F1
15/06/2015 11:55

Lauda segue Räikkönen, pede F1 mais “arriscada” e alerta contra medidas artificiais: “Pior coisa que você pode fazer”

Niki Lauda acompanhou Kimi Räikkönen e avaliou que a F1 precisa de mudanças que a tornem mais arriscada. Presidente não-executivo da Mercedes alertou, entretanto, que medidas artificiais devem ficar longe do esporte
Warm Up / Redação GP, de São Paulo
 Gaivota assiste à largada em Montreal (Foto: AP)
 Presidente não-executivo da Mercedes, Niki Lauda avaliou que Kimi Räikkönen tem razão ao dizer que a F1 deveria ser “mais perigosa”.

O campeão de 2007 defendeu que o Mundial precisa encontrar um caminho para ser mais interessante. "Quando eu entrei na F1, era mais animado para todo mundo. Era o topo mesmo, faz muito tempo. Nós esperaríamos que os carros fossem mais rápidos e mais animadores, mas entram as mudanças de regras... Eles tentam deixá-la mais lenta", disse Kimi em entrevista à rede de TV Canal+, da França.

"Estou certo de que algo tem de ser feito para tornar tudo mais animador para as pessoas assistirem e também de ver a questão velocidade, além de tornar as coisas mais perigosas. É parte do jogo. Não queremos que alguém se machuque, mas precisamos animar", completou o campeão de 2007.
 
Lauda, tricampeão da categoria, ponderou que hoje a F1 é muito controlada, com regras excessivas, e concordou com o titular da Ferrari, mesmo ressaltando que escolheria a palavra “arriscada” ao invés de “perigosa”.
Niki Lauda avaliou que a F1 deve fugir de medidas artificiais para aumentar competitividade (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
“Não estou dizendo que deveríamos negligenciar a segurança”, disse Lauda ao diário germânico ‘Bild’. “Se os carros fossem mais rápidos, a emoção para os pilotos e espectadores aumentaria automaticamente”, defendeu.
 
Além disso, Niki afirmou que gostaria de ver o grid cheio de “homens de verdade, não jovens brincando com botões no volante”.
 
 Na visão de Lauda, a F1 precisa de “pilotos com as mais altas habilidades de pilotagem e, enfatizo, habilidade de pilotagem”. “Você não pode voltar o relógio, mas o piloto deveria voltar a ter o carro nas mãos, não como temos hoje, onde ele está apenas apertando botões", falou.
 
Por fim, Lauda ressaltou que, em um momento em que a F1 debate mudanças no regulamento de 2017, é preciso levar em conta que o esporte deve resistir aos recursos artificiais.
 
“Qualquer tipo de manipulação é a pior coisa que você pode fazer por um esporte”, avaliou. “Isso não deve acontecer.”
 
Falando ao canal alemão Sky, Gerhard Berger concordou com Lauda e comentou que a F1 de hoje é muito difícil e que o público deveria apenas “ligar a TV e entender”.
 
“Zona de DRS um, zona de DRS dois — isso tudo é muito complicado”, disse Berger. “Nós precisamos ter um esporte a motor no qual o piloto é o principal fator determinante. Não a tecnologia que, na pior das hipóteses ninguém entende”, concluiu.