Verstappen sofre com potência da Mercedes em SP. E largada ganha ares de decisão

Depois de uma sexta-feira que só acabou de fato na tarde do sábado com investigações, Max Verstappen sentiu na pele a força do motor Mercedes nas retas de Interlagos. Com isso, atrás de Valtteri Bottas no grid do GP de São Paulo, o holandês vai precisar de ótima largada para não apenas passar o finlandês, mas também evitar sufoco com um Lewis Hamilton que partirá faminto do meio do pelotão

Longe do sábado (13) ter sido trágico para Max Verstappen, especialmente pelo que a sexta-feira desenhou, mas largar em primeiro e terminar em segundo, atrás de uma Mercedes, nunca é a melhor coisa do mundo. Em Interlagos, no dia da sprint race, Max viveu uma montanha-russa de emoções. E acabou mais para baixo do que para cima, especialmente pelo que aconteceu com a Mercedes.

Para entender a dinâmica complexa do dia do líder do campeonato, é preciso voltar ao que aconteceu na sexta-feira. É que Verstappen viu Lewis Hamilton o atropelar na classificação, colocando mais de 0s4 de vantagem na ‘pole’ para a sprint race. Só que tudo mudou quando as investigações começaram: primeiro, Hamilton, por estar com uma asa traseira ilegal. Depois, Max, que encostou no carro do rival no período de parque fechado.

Em pouco tempo, o holandês ia de segundo, longe do primeiro, para virtual ‘pole’ e, na sequência, possível desclassificado. Um sobe e desce danado de emoções. Mas veio o sábado e Verstappen só tomou uma multa, enquanto o grande rival na briga pelo campeonato perdeu a pole da sprint race e todas as outras posições, caindo para último.

Max Verstappen ficou atrás da Mercedes de Valtteri Bottas (Foto: Red Bull Content Pool)

Naquele momento, Max retomava um favoritismo que parecia ter evaporado com a dominância de Lewis na classificação. Basicamente, era bater Valtteri Bottas e correr para o abraço, no sábado e no domingo. Na largada de hoje, a montanha-russa partiu de novo para o ponto baixo.

Com problema no câmbio e os pneus errados, Verstappen ficou para trás logo na primeira curva, superado por Bottas e, depois, por um inspiradíssimo Carlos Sainz. O troco no espanhol não tardou, a diferença dos carros era notável, mas a ameaça real ao finlandês nunca aconteceu, mesmo com os pneus macios do oponente se deteriorando.

Isso deixa uma lição clara para Verstappen: domingo é dia de largar com maestria. Mais do que nunca, sair da primeira curva na frente será um fator, com uma Interlagos turbulenta para ultrapassagens e, principalmente, uma Mercedes que tem rugido ferozmente nas retas.

E é aí que está o grande ponto. Não é apenas com Bottas que Verstappen deve se preocupar, mas também com Hamilton, por incrível que pareça. É que o inglês enfileirou 15 carros em 24 voltas no sábado e, no domingo, não sai mais de 20º, mas de décimo. Sim, Lewis voltou a ser uma ameaça, mesmo largando tão longe.

VALTTERI BOTTAS; MAX VERSTAPPEN; GP DE SÃO PAULO; F1;
Valtteri Bottas usou a força da Mercedes e segurou Max Verstappen e venceu a corrida sprint em SP (Foto: Wolfgang Wilhelm/Mercedes)

Ou seja, além de arrumar a própria vida tirando Valtteri da frente, Max também evitaria que o finlandês o segurasse a ponto de Hamilton colar em algum momento da corrida. Por isso, tão decisiva a largada será na dinâmica da prova. Afinal, caso supere Bottas logo de cara, é improvável que qualquer um encoste no holandês ao longo das 71 voltas do domingo.

Nas declarações, um Verstappen resignado com o segundo lugar na sprint race e admitindo: não está fácil ultrapassar um carro que tenha desempenho parecido na pista brasileira.

“A largada em si não foi das melhores, estávamos com compostos mais duros [do que Bottas]. Então, isso também foi um fator, não foi das mais fáceis. O ritmo era bastante bom, mas aqui em Interlagos, quando você se aproxima muito, fica difícil de ultrapassar”, disse.

Max também explicou que a Mercedes tem falado mais alto nas retas. Assim, sair da Junção mais equilibrado é fundamental para ter qualquer chance de aplicar a manobra.

“Eles [Mercedes] são rápidos nas retas. Então você realmente precisa de uma boa última curva para poder fazer a ultrapassagem. Hoje não foi possível, mas tentaremos novamente amanhã”, comentou.

Max Verstappen conseguiu passar a Ferrari, mas não a Mercedes na sprint race (Foto: Red Bull Content Pool)

Mas, como não podia deixar de ser em um fim de semana assim, Verstappen não se ateve aos acontecimentos da sprint race. Irônico ao comentar que a FIA vai ter um “bom jantar, com um bom vinho” com os R$ 312 mil de multa que pagou, o holandês fez questão de deixar de novo no ar que há uma irregularidade nas asas traseiras da rival. Não apenas a identificada e que desclassificou Hamilton na sexta-feira.

“Claro que existiram conversas, e claro que ainda existem coisas que precisam ser observadas — porque a certa velocidade, parece que as asas estão flexionando”, disse Max. “Mas parece que algo ainda está rolando lá [na asa traseira da Mercedes]. Então foi por isso que eu fui dar uma olhada”, completou.

Viajando na montanha-russa na esfera desportiva em Interlagos, o holandês também faz o mesmo nas declarações. Após a fase mais paz e amor e foco total na disputa pelo título com pés no chão, a versão mais ácida do piloto do #33 voltou. Resta saber, agora, qual Max veremos no domingo. A tendência é que seja um misto dos dois no comportamento e um cara mais agressivo do que hoje na largada. Se isso, de fato, acontecer, o título deve ficar encaminhado.

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