Russell se esbalda no sofrimento pela Williams para entender problemático Mercedes W13

Experiência na equipe de Grove ajuda piloto britânico a melhor extrair potencial do errático bólido mercedista. Nos números, consistente George Russell é o protagonista da esquecível temporada das Flechas de Prata até aqui

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Os números têm essas características à la Peaky Blinders, sabe? Frios, calculistas. São impiedosos, não analisam contexto, nada. Desconsideram históricos, currículos e se mantêm fiéis à rigidez. E na rigidez, na frieza dos números, o piloto número 1 da Mercedes nesta temporada de 2022 da Fórmula 1 não se chama Lewis Hamilton.

George Russell. Em cinco corridas, cinco términos no top-5. Chegou a ser vice-líder do Mundial de Pilotos, mas agora encontra-se na quarta colocação, com respeitáveis 59 pontos. São 23 à frente do companheiro de equipe, heptacampeão mundial. Inegavelmente, o jovem da Mercedes é quem melhor se dá com o W13. Mas por quê?

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Disputa interna na Mercedes é “limpa” e conta com vantagem de Russell (Foto: Mercedes)

“Tem sido uma posição muito difícil para nós como time, e talvez as dificuldades que enfrentei na Williams, com carros difíceis, tenham ajudado de alguma maneira. Q1 e Q2 agora são extremamente importantes para nós, ao passo que, no passado, era praticamente um aquecimento para o Q3”, ofereceu como explicação Russell.

Como o piloto fez, é importante levantar os problemas que o bólido mercedista enfrenta até aqui na F1 2022. Não só nas retas, o W13 quica até mesmo nas curvas de alta velocidade. A questão é tão grave que obrigou Russell e Hamilton a, propositalmente, tirarem o pé no Autódromo Internacional Enzo e Dino Ferrari, no GP da Emília-Romanha. A Mercedes, inclusive, considera recalcular a rota e abandonar o modelo ‘zero-pod’: a disputa em Barcelona será o teste final.

Adeus, ‘zeropods’? (Foto: Mercedes)

O cenário de dificuldades não é inédito para Russell e também não é para Hamilton. A diferença é que o jovem encarou tais questões recentemente – mais precisamente, entre 2019 e 2021, na Williams. O heptacampeão mundial não lida com um carro problemático há muito mais tempo, ainda nos tempos de McLaren.

“Há pessoas que dizem que nunca tive um carro ruim, e posso garantir que tive, sim. O carro de 2009 estava muito, muito distante e foi o pior carro que já tive. O carro de hoje não está longe disso, mas acho que tem muito potencial. Nós consertamos aquele carro e voltamos à luta, ou ao jogo. E tenho a maior fé de que meu time pode fazer isso”, disse Hamilton, em Ímola.

Lewis Hamilton em 2009, com o “pior carro” de sua carreira (Foto: Reprodução)

E já que falamos da corrida na Itália, onde Hamilton teve sua pior apresentação da temporada, vamos colocar os resultados no papel. No Bahrein, vantagem para o heptacampeão mundial, que viu um pódio cair no colo – no entanto, Russell esteve logo atrás, em quarto. Em Jedá, vantagem para o mais novo: 5º x 10º. Na Austrália, posições invertidas com relação a Sakhir. Em Ímola, Hamilton ficou ‘empacado’ atrás de Gasly durante toda a corrida, enquanto Russell cruzou a linha de chegada novamente em quarto. 

Chegamos, enfim, a Miami. E foi no novo circuito de rua do sul da Flórida que tivemos a primeira disputa – com D maiúsculo – entre os dois na pista. Na 50ª volta do GP americano, o então sexto colocado Russell ultrapassou o companheiro de equipe na curva 12 do traçado, já nos momentos finais da prova. No entanto, pouco depois, o recém-chegado da Mercedes devolveu a posição a Hamilton porque, em dado momento da ultrapassagem, colocou os quatro pneus de seu W13 fora da pista.

Russell e Hamilton em Miami (Foto: Mercedes)

Isso, entretanto, pouco importou. Logo após, Russell fez a ultrapassagem mais uma vez, deixou Hamilton para trás de vez e cruzou a linha de chegada no quinto lugar. Clima de tira-teima? Nada disso. “Quando você está disputando com companheiro de equipe, precisa dar mais espaço que o normal, ter mais respeito, mas eu gostei. Eu e Hamilton nos respeitamos muito, ele teve azar com pneus mais velhos”, afirmou o britânico, em claro tom de fair-play.

Mas e a Mercedes? O que tem a dizer sobre a hierarquia da equipe? Especificamente em Miami, o tom foi estratégico e indireto. “George ficou na pista por muito tempo. Estávamos apostando num safety-car, e isso se materializou do nada e acabou jogando contra Lewis, que perdeu uma posição. Não há felicidade [na corrida] ou momento feliz, há apenas o fato de que somos a terceira equipe mais rápida nas corridas longe da briga”, analisou Toto Wolff.

Toto Wolff não está feliz (Foto: Mercedes AMG-F1/Steve Etherington)

Terceira força ou não, fato é que a Mercedes tem uma gigantesca tarefa pela frente: consertar, de qualquer maneira, o W13. Enquanto isso, Russell segue usando a ‘carta Williams’ como trunfo para melhor domar – em comparação a Hamilton – o bólido prata. Mas engana-se quem pensa que há, na cabeça do jovem britânico, um clima de ‘já ganhou’. Ao contrário: existe muito respeito e, principalmente, consciência do que um heptacampeão mundial pode fazer.

“Estou esperando que ele (Hamilton) volte muito forte. A maneira que ele está aumentando o ritmo e motivando a equipe é inspiradora. Não estou confortável nesta posição (de ser o piloto da Mercedes com maior número de pontos), porque sei do que ele é capaz. Ele vai voltar incrivelmente forte, não tenho dúvida”, pontuou Russell. A ver. Enquanto isso, aproveite o protagonismo, ‘Georgie’.

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