Na altitude e ‘com asa’, carros passam dos 360 km/h nos treinos livres no México e superam velocidades de Monza

O ar rarefeito na Cidade do México representou menor resistência aos carros do que no resto do calendário e permitiu que as maiores velocidades do ano fossem atingidas. Lewis Hamilton passou de 362 km/h no primeiro treino livre

Os primeiros treinos livres da F1 no México, país que volta a receber uma prova da categoria depois de 23 anos, serviram para que os pilotos se familiarizassem com um traçado diferente. Mas, mesmo em tais condições, o que se viu foi uma série de voltas extremamente competitivas. Max Verstappen liderou a primeira sessão, enquanto Nico Rosberg liderou a segunda. Todavia, as velocidades máximas alcançadas nesta sexta-feira (30) trataram de chamar atenção: Lewis Hamilton, com 362,3 km/h, alcançou a marca mais alta da temporada.
 
A marca de Hamilton supera até mesmo as velocidades registradas na prova de Monza desta temporada, tradicionalmente o mais veloz do calendário. Durante o GP da Itália deste ano, Kimi Räikkönen chegou aos 358,3 km/h.
Lewis Hamilton alcançou a velocidade mais rápida da temporada 2015 (Foto: Getty Images)
A situação surpreende, mas tem uma explicação lógica por trás. A reta principal do Hermanos Rodríguez, com 1,3 km de extensão, é uma das maiores do calendário. Mas o que faz diferença nas velocidades finais é a altitude da Cidade do México. A capital, 2.200 metros acima do nível do mar, apresenta o ar mais rarefeito enfrentado pela F1.

A característica da região acaba por diminuir a resistência do ar – o que, consequentemente, permite as velocidades surpreendentes.

Depois do GP do México, o GP mais 'alto' do ano é o do Brasil, em São Paulo, cerca de 800 metros acima do nível do mar.

 
Diante deste cenário atípico, o curioso é que tais velocidades são alcançadas com um acerto de carro um tanto 'impróprio'. O ar rarefeito faz com que seja mais difícil gerar downforce, e por isso os times optam por usar configurações semelhantes às das provas mais lentas da temporada, como Mônaco e Hungria.

Em média de velocidade, no entanto, a diferença entre Hermanos Rodríguez e Monza continua grande. Rosberg ficou pouco acima dos 180 km/h de média no TL2, ao passo que a pole-position de Hamilton ficou na casa de 250 km/h.

Velocidades mais altas na sexta-feira no México

      km/h
1 44 LEWIS HAMILTON 362.3
2 6 NICO ROSBERG 361.2
3 11 SERGIO PÉREZ 356.7
4 19 FELIPE MASSA 355.8
5 77 VALTTERI BOTTAS 355.6

A evolução das velocidades

 
As velocidades máximas da F1 ao longo das últimas 15 temporadas não são particularmente constantes. As várias mudanças de regulamento levaram os recordes anuais a passar por diversos altos e baixos – muito mais baixos do que altos.
 
Em 2001, a F1 ainda contava com motores V10, que sempre garantiam velocidades assustadoramente altas. Jean Alesi, em Monza, chegou aos 363 km/h. Tal era, que durou até 2005, não registrava máximas abaixo dos 360 km/h. Em corridas, o recorde absoluto de tal período pertence a Kimi Räikkönen, que, ainda na McLaren, chegou a 370,1 km/h no GP da Itália, em Monza.
 
Em 2006, todavia, os números caíram bruscamente com a introdução dos motores V8, acabando com as chances de superar as marcas anteriores – que ainda imperam como recordes absolutos do esporte. A máxima de tal temporada, também em Monza, foi de 349,9 km/h, com a Ferrari de Felipe Massa.
 
Começava, então, uma longa sequência de queda nas máximas de cada temporada. Em 2009, um novo kit aerodinâmico foi introduzido, diminuindo uma vez mais os números. O GP da Itália de tal ano teve a velocidade recorde registrada por Adrian Sutil: 344,8 km/h. Os anos subsequentes trataram de apresentar aumentos mínimos na velocidade final dos carros. Nesta época, o máximo possível era chegar aos 349,2 km/h, primazia de Sergio Pérez em 2012, novamente em Monza.
 
Em 2014, todavia, os números voltaram a saltar. Os motores V6 Turbo aumentaram significativamente as máximas, em parte por causa do turbo, em parte porque chegaram acompanhados de uma sequência de mudanças aerodinâmicas que diminuíram o arrasto dos carros. E são estes mesmos turbo que ajudam a explicar a razão das velocidades tão altas no Autódromo Hermanos Rodríguez.

Motores aspirados perdem muita potência quando andam na altitude, uma vez que dependem muito do ar para fazer a combustão. Com os motores turbo, essa dependência é menor, embora seja, sim, necessário usar uma velocidade maior nas turbinas para garantir que a potência seja mantida.

O gráfico que segue mostra a evolução das velocidades máximas atingidas nas corridas da F1 nos últimos 15 anos, sempre em Monza. Ao que parece, a marca de 2015 será substituída neste domingo. E, depois, outro gráfico mostra os flagrantes dos radares no GP do México.

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