FIA se aproxima da África e põe Ruanda como sede da premiação de fim de ano em 2024
A tradicional festa de gala da Federação Internacional de Automobilismo vai acontecer em Ruanda no próximo ano, mesmo com a pouca presença do país no esporte a motor na história
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) revelou, nesta sexta-feira (8), que pretende realizar sua anual premiação de gala em Kigali, capital de Ruanda, no final da temporada 2024. Será a primeira vez que o evento vai acontecer no continente africano.
Neste ano, a cerimônia foi realizada em Baku, no Azerbaijão, que também recebe uma etapa da Fórmula 1 desde 2016. A escolha chegou a gerar uma crítica de Lewis Hamilton, que preferia que a sede em Paris fosse usada para tal, por questões de sustentabilidade.
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A escolha de Ruanda para receber o prêmio em 2024 é uma surpresa pela pouca presença do país no automobilismo. Atualmente, recebe apenas uma etapa do Campeonato Africano de Rali. Localizado no centro do continente africano, passou por uma intensa guerra civil entre duas etnias dominantes, os Tutsi e os Hutu, levando a um dos maiores genocídios contemporâneos em 1994.
Desde o fim da guerra, o país tem sido comandado por Paul Kagame, com medidas ditatorias e autoritárias, além de denúncias de fraudes. Atualmente, Ruanda tem apenas o 160º melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo.

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O governante também é acusado de ‘sportswashing‘, uma forma de melhorar a imagem pública usando esportes para desviar atenção de questões controversas ou negativas, inclusive patrocinando grandes clubes de futebol na Europa, como Bayern e Arsenal.
A escolha da FIA, porém, coincide com os rumores de negociações da Fórmula 1 para retornar ao continente africano, depois de passagens por Marrocos e África do Sul — que foi a última sede, em 1993. Um dos maiores defensores da ideia é justamente Hamilton, que se manifestou a favor de uma prova na África.
O departamento de turismo da África do Sul chegou a fazer promessas de suporte, mas sem garantias legais. Outro entrave foi o fator financeiro, já que houve discórdia quanto a quem teria a responsabilidade de pagar os US$ 15 milhões (R$ 75 milhões, na cotação atual) necessários para o circuito, que recebeu a F1 pela última vez em 1993, obter o Grau 1 exigido pela FIA.
Com isso, países da região também se interessaram pela oportunidade. Kagame, presidente de Ruanda, chegou a se reunir com Stefano Domenicali, CEO da F1, em 2022 para estudar uma prova em Kigali, mas as negociações não avançaram.
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