FIA assume brecha em regulamento e justifica: “Não temos expertise para discutir”

Diretor de monopostos da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Nikolas Tombazis admitiu que o regulamento atual da Fórmula 1 tem uma brecha no que diz respeito à troca de motores sem consequências no teto orçamentário. Dirigente garantiu, porém, que o problema será resolvido com o código do próximo ano

A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) admitiu um ponto fraco do regulamento da Fórmula 1. Diretor de monopostos, Nikolas Tombazis reconheceu que a regra atual deixa a porta aberta para que as equipes façam trocas de motor sem consequências no teto orçamentário.

O assunto veio à tona no GP de São Paulo, após a Red Bull trocar o motor de Max Verstappen na esteira de uma eliminação no Q1. O novo item foi fundamental para a prova de recuperação do neerlandês, que, mesmo largando dos boxes, fechou a prova em Interlagos na terceira colocação.

A McLaren, então, foi atrás da FIA para pedir esclarecimentos, já que não consta no regulamento uma definição clara de quando uma troca de motor deve ser definida como gasto extra. O texto faz referência apenas à casos em que as equipes precisam “substituir unidades fora de serviço devido a danos causados por acidentes ou outra causa provocada pela equipe”.

A regra não explica, todavia, o que é uma “causa provocada pela equipe”. A McLaren acredita que a decisão de trocar o motor por performance deveria afetar o teto orçamentário, mas a Red Bull encara as coisas de maneira diferente.

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FIA assumiu que existe brecha no regulamento no campo do teto orçamentário (Foto: Red Bull Content Pool)

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A FIA, por sua vez, reconhece que existe uma brecha no texto e assume que não teria a expertise necessária para debater com um fabricante quando um troca é necessária por risco de quebra ou não.

Questionado pelo site britânico The Race se as trocas de motor ficavam dentro ou fora do teto orçamentário, Tombazis explicou: “O que não queríamos era nos envolver em uma situação em que, quando ocorre uma troca de motor, tivéssemos de discutir com a equipe ou com o fabricante da unidade de potência se um dado de telemetria indica um potencial problema de confiabilidade ou não”.

“Não sentimos que temos a expertise para discutir com eles se é realmente um problema de confiabilidade ou uma mudança estratégica”, assumiu. “Em alguns casos, é óbvio que é um caso ou outro, mas quando você está no meio do caminho, seria difícil. Então essa é a falha do atual regulamento ― a combinação entre financeiro com técnico e esportivo ― e é uma área onde adotamos essa abordagem em que aceitamos essas mudanças sem discutir o impacto no teto orçamentário”, justificou.

Para 2026, porém, a F1 vai adotar um regulamento que introduz um teto de gastos para os fabricantes de motores.

“Com o teto de gasto para os fabricantes das unidades de potência, assim com o para as equipes, essa questão fica resolvida”, defendeu Tombazis. “Os fabricantes das unidades de potência jamais considerariam conveniente fazer uma troca estratégica, pois toda vez vai custar a eles aproximadamente o valor de um motor ― US$ 1 milhão, se for só o motor de combustão interna ou algo assim. E isso vai fornecer um mecanismo natural”, defendeu.

“Então achamos que é uma fraqueza do atual regulamento, onde não existe um teto orçamentário para a unidade de potência. Mas achamos que isso será completamente resolvido no próximo ano. Vai deixar de ser um tópico de discussão”, completou.

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