GUIA 2024: Do formato sprint ao DRS e multas: o que muda na nova temporada da Fórmula 1

A Fórmula 1 vive em 2024 um ano de estabilidade nas regras técnicas, mas vai encarar algumas mudanças importantes do ponto de vista esportivo. O Mundial ainda testa um novo formato de fim de semana com corridas sprint

A Fórmula 1 dá o pontapé inicial para a mais longa temporada da história. Enfim, a categoria máxima do esporte a motor vai cumprir a meta de emplacar um calendário de 24 etapas, além de seis prints. Será uma bela volta ao mundo em um campeonato que muda muito pouco na comparação com o último ano. O regulamento técnico segue basicamente o mesmo, enquanto a parte esportiva detém as principais alterações. E essa estabilidade é tão curiosa que até o grid é rigorosamente igual ao que fechou 2023. Situação inédita nos mais de 70 anos de história do Mundial. Sem contar que não há circuitos novos também — com o inusitado de corridas aos sábados. Mas há pontos que mudam e que devem impactar enormemente a disputa que começa em 2 de março, no Bahrein.

A começar pela exaustão do calendário. Desta vez, parece que a F1 não terá problemas para visitar todos os países listados. E chama atenção a forma como a categoria tentou minimizar algumas rotas para reduzir a insanidade logística. Após a corrida em Sakhir, que também recebeu os testes coletivos, o Mundial segue para a Arábia Saudita e, depois, desembarca na Austrália. Aí segue para uma nova perna asiática, com o Japão agora datado na primeira metade da temporada. De lá, equipes e pilotos viajam para China, que retoma seu posto, após a ausência em função da pandemia. Aliás, Xangai vai receber a primeira sprint do ano.

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Depois, a F1 faz uma longa viagem até os EUA, para a corrida em Miami e, então, volta para a Europa, com o GP da Emília-Romanha — cancelado no ano passado devido às fortes chuvas na região. Então, o campeonato chega a Mônaco e viaja ao Canadá, antes de emendar na tradicional sequência europeia, que se estende até depois das férias do verão no hemisfério norte. A última parada é no Azerbaijão — etapa que mudou do primeiro para o segundo semestre.

A partir daí, o Mundial recomeça os longos voos, com Singapura, EUA, México, Brasil, Las Vegas, Catar e, finalmente, chega a Abu Dhabi, em dezembro, para encerrar o campeonato. Ufa!

O GP de São Paulo é o único que recebe a sprint desde a introdução do formato, em 2021 (Foto: Rodrigo Berton/Warm Up)

No entanto, no meio de tudo, há seis corridas sprints, porque a F1 segue apostando alto no formato. Tanto que decidiu mudar o esquema do fim de semana. Agora, o treino livre 1 da sexta-feira será seguido pela classificação para a sprint. No sábado, a Fórmula 1 disputa a corrida de 100 km e, mais tarde, os pilotos ainda voltam à pista para a decisão das posições de largada para a corrida principal no domingo.

Em 2024, novamente seis etapas vão sediar as sprint. O GP da China será o primeiro da temporada a receber o formato revisado. Na sequência, Miami será palco da prova curta, assim como a etapa em Austin, além do Catar. A Áustria será o único país da Europa a ter sprint.

O GP de São Paulo, que se tornou um sucesso do formato, também está na lista, com a corrida em novembro.

E por causa desse enorme calendário, há outra alteração importante. A Federação Internacional de Automobilismo, a FIA, cedeu ao pedido das equipes e aumentou o número de motores permitidos por campeonato. Ficou definido que o limite será de quatro unidades de potência para cada piloto. A medida foi tomada também por conta dos gastos em função das corridas sprint.

Além dos motores, a Fórmula 1 decidiu ainda mudar as regras quanto ao uso do DRS, a asa móvel traseira dos carros. Antes, eram necessárias duas voltas após a largada ou reinício de prova para o dispositivo ser liberado. Agora, o recurso que ajuda nas ultrapassagens poderá ser ativado pelos pilotos logo na primeira volta após o começo da corrida.

Outra modificação interessante promovida pela FIA tem a ver com os famosos dias de filmagem — eventos que as equipes costumam promover para fins comerciais e marketing, mas que, às vezes, são usadas também para testes reais de peças. De toda a forma, havia uma limitação de 100 km, com pneus diferentes. Agora, os times terão permissão para andar mais, o dobro. Ou seja, 200 km.

O novo formato dos finais de semana de corrida sprint da F1 (Arte: Thiago Rocha)

Em contrapartida, a federação também ajustou uma outra regra para evitar qualquer vantagem indevida. Acontece que as equipes podem fazer uso de carros com pelo menos dois anos de idade como parte de programas de testes. Dada a recente e drástica alteração de regulamento, o modelo de 2021 também foi autorizado a ser utilizado em 2022, uma vez que não fornecia dados que pudessem ser usados no projeto atual. Agora, porém, o carro de 2022 entra nessa regra, então ficou decidido que o uso deles só será permitido depois que todos os elementos do projeto do ano tenham sido colocados na pista — em testes oficiais ou fins de semana de GP. O objetivo é impedir que os times testem peças durante essas sessões extras que eventualmente possam ser usadas no carro atual.

Para o novo campeonato, há também uma nova diretriz sobre a revisão das decisões dos comissários de prova. As equipes têm o direito de recorrer de punições, desde que apresentem novas provas. E essa tem sido prática recorrente nos últimos anos, dadas as decisões controversas da FIA e da direção de corridas. Diante de tantos casos, a entidade que rege o esporte optou por mudar alguns termos do regulamento sobre esse ponto.

Entre as mudanças, está o prazo para o pedido de revisão. Antes, era de 14 dias, agora os times terão apenas 96 horas para apelar — no entanto, será possível ampliar esse limite em circunstâncias especiais, de acordo com a nova regra. Além disso, a FIA vai cobrar um depósito em dinheiro das equipes para cada solicitação.

Nesta mesma linha, o órgão que regulamenta a F1 também decidiu aumentar o valor das multas por violações de regras. Esse número pode ultrapassar os R$ 5 milhões. Segundo a FIA, a ideia é que os altos valores sirvam como um alerta e que possam impedir infrações flagrantes e perigosas de equipes e pilotos. A federação ainda informou que o dinheiro será direcionado ao financiamento de programas para o desenvolvimento do automobilismo. No entanto, ainda há dúvida sobre que tipo de violação pode levar ao valor máximo.

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Por fim, a Fórmula 1 também alterou as condições do teto orçamentário, ampliando o limite que pode ser investido em infraestrutura, mas tudo baseado na classificação do Mundial. Quer dizer, quem estiver mais abaixo na tabela, terá mais dinheiro para gastar. A ideia, claro, é tentar equilibrar o grid e proporcionar um ganho de performances do grupo intermediário e final da tabela.

O GRANDE PRÊMIO publica nesta semana um guia completo de tudo que é preciso saber sobre a temporada 2024 da Fórmula 1, que começa no próximo fim de semana, entre os dias 29 de fevereiro e 2 de março, com o GP do Bahrein. O GRANDE PRÊMIO transmite classificação e corrida em segunda tela, em parceria com a Voz do Esporte, na GPTV, o canal do GP no Youtube. Além disso, debate tudo que aconteceu na pista com o Briefing após cada dia de atividade.

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