Kubica diz que merece medalha por determinação após acidente de rali

Robert Kubica enfrentou batalhas físicas e psicológicas ao se recuperar do acidente de 2011. Foi difícil, mas o polonês reagiu e voltou até mesmo ao grid da F1 em 2019, feito digno de medalha

Robert Kubica pareceu ter posto tudo a perder em fevereiro de 2011, quando sofreu um acidente quase fatal de rali na Itália. A carreira sólida na Fórmula 1 ficou de lado conforme o polonês se recuperava de lesões no braço direito, que nunca vou a ser plenamente funcional. Mesmo assim, Kubica regressou às pistas e fez até retorno à F1 pela Williams em 2019. A passagem pela equipe britânica foi cheia de frustrações, mas Robert não se engana: a perseverança após quase perder a vida é digna “de uma medalha”.

A afirmação de Kubica veio durante reflexão sobre a vida pós-acidente. O polonês encarou batalhas físicas, mas talvez as mais duras tenham sido as psicológicas na missão de encarar uma nova realidade.

“Eu nunca fui em um psicólogo. Eu sou uma pessoa de personalidade estranha”, contou Kubica, entrevistado pelo site polonês ‘Sportowe Fakty’. “Algumas vezes essa personalidade não me ajudou na vida ou na carreira, mas me ajudou muito nesse período [pós-acidente]. Para ir em frente, para aceitar minha nova vida. Seria muito mais fácil desistir, dizer que tive azar. Fico feliz que não fiz isso, mesmo que não tenha sido fácil. Sou muito crítico comigo mesmo, mas eu me daria uma medalha por conta desse período. Eu certamente cometi erros, mas pensando na situação, nos acontecimentos, no período inteiro… Seria muito fácil me esconder e mudar por completo meu caminho”, refletiu.

Robert Kubica se orgulha da reação pós-acidente e da aparição na F1 em 2019 (Foto: Williams)

Mesmo que Kubica tenha se recuperado e até mesmo retornado ao grid da F1, é inegável que o acidente de rali na Itália impediu voos mais altos nas pistas. O polonês brilhou pela Renault em 2010 e já tinha pré-contrato para representar a Ferrari em 2012. Seria motivo suficiente para ter arrependimentos, mas Robert aprendeu a lidar com tais sentimentos

“Eu não tenho arrependimentos hoje em dia. Seria fácil ter e é normal que eu tenha tido. Eu me considero um cara esperto, então eu tive vários pensamentos diferentes. Esse acidente é o acontecimento que mais afetou minha vida. Não afetou só meu corpo, não me deixou apenas limitado. É muito provável que esse momento me afete pelo resto da vida. Não só no esporte, mas também na vida cotidiana. Para viver uma vida normal, preciso superar pensamentos negativos e viver com o que tenho, buscar novos objetivos. Agora, durante a pandemia, nós vemos claramente que não fomos feitos para ficar sentados em casa, sem o que fazer durante o dia. Foi o que aconteceu comigo em 2011 e quase custou minha vida”, encerrou.

Kubica deixou a Williams e o grid da F1 ao fim de 2019. O polonês virou reserva da Alfa Romeo e participou até mesmo da pré-temporada em Barcelona. Além disso, Robert também assumiu vaga de titular no DTM após assinar com a BMW para 2020.

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