se via perdida e a Red Bull um pouco mais longe? Ou essa última, mais equilibrada e em que o talento dos principais pilotos do grid brilhou sem as amarras do equipamento? 
 
A resposta é que, diante do que vem pela frente, a tendência é ver uma F1 mais combativa. Em um primeiro momento, a natureza das duas pistas que abrem a segunda fase da temporada agrada muito a SF90 da Ferrari. Como ficou explicitamente nítido no GP da Hungria, as curvas de média e baixa velocidade são um tormento para os carros vermelhos, já que sofrem com a ausência de pressão aerodinâmica. A arma ferrarista está na velocidade de reta e no ‘canhão’ do motor. Assim, as velozes Spa e Monza tendem a ser palcos perfeitos para uma recuperação dos italianos – talvez sejam ainda as únicas chances de a equipe de Mattia Binotto se impor em 2019.
Será essa a F1 desta segunda fase de temporada? (Foto: Beto Issa)

E se a escuderia Maranello retorna fortalecida, Mercedes e Red Bull, que andam melhor em traçados mais travados por conta do ótimo downforce produzido por seus carros, terão mais o que fazer neste reinício. A primeira, inclusive, direcionou boa parte das férias ao trabalho de aperfeiçoamento da unidade de potência. A segunda, por sua vez, investiu em atualizações em todo o carro, além de contar com a dedicação dos japoneses da Honda.

 
A Red Bull é a equipe do meio a meio, ainda mais depois do enorme salto de qualidade que deu na parte final da primeira fase da temporada. Anda melhor em pistas de mais baixa velocidade, mas também se defende bem nos setores mais rápidos, como ficou provado na vitória na Áustria e no excelente rendimento na Inglaterra. Já a Mercedes enfrenta dificuldades com temperaturas muito altas e não tem mais a grande velocidade de reta que teve até ano passado. Mas sabe perceber e resolver rapidamente seus problemas, além de ter o melhor piloto do grid em suas garagens. Portanto, o campeonato recomeça com a expectativa, sim, de um embate maior e mais tenso entre a dupla ferrarista, o pentacampeão e líder da tabela, Lewis Hamilton, e o aguerrido Max Verstappen.
 
O giro asiático vai dividir as forças. Enquanto Mercedes e Red Bull devem dominar em Singapura, a Ferrari joga suas fichas na veloz Suzuka. Entre as duas provas, está o GP da Rússia, que tem mais o jeitinho das duas primeiras. Depois disso, a sequência de provas entre o GP dos EUA e do de Abu Dhabi tendem a ser provas mais complicadas para a Ferrari. E melhores para um confronto poderoso entre austríacos e alemães. Considerando, claro, que o título deve ser selado entre as rodadas da América do Norte. 
 
Enquanto isso, há também o que esperar dos segundos pilotos. A Mercedes ainda precisa definir quem seguirá com Hamilton em 2020, e isso deve causar algum impacto dentre da equipe. Se Valtteri Bottas ficar, também terá de provar que a escolha de Toto Wolff foi acertada. Contra o finlandês, há o retrospecto. A segunda fase de temporada não é o ponto forte de Bottas, mas vai servir para mostrar do que ele é feito.
Sebastian Vettel venceu o GP da Bélgica no ano passado (Foto: Ferrari)

Pelos lados da Red Bull, a atenção também estará em Alex Albon. O jovem tailandês foi alçado a titular, depois de apenas meia temporada com a Toro Tosso. Há um peso enorme nos ombros do novato, sem dúvida, mas também é uma oportunidade de ouro para provar que a aposta de Helmut Marko, ainda que precoce, foi correta. 

 
O pelotão intermediário também tem negócios a resolver, e isso tanto do ponto de visto técnico quanto no que diz respeito a 2020 e o mercado de pilotos. Pierre Gasly é um desses assuntos inacabados. Depois de um início de temporada de mais baixos que altos, o francês foi sacado da Red Bull e terá de se virar na Toro Rosso. O modo como vai encarar o rebaixamento será fundamental para pavimentar um futuro mais seguro em 2020. Ainda assim, a equipe de Faenza vem fazendo bonito em 2019 e vive uma de suas melhores temporadas dos últimos tempos. Porém, a briga é dura para chegar na briga pelo top-4. 
 
Neste momento, parece muito claro que esse renovada McLaren vai seguir no comando do bloco do meio do grid. E a equipe inglesa fez por onde. Reformulou o time técnico, trouxe atualizações eficazes e apostou nos jovens Carlos Sainz – um dos destaques da primeira fase do ano – e Lando Norris, que disputa com Albon o posto de melhor estreante do campeonato. 
 
Logo atrás, a Renault tenta se recuperar nesta segunda metade, mas o carro ainda parece longe do ideal e, certamente, o time já considera a possibilidade de focar em 2020 – o primeiro indício é a muito provável contratação de Esteban Ocon para o lugar de Nico Hülkenberg. A Alfa Romeo vive situação semelhante tecnicamente e deve sair atrás de alguém melhor que Antonio Giovinazzi para compor a equipe no ano que vem.
Para onde vai Nico Hülkenberg? (Foto: Renault)
O fundo do grid deve atravessar período de definições também. Racing Point vai seguir, claro, com Lance Stroll e tem em Sergio Pérez um potencial candidato para ficar, o que é importante pela experiência do mexicano. A Haas, por sua vez, uma incógnita. A excêntrica esquadra norte-americana tem ainda de lidar um carro difícil e de pouca performance, mas também com dois pilotos igualmente complicados. Não será surpresa ver uma dupla nova na temporada que vem.
 
E por fim, a Williams. Mesmo com minúsculas atualizações no FW42, a equipe inglesa continua sofrível, e isso não deve mudar na segunda fase de temporada. Como único consolo, está o fato de ter sido a única equipe do grid que terminou todas as 12 primeiras etapas, com dois pilotos. 

A Fórmula 1 atravessa um momento de pausa para as férias de verão na Europa, e volta às pistas somente em setembro, com o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.
 

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