Hamilton marca território em classificação dominante e põe Red Bull para pensar no Catar

Lewis Hamilton sequer precisou do motor poderoso que usou no Brasil para conquistar a pole do GP do Catar. O inglês foi brilhante na noite do deserto e ratificou o melhor momento para cima de uma Red Bull que tem negócios a resolver, entre eles um chamado da FIA sobre bandeiras amarelas duplas durante o Q3

Se a sexta-feira terminou sem uma conclusão sobre a ordem de forças do GP do Catar de Fórmula 1, o sábado (20) revelou um cenário mais nítido. E quem reluziu sob as luzes intensas do circuito de Losail foi Lewis Hamilton. De novo, o heptacampeão foi capaz de fazer mais do que a concorrência e até daquilo que a Mercedes esperava. O inglês conseguiu reverter um acerto confuso dos treinos livres em uma configuração bem ajustada para o traçado catari. Os 0s455 que colocou em Max Verstappen ao fim do Q3 falaram muito sobre a atuação do vice-líder do Mundial e do potencial que possui para a inédita corrida deste domingo.

O caso é que a Mercedes encontrou o ritmo que faltou ontem, quando Hamilton encerrou o dia dizendo que estava lento e muito longe de seus adversários. 24 horas mais tarde, o terceiro treino livre apresentou a equipe alemã em vantagem. Mas foi na definição das posições de largada que Hamilton aprimorou a performance. O britânico liderou as duas primeiras partes da sessão, escolhendo os pneus médios amarelos para o trecho inicial da prova de amanhã. Em nenhum momento foi ameaçado.

A volta da pole 102 veio em um giro sem erros, com a marca de 1mim20s827 – Lewis foi o único a baixar da casa de 1min21s. Além do acerto do W12, os engenheiros também foram precisos em evitar o tráfego, e isso ajudou, por exemplo, a escapar do aviso sobre o incidente com Pierre Gasly nos instantes derradeiros da classificação. O carro preto #44 não só mostrou velocidade de reta, embora não a mesma de Interlagos, mas ainda assim importante, como também um ajuste aerodinâmico certeiro para as diferentes curvas do Catar, e talvez esse seja o grande segredo dos alemães.

+Confira o grid de largada do GP do Catar de Fórmula 1

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“Ontem foi um dia difícil para mim, realmente tive dificuldade ao longo dos treinos”, disse o heptacampeão. “Fiquei aqui até a meia-noite trabalhando com os engenheiros e encontramos muitas áreas em que era possível melhorar. Fizemos muitas mudanças para o TL3 que parecem ter funcionado”, seguiu.

“E, claro, você tem de levar isso para a classificação, mas sou muito grato pelo momento em que nos mandaram de volta à pista, não pegamos nenhum tráfego. A última volta foi simplesmente linda”, resumiu.

O que chama atenção também nesse desempenho de Hamilton é que a esquadra da estrela decidiu não usar o poderoso motor que foi utilizado no Brasil, segundo informações da imprensa internacional. Talvez isso explique a sensível perda de velocidade de reta. Os engenheiros optaram por poupar a unidade para o GP da Arábia Saudita, provavelmente. O caso é que Lewis é empurrado em Losail pelo motor que andou entre a Turquia e o México. Interessa, então, notar o trabalho em cima da aerodinâmica e dos pneus.

O cenário para a Mercedes só não é completo porque Valtteri Bottas não pode acompanhar o colega de equipe. O finlandês não mostrou a mesma afinidade em termos de performance, mas, ainda assim, larga da terceira posição – algo que pode ajudar no momento do confronto com Verstappen, o segundo colocado. “Foi uma volta muito impressionante de Lewis para conquistar a pole, sentimos que isso estava ao nosso alcance hoje, mas uma margem de mais de 0s4 estava além de nossas expectativas. Também é ótimo ter Valtteri na terceira posição”, afirmou Andrew Shovlin, engenheiro da Mercedes.

“Lewis teve um dia realmente sólido e está muito mais feliz com o carro. A sessão de Valtteri não foi tão limpa, nós realmente lutamos para encontrar um caminho livre para suas voltas. No entanto, é uma questão de saber se você prefere ser o segundo no lado sujo ou o terceiro no lado limpo e não descobriremos qual é o melhor até amanhã. É difícil saber o que esperar da corrida por não ter estado aqui antes, os pneus parecem estar se comportando bem, embora eles devam esquentar demais, o que vai tornar mais difíceis as ultrapassagens, então se conseguirmos manter a liderança, vamos ficar em uma posição forte.”

É verdade, a largada será um ponto decisivo no Catar. As temperaturas terão grande influência sob o comportamento dos pneus, aliado às características da pista. “Seguir o carro da frente é muito difícil aqui”, afirmou Hamilton. Até por isso esse desempenho todo da Mercedes preocupa a Red Bull, mesmo que Verstappen tenha ido além com o segundo posto do grid. A equipe austríaca ainda bate na tecla da asa traseira dos rivais – elemento que julga ser ponto chave para a performance de Hamilton. Mas também é verdade que faltou desempenho ao RB16B, que voltou a sofrer problemas com o flap de sua asa traseira. Tanto que a equipe precisou mudar para um modelo com mais downforce, o que não foi de todo ruim.

“Só nos faltou um pouco de ritmo de novo para vencer a Mercedes. Foi uma sessão difícil para nós. Basta ver que Sergio nem chegou ao Q3”, falou Max após a classificação, lembrando que Pérez falhou durante a segunda parte da sessão. Sem conseguir performance com os pneus médios, o mexicano recorreu aos compostos macios no fim, mas não pode fazer mais do o 11º tempo em um encerramento engarrafado no Catar.

Dessa forma, Verstappen está sozinho contra os dois carros da Mercedes. Mas há uma esperança para o domingo. Pierre Gasly está ali em um brilhante quarto lugar, com uma AlphaTauri foguetinho de novo e pode surpreender. Além disso, o ritmo de corrida pode mudar com os carros mais pesados. Os níveis de downforce também são uma arma importante dessa Red Bull.

Max Verstappen larga da segunda posição do grid do GP do Catar (Foto: Red Bull Content Pool)

Só tem detalhe. Verstappen foi chamado pelos comissários para explicar por que razão não desacelerou nas bandeiras amarelas duplas, agitadas na curva 15, devido ao furo de pneu de Gasly, que espalhou detritos por todos os lados. Se for considerado culpado, Max será muito provavelmente demovido deste segundo lugar, abrindo uma vantagem dos sonhos para a Mercedes – ainda que Bottas também esteja enfrentando uma investigação semelhante.

No entanto, como no dia eterno da marmota em que a F1 parece viver, só saberemos amanhã, quando o piloto do carro #33, além de Bottas e Carlos Sainz, vão se reunir na salinha dos comissários.

Ainda assim, por ora, a balança pesa para o lado da Mercedes.

O GP do Catar de Fórmula 1 tem largada prevista para 11h (de Brasília, GMT-3) deste domingo, sempre com transmissão ao vivo pela Band na TV aberta e pelo serviço de streaming F1 TV Pro. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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