“Eu estou tendo o melhor dia”. A frase é de Lewis Hamilton e foi recebida quase como um alerta de tufão em Suzuka. Isso porque o inglês exibiu uma performance assombrosa e que beirou a perfeição no rápido e icônico circuito japonês, nesta sexta-feira (5). Sem cometer erros e até evitando um acidente mais sério com Pierre Gasly, o tetracampeão comandou as duas sessões do GP do Japão. E quando falamos comandou, é neste sentido mesmo. Nas suas mãos, o W09 da Mercedes se mostrou veloz e consistente, dando a entender que não terá adversários neste fim de semana, em que a F1 chega à 17ª etapa da temporada.
Na primeira sessão do dia, o #44 já se apresentou fortíssimo.
Foram 0s446 para companheiro Valtteri Bottas e quase 1s para Sebastian Vettel, que ficou apenas em quinto. Na manhã nipônica, Hamilton andou apenas com os compostos médios – a versão mais lenta da Pirelli em Suzuka – e os macios. Depois do almoço,
Lewis voltou ainda melhor e, logo nos primeiros minutos, se viu confortavelmente à frente, como se estivesse em outra categoria, de fato. Nem mesmo Bottas o acompanhou, ajudado também por uma série de pequenos erros aqui e ali. Só que Hamilton andou rápido com os macios e voou quando calçou os supermacios. O tempo final do dia ficou em 1min28s217, 0s461 melhor que seu colega de garagem, mas a diferença que assustou mesmo foi para o terceiro colocado. Vettel ficou a 0s833, com as mesmas condições de pneus.
A performance chegou a emocionar o tetracampeão: "O equilíbrio estava todo no lugar, então curti muito. A cada ano que volto sempre há áreas em que posso melhorar, então foi como ‘nas curvas 2 e 3, onde sei que preciso arrebentar neste ano’, e fui para cima. Fui muito melhor do que já havia sido antes ao longo dessas curvas em particular."
Lewis Hamilton foi imbatível Suzuka (Foto: Mercedes)
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O resultado dos dois treinos livres serve também como mais uma prova do enorme avanço técnico realizado pela Mercedes. Desde a derrota para a Ferrari em Spa-Francorchamps, na abertura da segunda fase do campeonato, a equipe prata vem trabalhando para neutralizar seus pontos fracos, como o superaquecimento dos pneus e a eficiência da parte traseira do carro. As duas questões parecem não incomodar mais, mas o que se vê agora é uma retomada da excelência que o time exibiu em seus anos de domínio. E isso pode ser um mau negócio para a concorrência.
E um exemplo é o perrengue que a Ferrari atravessa no momento. Além de um déficit significativo para a rival prata – são 50 pontos entre Hamilton e Vettel -, a equipe italiana se vê de novo um passo atrás depois de exibir performances notáveis neste ano. Na pista japonesa, a enorme diferença de desempenho pode ser explicada em partes por uma medida de precaução: entende-se que o time tenha optado por andar em um modo mais conservador. Ou seja, usando um motor que já está muito perto do fim da vida útil. Mas há um outro lado: os pneus.
Tanto Vettel como Kimi Räikkönen tiveram problemas com os pneus. E isso é má notícia, uma vez que a Ferrari optou por uma estratégia muito agressiva para a corrida. Dos jogos disponíveis da Pirelli, a escuderia pediu apenas um de médios, dois de macios e dez de supermacios. Para efeito de comparação, a Mercedes solicitou dois jogos de médios, quatro de macios e sete de supermacios. Só que o que aconteceu é que, com os compostos vermelhos, o desempenho não pareceu tão competitivo na SF71H, realmente uma inversão do que se via até o ano passado. Como se não bastasse, ainda apresentaram bolhas. No caso do alemão, exatamente nos compostos supermacios traseiros. No carro do finlandês, os macios atrás também foram afetados.
Ainda assim, a equipe italiana testou peças novas ao longo do dia, o que incluiu também um assoalho diferente, usado apenas no TL1. Após as atividades, Vettel se disse satisfeito com o ritmo geral da Ferrari. O que levanta a dúvida sobre o real potencial é que o alemão conseguiu imprimir um forte ritmo de corrida com os pneus macios, em tempos próximos aos da Mercedes. Em classificação, entretanto, a performance ainda está muito aquém.
Sebastian Vettel tenta tirar mais da Ferrari em Suzuka (Foto: AFP)
“Sabemos o que estamos fazendo, não acho que tentamos algo diferente das outras sextas-feiras. Acho que nós sabemos o que o carro pode fazer. Acho que nós podemos focar no nosso trabalho e agora nós vamos tentar tirar tudo o que resta do carro para amanhã. Se pudermos agarrar a pole amanhã, ótimo. Se não, precisamos ficar logo atrás e ver o que acontece”, explicou o alemão, que assume que a classificação não será tão normal.
Mas talvez só ficar atrás não vai resolver o problema, já que Seb enfrenta uma nova etapa crucial em sua busca por tentar ainda se recuperar no campeonato e, com Lewis em seu melhor, isso parece ainda mais complicado. Então, se a Ferrari esconde o jogo, essa é a hora de apresentar as cartas. Ou torcer pela chuva, que nem sempre é amiga dos homens de Maranello.
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