Longe da glória, Haas, Alfa Romeo e AlphaTauri travam briga em que cada ponto importa

Os balanços financeiros de Alpine e Aston Martin mostram bem o tamanho da importância de cada posição ganha do meio para o fim do pelotão na F1, o que torna a briga entre Haas, Alfa Romeo e AlphaTauri, por todo pontinho possível, das mais interessantes

O GRANDE PRÊMIO trouxe ontem uma análise da briga pelo vice-campeonato envolvendo Ferrari e Mercedes, mas a F1 2023 ainda tem outra batalha bem interessante envolvendo Haas, Alfa Romeo e AlphaTauri. Não se trata simplesmente de beliscar uma posição melhor ou de evitar a lanterna do campeonato: é um confronto fundamental para os cofres do trio.

É que o valor que cada equipe recebe após uma temporada tem uma série de variáveis: histórico na categoria, simplesmente ser a Ferrari e, claro, a performance no último campeonato. E aqui que as coisas acabam ficando engraçadinhas para o fã da F1: a galera ali do fundo se estapeia por cada pontinho, cada posição na tabela final.

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Isso não vem de hoje e é algo sistematicamente repetido nos últimos anos na F1. Lembra daquele GP do Brasil em 2016, quando a Sauber parecia comemorar um título com o nono lugar de Felipe Nasr? Pois é, aquilo foi porque o brasileiro colocou os suíços acima da Manor e garantiu cruciais milhões de dólares no caixa de um time que estava prestes a fechar as portas. A Manor fechou, inclusive.

Alguém aí com saudades da Manor? (Foto: Reprodução)

Por mais que a F1 não costume detalhar os pagamentos aos times, os recém-lançados balancetes financeiros de Alpine e Aston Martin explicam bem o que queremos dizer: os franceses, que ficaram em quarto em 2022, tiveram lucro de R$ 160 milhões no ano passado, enquanto os ingleses levaram um prejuízo de R$ 325 milhões após o sétimo lugar.

Sejamos honestos aqui com o leitor: a briga de 2023 não é de vida ou morte para nenhuma das três envolvidas, ainda que tenha um peso especial para algumas delas. Sem mais delongas, o GRANDE PRÊMIO tenta analisar a briga de foice no escuro entre Haas, Alfa Romeo e AlphaTauri.

Nico Hülkenberg faz um belo trabalho com a Haas (Foto: Haas F1 Team)

Haas joga em vantagem

Dos seis pilotos titulares das três equipes de fundo do grid, quem faz um 2023 melhor é Nico Hülkenberg, da Haas. O alemão é a arma principal dos americanos na briga do fundo do pelotão e se classifica na frente dos rivais diretos quase sempre aos sábados.

No entanto, o time dirigido por Guenther Steiner é, do grid inteiro, o que mais sofre com consumo de pneus. É tipo o problema que tem a Ferrari, mas elevado ao quadrado. E isso tem matado uma série de oportunidades promissoras para a Haas, com excesso de pit-stops, muitas voltas poupando equipamento e coisas do tipo.

Kevin Magnussen melhorou nas últimas corridas e já começa a ajudar um pouco mais Hülkenberg. O dinamarquês, no entanto, aparece só com 3 pontos, 6 a menos que o companheiro alemão. A Haas pode não estar à beira da falência como esteve em 2022, mas certamente não vai abrir mão de uns milhões a mais, afinal, não tem nenhum patrocínio gigante ou piloto exatamente pagante. Nem pensar em pegar uma lanterna, por exemplo.

Guanyu Zhou faz um ano extremamente morno (Foto: AFP)

Alfa Romeo briga pelo futuro da Audi

Equipe mais morna do pelotão, a Alfa Romeo vai deixar de ter equipe própria e repassar o controle das ações para a Sauber em 2024, enquanto a Audi não chega. Isso tudo já torna o cenário bastante esquisito, mas não tem o que fazer.

A equipe ítalo-suíça, que resolveu manter Valtteri Bottas e Guanyu Zhou para a próxima temporada, não consegue emplacar boas atualizações e sofre com uma regularidade dura de seus pilotos: não adianta ter consistência fora dos pontos.

Com 1 ponto nas últimas oito corridas, a situação começa a ficar complicada, afinal, de onde a Alfa Sauber vai arrumar seus pontos para passar a Haas? Seria bom o time ter um fluxo de caixa mais tranquilo para a chegada da Audi não acontecer de forma traumática.

Lawson causou ótima impressão, mas não fica para 2024 na AlphaTauri (Foto: Red Bull Content Pool)

AlphaTauri quer deixar lanterna com ‘filosofia Red Bull’

Por mais que garanta que não vai copiar a Red Bull, a AlphaTauri começa a se inspirar na prima rica por algumas soluções. Demorou, mas é a decisão mais sensata possível de um time que tem um carro inexplicavelmente ruim para o tamanho do investimento da marca.

A AlphaTauri é, das três, certamente quem menos precisa da grana, mas ficar em último pode ser um golpe pesado até para a continuidade do projeto. Afinal de contas, a Red Bull põe dinheiro ali porque quer quatro carros competitivos, quer uma equipe que forneça talentos para o ‘time A’. Não tem rolado nada disso.

Liam Lawson é o grande destaque da AlphaTauri em 2023, mas incrivelmente deve deixar o grid depois do GP do Catar, quando Daniel Ricciardo tem previsão de retorno da lesão. E o veterano australiano e Yuki Tsunoda são as apostas da equipe para 2024.

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