Hamilton lucra muito em erro de Verstappen: Mercedes tem carro melhor para GP da Arábia

A Mercedes teria um trabalho forte na corrida porque pegou, inesperadamente, uma Red Bull melhor em volta rápida e que fatalmente sairia na pole. A batida de Max Verstappen no fim do treino em Jedá soa como sorte de campeão para Lewis Hamilton

A Mercedes saiu no lucro na Arábia Saudita em um sábado (4) de forte emoções. Antes mesmo da classificação, a equipe chefiada por Toto Wolff se viu às voltas com um tour de Lewis Hamilton pela salinha dos comissários, graças a incidentes durante o terceiro treino livre, sem contar com uma falha no carro de Valtteri Bottas que forçou uma troca de motor de última hora. Com tudo resolvido em questão de 40 minutos e já em cima da sessão oficial do dia, o time ganhou o traiçoeiro circuito de Jedá para a definição do grid. E de uma sexta-feira em que pareceu dominante, a escuderia alemã se deparou com uma velocidade assombrosa da rival Red Bull.

Depois de se livrar de um vazamento de combustível, a heptacampeã foi capaz de acionar o mapeamento agressivo em uma unidade mais antiga no carro de Bottas, enquanto Hamilton já fazia uso de seu motor apimentado. O problema é que o ganho de performance não foi tão impressionante como em São Paulo, no mês passado. Ainda assim, o inglês foi capaz de estabelecer um ritmo forte ao longo das três fases da classificação. O segredo também esteve no bom acerto do W12, sobretudo quanto ao comportamento dos pneus macios, que ainda parecem não ser o ideal para o traçado urbano.

Mas Lewis seguiu tentando baixar seus tempos para neutralizar as investidas cada vez maiores de Max Verstappen. Hamilton sabia que a primeira fila era a meta, diante de uma corrida imprevisível em uma pista estreita e ameaçadora. Na parte final da sessão, o britânico abriu sua última volta rápida muito antes de Verstappen. Foi um giro especial, preciso e sem erros. O bastante para recolocá-lo na ponta. O retorno aos pits se deu lentamente. O vice-líder ainda precisou esperar mais de um minuto para saber que havia garantido a 103ª pole da carreira.

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Lewis Hamilton abraça o companheiro Valtteri Bottas em Jedá (Foto: Mercedes)

+Como ficou o grid de largada do GP da Arábia Saudita de Fórmula 1

Foi assim por causa de um insolente Max. O holandês era o marco de velocidade em Jedá. De algum jeito, a Red Bull trabalhou melhor a configuração aerodinâmica de suas asas, teimou em um acerto agressivo e rápido. E Verstappen chamou para si a responsabilidade. Na volta derradeira, sendo o último da fila no Q3, as duas primeiras parciais já davam o sinal de que a posição de honra viria – a diferença estava em 0s3. Seria um belo golpe na concorrência e naqueles que cismam em prever algo neste campeonato.

Acontece que Jedá tem 27 curvas, algumas cegas e muito velozes. É um circuito que exige respeito com seus muros tão próximos. Mas Max sabia que tinha de se impor, chegou a relar em algumas barreiras até que precisou corrigir de fato o carro. Era a curva final, não deu. Verstappen salvou a dianteira, mas perdeu a traseira do carro e acertou a proteção, ficando por ali mesmo. “Não sei o que acontece”, disse, desolado depois de caminhar de volta ao pit-lane.

Neste tempo, Bottas pulou para segundo, empurrando o líder do Mundial para terceiro. “Claro, é terrível. Travei e consegui manter o carro na pista para fechar a volta, mas perdi a traseira. O terceiro lugar é decepcionante sabendo da volta que estava fazendo, mas mostramos nosso ritmo e vamos ver o que é possível fazer na corrida”, completou.

É justo dizer que Hamilton deve essa a Verstappen. Quando ouviu do engenheiro, ainda dentro do carro, que a Mercedes estava na primeira fila, Hamilton abriu um sorriso e agradeceu ao time. “Estávamos rápidos aqui, mas no TL3 e na classificação, faltou ritmo e tivemos dificuldades com os pneus. Por conseguir um 1-2 aqui, estou muito orgulhoso de Valtteri e todos na equipe. É um grande resultado”, afirmou o inglês.

“Este 1-2 era o objetivo, trabalhamos muito nas simulações e nos acertos. A colaboração foi incrível com Valtteri, ele é o melhor companheiro de equipe que já tive no esporte, trabalhamos muito duro no acerto, para colocar o carro onde está, e a Red Bull foi tão rápida. Aquela Red Bull na pista é algo diferente, mas dado onde estamos, sou muito grato pelo que conseguimos”, completou o heptacampeão, que está 8 pontos atrás de Verstappen na classificação.

Max Verstappen bateu na parte final do Q3 e perdeu a chance de pole em Jedá (Foto: Red Bull Content Pool)

A dobradinha da Mercedes significa um passo à frente em termos de estratégia. Isso porque o W12 tem o melhor ritmo de corrida, de acordo com as simulações feitas nos treinos livres. A diferença para a Red Bull ficou entre 0s2 e 0s5 no pneu médio – o composto que os dois candidatos ao título largam neste domingo. O pneu duro também deve desempenhar seu papel – aqui é importante dizer que Verstappen fez stints interessantes na sexta-feira com esses compostos. De todo o jeito, os carros pretos foram mais consistentes de forma geral.

“Estaremos mais próximos em ritmo de corrida. Meu stint longo na sexta-feira foi bom, mas a Red Bull consertou algo ontem e estão rápidos hoje. Então eu espero uma batalha apertada amanhã, mas eu e Valtteri estaremos lá”, assegurou Hamilton.

E a corrida, de 50 voltas, tende a ser de apenas uma parada. Então, a tática será fundamental, assim como uma boa largada. “Esperamos que a maioria dos pilotos escolha a tática de um único pit-stop, mas existem muitos elementos desconhecidos que podem influenciar a estratégia. Apesar do tamanho do circuito, as diferenças foram incrivelmente próximas, com os dez pilotos separados por apenas alguns décimos”, explicou Mario Isola, o chefão da Pirelli.

É claro que, como essa temporada bem ensina, é prudente evitar qualquer previsão. Dito isso, a Mercedes saí em vantagem, mas terá de ser perfeita – para que a sorte de campeão siga sorrindo para Lewis. Já a Red Bull, que agora lambe as feridas, sabe que se há alguém que pode virar o jogo esse alguém é Max.

O GP da Arábia Saudita de Fórmula 1 tem largada prevista para 14h (de Brasília, GMT-3) deste domingo e terá transmissão ao vivo pela Band na TV aberta e pelo serviço de streaming F1 TV Pro. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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