Ferrari colhe frutos por longa preparação e é forte o bastante para encarar luta por título

A Ferrari abriu mão da última temporada para se preparar para 2022 e a mudança de regulamento. Agora, a escuderia é recompensada pela liderança do Mundial de Pilotos e Construtores, além do melhor início de campeonato em anos na F1

Depois de um 2020 tendo de lidar com um motor sofrível e um 2021 apagado e longe dos holofotes, a Ferrari colhe os frutos em 2022. Afinal, abriu a temporada em uma vitória com dobradinha e colocou seus dois pilotos no pódio na segunda etapa. Ainda, lidera o Mundial de Pilotos e Construtores. Já é o bastante para colocar os italianos como favoritos? A resposta é sim.

O caso é que a escuderia renunciou à temporada passada para se concentrar no projeto deste ano, em função da enorme mudança no regulamento técnico. A decisão foi acertada, uma vez que a Fórmula 1 vive um diferente conceito aerodinâmico, que se mostrou mais complexo do que o imaginado. Então, o tempo foi fundamental. Depois de uma profunda reestruturação técnica nos últimos anos, os engenheiros de motor e chassi de Maranello foram capazes de elaborar um projeto sólido e de enorme potencial. Tanto que a equipe italiana não promoveu alterações extremas em seu carro entre as duas sessões testes deste ano, muito diferente do que Red Bull e, principalmente, Mercedes fizeram.

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É bem verdade que a Ferrari foi uma das primeiras a sentir os impactos do efeito-solo, quando em Barcelona, ainda durante os trabalhos iniciais, se assustou ao ver a F1-75 saltar loucamente na reta principal do circuito catalão. Só que, ainda assim, Maranello soube como contornar e encontrou soluções que minimizaram o problema. E esse é um retrato claro da preparação do time para o campeonato.

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Ferrari sofrendo com o porpoising nas retas (Vídeo: F1 TV)

Na segunda semana de atividades, já no Bahrein, a escuderia ajustou o assoalho de forma cirúrgica e amenizou os quiques, o que abriu uma gama de caminhos quanto ao acerto. Aliás, a equipe vermelha também pôde naqueles três dias analisar a performance dos pneus e entender o melhor ritmo de corrida. Quando o primeiro fim de semana de 2022 chegou, a Ferrari estava pronta. E só precisou aperfeiçoar a performance em classificação.

Charles Leclerc surpreendeu a Red Bull ao cravar a pole. Na corrida, Max Verstappen só teve chance realmente depois do primeiro pit-stop. Mesmo assim, ficou muito evidente o equilíbrio do carro italiano, pois o monegasco pôde se defender das investidas do rival, sem perder desempenho ou pneus.

A confiabilidade é a carta que a Ferrari tem nas mangas. Durante todos os testes e as duas primeiras corridas, a F1-75 não apresentou falhas graves. O motor é poderoso, enquanto o carro, do ponto de vista mecânico, é impecável. E esse é outro fator importante, visto que a Red Bull acabou naufragando no Bahrein por conta de um defeito no sistema de combustível. Então, o 1-2 de Leclerc e Carlos Sainz foi um golpe duro em Sakhir.

Alguém pode lembrar que a vitória na Arábia Saudita ficou com os adversários. Mas é importante colocar que, mesmo com a derrota, os italianos deixaram Jedá com sinais positivos. A Ferrari escolheu o downforce ao invés da velocidade de reta, opção dos austríacos. A decisão se mostrava acertada no melhor ritmo de corrida do líder do Mundial. O cenário mudou quando a chance no safety-car virtual surgiu. E Max aproveitou bem e usou a performance em linha reta para pegar o rival nos instantes finais.

Charles Leclerc segurou Verstappen por boa parte da corrida, mas campeão mundial foi melhor no final (Foto: Ferrari)

Mesmo assim, a Ferrari parte de um ponto em 2022 muito mais forte. Aliado a um projeto vencedor, estão Leclerc e Sainz. Igualmente prontos para uma batalha contra Verstappen e a Red Bull. Até mesmo contra a Mercedes, no momento em que a multicampeã se encontrar.

E o melhor começo de temporada em anos da Ferrari também é fruto de lições em campeonatos recentes em que a escuderia esteve em condições de brigar por vitórias e, muitas vezes, desperdiçou oportunidades. Não é possível mais abrir mão de pontos. Há ainda um setor em particular que parece ser o segredo para um sucesso duradouro. O desenvolvimento contínuo, algo que a Mercedes fez com excelência em seu período dominante.

Por isso, o chefão Mattia Binotto não hesitou em colocar o quesito na mesa ao falar do espetacular início dos italianos. “Acho que manter o nível de desenvolvimento ao longo da temporada é sempre um desafio, não só para nós, mas para todos os times. É verdade que nossos oponentes são muito fortes e já provaram isso, enquanto nós como Ferrari, nas duas últimas oportunidades que tivemos, em 2017 e 2018, perdemos terreno por conta do desenvolvimento”, afirmou o dirigente.

“Desde então, no quesito de desenho do carro, melhoramos nossas ferramentas, como o túnel de vento, as metodologias e processos e o simulador. Acho que hoje estamos muito mais preparados em relação ao passado para fazer o trabalho de desenvolvimento da melhor maneira”, completou.

Portanto, a Ferrari ratifica aquilo que se viu desde os testes e é forte o suficiente para encarar a briga pelo campeonato, resta apenas saber como será esse desenvolvimento e o peso de uma disputa acirrada em tempos de teto orçamentário.

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