McLaren toma papel de favorita, mas ainda precisa de domingo perfeito na Hungria
A McLaren fechou a primeira fila do grid na Hungria e agora não pode escapar do papel de favorita. No entanto, as atrapalhadas decisões estratégicas das últimas corridas também colocam a equipe inglesa em uma posição de pressão em Budapeste. Será preciso uma atuação impecável para enfim voltar a vencer. Ainda mais com um irado Max Verstappen há poucos metros de distância
A McLaren larga favorita neste domingo na Hungria e não há como negar tal fato. O carro laranja manda no clássico traçado de Budapeste, e a prova maior é a primeira fila do grid. Lando Norris acertou todos os trechos da pista em sua penúltima tentativa de volta rápida, antes do acidente de Yuki Tsunoda no Q3, para cravar a segunda pole na temporada 2024 e apenas a terceira da carreira. As margens foram ridículas, uma vez que Oscar Piastri ficou a somente 0s022 do colega de garagem. Portanto, o contundente desempenho comprova a condição dos ingleses, mas para que a conquista se torne definitiva será preciso um pouco mais. A esquadra de Andrea Stella terá de ser perfeita.
Essa sensação é corroborada pelo simples fato de que Max Verstappen parte da terceira posição, depois de perder a chance de cravar a posição de honra por meros 0s046. De novo, há um enorme equilíbrio técnico entre as duas rivais. Só que, desta vez, a McLaren parece mais à vontade que a Red Bull. Porque é bem verdade que os trechos de baixa e média velocidade do circuito húngaro são mais ao gosto do MCL38, mas também é igualmente certo dizer que o conjunto britânico tem potencialmente mais força. A primeira fila do grid entrega aos ingleses a chance de comandar a narrativa, escolhendo bem o ritmo e a estratégia, uma vez que as ultrapassagens são mais complexas no estreito Hungaroring.
“Uma ótima classificação para a equipe e para a fábrica, uma prova de como nossos esforços constantes e nossa resiliência apareceram na temporada. Ter os dois pilotos na primeira fila diz muito também sobre nossa dupla de pilotos e sobre o ritmo do carro, então, todo mundo na equipe pode ficar orgulhoso”, celebrou o chefe Stella, que viu seus comandados quebrarem um jejum de quase 12 anos — a última vez que a McLaren tomou a linha de honra do grid foi no GP do Brasil de 2012, quando Lewis Hamilton cravou a pole e Jenson Button garantiu a segunda posição.
“Viramos agora a atenção para a corrida, em que realmente o resultado importa. Estamos na melhor posição possível de largada, mas são vários fatores que estão ou não sob nosso controle e que teremos de enfrentar amanhã. Precisamos estar prontos”, completou o italiano.
Como dito antes, certamente um desses fatores é Verstappen. O neerlandês se mostrou irritado com a perda da pole. O soco no volante do carro ao fim da volta derradeira não foi à toa. O tricampeão sabe que terá trabalho no domingo, nada que o assuste, claro, e não deixa de ser interessante perceber que, mesmo amplamente líder do campeonato, Max não abre mão de nada. De toda forma, ele é a grande arma dos taurinos, mesmo diante das atualizações do RB20.
“Ficamos atrasados durante todo o fim de semana. Tentei chegar o mais próximo possível [da pole], mas não o suficiente. Simplesmente não conseguimos identificar o porquê disso. O terceiro lugar ainda está muito próximo, só tenho de torcer para que o carro seja bom na corrida”, disse Verstappen.
“Adoro competir, mas gostaria de estar na frente, no momento sinto que estamos correndo atrás, mas não desisto da luta. Amanhã deve ser um dia diferente, sem chuva e só espero que isso nos ajude”, emendou o dono do carro #1, fazendo referência a um aspecto também curioso: a queda de temperatura em Budapeste, causada pela intempérie, parece ser um ponto fraco do conjunto austríaco.
Inclusive, o consultor Helmut Marko explorou mais o assunto no fim do sábado na Hungria. “O carro não estava perfeitamente equilibrado. É verdade que 0s046 é uma margem muito pequena, mas no fim das contas Max ainda é terceiro. Um fator decisivo foi a temperatura que caiu drasticamente, talvez o acerto não tenha respondido bem às essas condições”, explicou o austríaco.
A Red Bull apostou alto do pacote de novidades, para tentar frear o avanço da McLaren. É fato que o carro revisado representa um passo à frente, mas talvez ainda não tão decisivo como se esperava. Apesar disso, há um elemento que não pode ser descartado: o ritmo de corrida. Menos de 0s1 separa o desempenho de Verstappen e da McLaren. No treino livre 3 deste sábado, a equipe de Christian Horner decidiu conduzir uma simulação de corrida com Max, e os números impressionaram em cima dos pneus duros. O ensaio de Norris, com os mesmo compostos na sexta-feira, também foi bastante sólido.
Quer dizer, até em termos estratégicos, o cenário é parelho. Isso porque o GP da Hungria tem como tática principal dois pit-stops, na combinação de pneus médios e duros. “No papel, a opção mais rápida é começar com o médio antes de mudar para os duros. Claramente, o número de jogos disponíveis desses dois compostos mais duros determinará as decisões das equipes. Sobre esse tópico, há três equipes — Red Bull, McLaren e Ferrari — cujos pilotos têm apenas um conjunto de novos duros e dois de novos médios, enquanto uma, a Aston Martin, tem um conjunto de novos médios e um de novos duros. Todas as outras equipes têm pelo menos dois conjuntos de duros e um de médios”, revelou Mario Isola, chefão da Pirelli, a fornecedora única da F1.
“Outro fator muito importante a ser considerado será o retorno de condições mais quentes neste domingo, com a pista prevista para ultrapassar a marca dos 50 °C por uma margem considerável”, completou o italiano.
Dentro desse aspecto, McLaren e Red Bull começam a etapa em Budapeste em pé de igualdade. A largada será fundamental para os laranjas, pois os coloca em vantagem tática. Mas se Verstappen pular à frente, será um novo teste para a equipe inglesa, que ainda sofre com as decisões malsucedidas das últimas corridas. Mas é a oportunidade que se abre para voltar a vencer e provar que pode ser grande.
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