GUIA 2026: Aston Martin vive pesadelo e começa ano com único alvo: fugir da lanterna

Já tem tempo que a Aston Martin vive mais de juras do que de realizações, mas vê-la encerrar a pré-temporada pior até que a Cadillac foi um duro golpe. Adrian Newey é visto como redentor, só que os problemas do AMR26 são sérios e vão muito além da aerodinâmica

De todas as 11 equipes que compõem o grid da temporada 2026 da Fórmula 1, a Aston Martin é a que mais demonstrou disparidade entre o que prometeu e o que de fato cumpriu nos testes coletivos do Bahrein, mas já tem um tempo que a escuderia sediada em Silverstone vive mais de juras do que de realizações. Tudo começou em 2023, o segundo ano do regulamento anterior, quando a chegada de Fernando Alonso trouxe a certeza de que seria questão de pouco tempo até o carro esmeraldino começar a brigar por vitórias e até por títulos.

Passou muito longe disso, apesar do início promissor quando Alonso emplacou seis pódios nas primeiras oito corridas. Tal performance encheu os olhos do magnata Lawrence Stroll, que tratou de ir atrás de mais peças para compor o que seria a engrenagem perfeita para transformar a Aston Martin em verdadeira equipe de ponta. Andy Cowell deixou a Mercedes para se unir ao projeto, assim como Bob Bell, ex-Alpine, e Enrico Cardille, então diretor-técnico da Ferrari. Veio, então, o que seria o golpe de misericórdia que faria a equipe ser temida por todos: Adrian Newey.

Quando Newey deixou a Red Bull após 20 anos e se uniu à Aston Martin, pareceu o cenário perfeito poder contar com um dos maiores projetistas da história da Fórmula 1 num ano de grande revolução técnica. Sem dúvida, uma aquisição e tanto bastante disputada pelo mercado, e o engenheiro britânico passou a ser visto como uma espécie de redentor, uma vez que as cobranças por resultados já se apresentavam mais intensas (lembrem-se da sensação deixada em 2023). Dinheiro definitivamente não era problema por lá, porém Stroll, o pai, já demonstrava certa impaciência pelas oscilações.

Mas a ousadia foi além. Além de Newey, a Aston Martin também contaria com a Honda como fornecedora de motores, uma aposta que de modo algum pareceu arriscada pelo histórico recente vencedor com a Red Bull, com quatro Mundiais de Pilotos e dois de Construtores. É importante frisar que embora a unidade de potência de 2026 tenha passado por significativa alteração por conta da ampliação da parte elétrica, os motores híbridos estão na categoria desde 2014.

Adrian Newey é visto como redentor pela Aston Martin, porém problemas vão muito além da aerodinâmica (Foto: Aston Martin)

Só que o foco da Aston Martin em nenhum momento se voltou para o motor. Todos ansiavam pelas soluções que Newey traria ao AMR26 para comportar a aerodinâmica ativa, e realmente o carro chegou ao Bahrein com um design agressivo, sobretudo nas entradas de ar na altura do sidepod. Acontece que é impossível julgar se o projeto idealizado pelo projetista e também chefe de equipe realmente surtiu o efeito desejado, e isso porque a Aston Martin se deparou com um sério problema na unidade de potência que comprometeu bastante os testes coletivos.

Os primeiros indícios vieram ainda em Barcelona, na semana do shakedown, quando admitiu que o projeto estava atrasado. Dos três dias que teria à disposição, usou apenas dois e acumulou poucas voltas. Ainda criou suspense ao surgir muito lenta em uma das atividades, mas sob argumento de que era um teste proposital para averiguar outras áreas do carro. Fato era que tudo parecia um tanto esquisito, e isso se confirmou na semana seguinte, no Bahrein.

Na pista de Sakhir, a Aston Martin completou somente 334 voltas, um desempenho pior que o das estreantes Cadillac e Audi — a título de comparação, a líder foi a McLaren, com 817 giros. No quinto dia de atividades, Alonso viu o carro parar quando realizava uma simulação de corrida, com 14 voltas em sequência — feito até celebrado pela transmissão da TV argentina como se fosse a conquista de um pódio. No dia seguinte, Lance Stroll deu apenas seis voltas, e os ingleses deram a participação na pré-temporada como encerrada.

Foi um baque e tanto. A Honda promoveu inspeção minuciosa na unidade de potência e detectou uma falha na bateria causada por “vibrações anormais” ocasionadas por vários fatores, como a pilotagem de Alonso e Stroll. “Em resposta a isso, estamos investigando a causa e trabalhando em medidas necessárias. Simultaneamente, estamos trabalhando com a equipe para implementar essas medidas no carro. Há muitas questões a serem resolvidas, mas estamos determinados a vencer”, assegurou o diretor-executivo da montadora, Ikuo Takeishi, logo após a passagem da F1 pelo Bahrein.

Lance Stroll deu apenas seis voltas no último dia da pré-temporada (Foto: Aston Martin)

Do lado da Aston Martin, não restou outra coisa a não ser tentar se agarrar a qualquer fio de esperança, e automaticamente os olhos se voltavam para Newey. “Sim [sigo confiante], especialmente na parte do chassi. A unidade de potência é um pouco mais difícil, porque ainda não temos um bom entendimento das regras e do que precisamos. Mas, pelo lado do chassi, não há pontos de interrogação. Após mais de 30 anos com Adrian dominando o esporte, não é como se ele fosse esquecer tudo em um ano. Não sei onde estamos em termos de chassi e nível de aderência, mas, mesmo que não estejamos 100% agora, estaremos em breve — porque consertaremos os problemas do motor”, avaliou Alonso

Stroll, o Lance, também adotou discurso semelhante depois de ter dito que a única coisa boa no carro era a pintura. “Adrian é totalmente focado em performance. Está obcecado em encontrar maneiras de extrair mais desempenho do carro. É um grande líder, sempre tentando tirar o máximo de cada pessoa em sua função. É inspirador fazer parte disso e um privilégio trabalhar ao lado dele, sem dúvida”, ressaltou.

Ora, que Newey é capaz de criar carros vencedores, não há a menor dúvida, só que já deu para perceber que não vai ser tão simples assim, uma vez que o motor realmente terá um peso diferenciado nesta nova era. A parte elétrica agora responde a 50% da potência, e é o gerenciamento da bateria que vai determinar a performance, pois os pilotos terão de regenerar o máximo possível de energia com o MGU-K ao longo das voltas, dentro do limite de 350 kW permitido pelo regulamento. Isso envolve usar técnicas de pilotagem, como tirar o pé do acelerador na reta (o chamado lift and coast) para carregar a bateria, e se foi justamente a forma de condução dos pilotos que ajudou a danificar a bateria, há risco sério de a Aston Martin ver os mesmos problemas do Bahrein se repetirem na Austrália.

Definitivamente não é o que a equipe espera, mas é uma realidade que precisa ser encarada. Não adianta apenas olhar para Newey e achar que o simples estalar de dedos do Mago da Aerodinâmica vai reverter a situação. A verdade é que a Aston Martin chega a Melbourne torcendo apenas por um milagre que pelo menos a livre da iminente lanterna em 2026.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 122:300:3002:3003:30
Treino livre 202:0004:0006:0007:00
Treino livre 322:300:3002:3003:30
Classificação02:0004:0006:0007:00
Corrida01:0003:0005:0006:00

*Horário de Brasília

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