Ferrari garante F1 “mais cara” caso túnel de vento seja banido a curto prazo

Segundo Mattia Binotto, chefe da Ferrari, acabar com o túnel de vento agora seria ruim, mas equipes estão abertas a compromisso futuro

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Os túneis de vento estão com os dias quase contados na Fórmula 1. O quase fica por conta do tempo: embora seja desejo da categoria e da FIA que se livrem dos túneis, algo manifestado no ano passado, ainda não há possibilidade que seja feito a curto prazo. Para o chefe da Ferrari, Mattia Binotto, banir os túneis de vento em pouco tempo faria os custos da F1 crescerem, não o contrário.

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A discussão sobre o fim dos túneis aconteceu durante uma reunião do Conselho da FIA, em 2020, no qual oito das dez equipes – apoiaram a intenção da mudança. Intenção porque a conversa é para que seja assim somente em 2030, com os times se preparando até lá e especializando a parte do chamado CFD [Computational Fluid Dynamics, no original], que é uma tecnologia de computação que calcula diferentes componentes da área aerodinâmica dos carros e, por isso, foi apelidada de túnel de vento virtual.

Mas tudo isso precisa ser feito no tempo certo, segundo Binotto. Atualmente, o efeito seria de encarecer.

“Creio que todas as equipes estão abertas para discussões e até para, eventualmente, aceitar, porque está distante de hoje. Mas estamos prontos para banir os túneis de vento hoje? De maneira alguma. No geral, sempre foi uma questão de simulações e testes, e os testes ainda são muito importantes quaisquer que sejam – aerodinâmica, unidades de força e etc”, afirmou.

“Creio que, se estamos pensando em redução de custos, já estamos reduzindo a quantidade de horas que passamos no túnel de vento, o que é um passo importante na direção correta”, apontou.

“Banir completamente, na atual conjuntura, significaria testar na pista, o que seria ainda mais caro que o túnel de vento. Não acho que o tempo está maduro suficiente para esta decisão”, falou.

CHRISTIAN HORNER; RED BULL; GP DO BAHREIN; FÓRMULA 1;
Christian Horner tem visão mais otimista (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

O chefe da Aston Martin, Otmar Szafnauer, foi na mesma onda que o colega ferrarista e disse abertamente que a tecnologia CFD ainda não é capaz de sustentar a F1.

“Hoje, CFD ainda não pode substituir os túneis de vento. Não é para isso que usamos CFD: CFD é ótimo quando você tem problemas simples de aerofólio ou aerodinâmicos para resolver, mas um carro de F1 tem muitas outras interações e complexidades que nós sempre estamos tentando resolver, e o CFD não é capaz de fazer isso atualmente. Há aspectos do FCD que dá para aplicar ao trabalho, mas só recorrer a ele não é tão eficaz quanto o túnel”, pontuou.

Com visão um pouco mais de longo prazo, o chefe da Red Bull, Christian Horner, deixou claro que não é fã dos túneis de vento e crê, sim, no CFD assumindo protagonismo em alguns anos.

“O túnel de vento não é particularmente eficiente ou amistoso na parte ambiental. A maneira como o CFD está evoluindo rapidamente – por exemplo, a Valkyrie [hipercarro desenvolvido em colaboração de Aston Martin e Red Bull] nunca foi a um túnel de vento uma única vez durante a fase de desenvolvimento – faz com que eu pense que dez anos são suficientes para que esses dinossauros que consomem enorme quantidade de energia elétrica se tornem coisa do passado. A F1 tem que ser a inovação da tecnologia”, disse.

“Estamos vendo mais investimento do setor de tecnologia, então por que não usar a F1 de garoto-propaganda dessa tecnologia? Se pensarmos daqui a dez anos, há um mergulho nessas tecnologia que, na verdade, todas as equipes sabem que está vindo. Aí, você ajusta seu investimento para esse período de tempo da maneira que achar necessário”, concluiu.

Desde 2019, a FIA tem relaxado mais as regras para desenvolvimento da tecnologia CFD com a intenção de fazer com que as fábricas invistam cada vez mais.

A temporada da F1 segue neste próximo fim de semana com o GP do Azerbaijão.

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