Ferrari aponta para inflação e reivindica aumento do teto de gastos em 2022
A Ferrari quer que a FIA aumente o teto orçamentário de acordo com a inflação. Se conta for feita de acordo com fevereiro, soma extra seria de R$ 43 milhões
Qual o real valor do dinheiro? Não se trata de uma questão filosófica, mas prática. A Fórmula 1 está numa nova era histórica, com novos carros e tecnologia que estão somente no princípio do desenvolvimento, tudo isso sob um teto orçamentário que restringe os gastos anuais. Mas até isso é uma interrogação, porque o dinheiro pode valor mais ou menos dependendo de questões alheias à F1. A inflação, por exemplo. É algo que preocupa muito a Ferrari, que acredita estar mais restrita a desenvolver o projeto de 2022 do que imaginava inicialmente.
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A inflação vive momento de crescimento na Itália. De acordo com a ISTAT [Instituto Nacional de Estatística, na sigla em italiano] o levantamento em fevereiro mostra um aumento de 0,9% ao mês e 5,7% ao ano – em janeiro, fora 4,8% ao ano. O valor é o mais alto desde novembro de 1995. Além da inflação, a equipe avalia que os custos de transporte aumentaram bastante nos últimos meses. As informações são do Motorsport Itália.
“A inflação está pesando em todos nós e limitando as possibilidades de desenvolvimento. Temos de pensar – as equipes, FIA e F1 – em ajustar o limite do teto orçamentário para o valor da inflação e permitir um pouco mais de espaço e liberdade para o desenvolvimento”, disse o chefe da Ferrari, Mattia Binotto.
“Se esse ajuste não for feito estaremos todos bloqueados pelo regulamento financeiro. Nós, como a Ferrari, sabemos que precisamos ter condições de nos ajustar ao valor da inflação, mas isso não é muito”, falou.

De acordo com levantamento do veículo, caso os valores inflacionários de fevereiro sejam utilizados para contabilizar um limite extra no teto orçamentário, o valor será de pouco mais de € 8 milhões – R$ 43,5 milhões, na conversão do dia. O teto de 2022 é de € 140 milhões – R$ 759 milhões.
Com inflação ou sem, a discussão tende a se apresentar como motivo de divisão entre as equipes. As mais ricas gostam da ideia de aumentar o teto e ganhar mais liberdade para gastar, enquanto as menores preferem que os valores sigam o mais rasteiro possível para não aprofundar as diferenças.
O diretor-executivo da F1, Stefano Domenicali, também se manifestou ao veículo. Apesar de prometer conversas sobre o tema, o italiano foi claro na intenção de manter o controle financeiro sobre as equipes restrito. Qualquer movimento para 2022 virá apenas se todas as equipes puderem caminhar na mesma direção.
“Há dois temas abertos nesta frente. Uma é o controle, porque se quem tem de verificar deixa algo se perder, o sistema inteiro entra em colapso. Hoje não dá para controlar somente a parte técnica, mas a parte financeira também precisa de algo assim. Por esta razão, a FIA está se preparando para assumir um papel ainda mais robusto de garantia”, afirmou.
“O segundo ponto é sobre algumas variáveis que eram difíceis de prever no momento do lançamento das regras financeiras. A inflação segue uma direção que é imprevisível. Vamos debater para tentar encontrar as soluções corretas, sempre mantendo ao centro o princípio de que todas as equipes devem ter a mesma disponibilidade garantida”, seguiu.
A Ferrari venceu a primeira corrida de 2022 e já terminou a dobradinha exaltando a necessidade de seguir o desenvolvimento para manter as chances de lutar pelo título mundial.
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