“Foi para nos pressionar”: Ferrari minimiza queixas de rivais sobre motor

Chefe da Ferrari, Mattia Binotto entende que as queixas de Mercedes e Red Bull a respeito da polêmica sobre o fluxômetro dos motores italianos foi uma jogada de bastidor para desestabilizar a escuderia de Maranello: “Nosso negócio não se trata somente de competência atlética e técnica, mas de qualquer coisa que prejudique seu rival”, disse

A reta final da temporada 2019 da Fórmula 1 foi marcada por uma grande polêmica que teve como ponto central o motor da Ferrari. A escuderia italiana chamou a atenção ao longo da temporada pelo grande desempenho em pistas de alta velocidade, tanto que venceu os GPs da Bélgica e da Itália, ambos com Charles Leclerc, além de ter marcado um total de nove poles, sendo sete com o monegasco e outras duas com Sebastian Vettel. Entretanto, Red Bull e Mercedes reclamaram perante a FIA e consideraram que a Ferrari “jogou sujo” ao driblar o regulamento técnico para mudar o fluxo de combustível, de modo a ganhar potência do motor.

 
O fato é que desde o fim de semana do GP dos Estados Unidos, quando a FIA baixou uma diretiva técnica para esclarecer o assunto, a Ferrari não voltou a largar na pole e tampouco venceu novamente, o que aumentou o coro das reclamantes Red Bull e Mercedes, que sugeriram irregularidades cometidas pela equipe de Maranello.
 
Entretanto, Mattia Binotto, chefe da Ferrari, defendeu o time. Em entrevista à revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, o dirigente ítalo-suíço entende que a postura das rivais foi a maneira encontrada para desestabilizar a Ferrari.
Mattia Binotto entende que as queixas das rivais sobre o motor Ferrari são uma forma de pressão (Foto: Reprodução)
“Não tenho certeza de que eles realmente duvidem da gente. Provavelmente, usam a circunstância para nos pressionar. A pressão distrai. É parte do jogo da F1 incomodar seu oponente. Nosso negócio não se trata somente de competência atlética e técnica, mas de qualquer coisa que prejudique seu rival. Todos jogam as cartas que têm às mãos. Isso deveria me deixar orgulhoso? Só me sinto orgulhoso quando vencemos”, disse.
 
Binotto defendeu a postura da FIA em esclarecer o assunto, mas deixou claro que o regulamento ainda é obscuro em alguns pontos. “Estamos satisfeitos porque há mais clareza em um conjunto de regras bastante complexo. É completamente claro? Provavelmente, não. Tenho certeza de que haverá mais diretivas técnicas no futuro. Como equipe, devemos apoiar a FIA para eliminar a ambiguidade nas regras”.
 
O dirigente disse que é um erro imaginar que a Ferrari ganhou performance por conta do fluxo de combustível e atribuiu a queda de performance obtida no segundo semestre a um pacote aerodinâmico que equilibrou a performance do carro, mas fez perder desempenho nos trechos mais rápidos. 
 
“São conclusões equivocadas. Não mudamos as condições de funcionamento dos motores. Para gerar mais downforce, a resistência do ar aumentou. Portanto, agora somos um pouco mais rápidos nas curvas, porém mais lentos nas retas”, explicou.
 
Por fim, Binotto negou o salto de qualidade alegado por muitos no paddock a respeito do motor Ferrari. “A verdade é que está longe do valor de 30 cv de potência. Talvez um máximo de 20 cv, o que ainda é um número respeitável. No momento em que os motores estão ficando cada vez mais parecidos, 20 cv representam uma grande vantagem, já que te ajudam na classificação e na corrida. Estou orgulhoso deste desenvolvimento”, destacou.
 
“Ainda posso me lembrar do primeiro ano da era híbrida, em 2014. A diferença para a Mercedes era enorme. Fizemos enormes esforços na fábrica, em Maranello, para eliminar esta vantagem. Havia mais de 80 cv de potência [de diferença]”, finalizou o chefe da Ferrari.

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