Mercedes busca respostas e Red Bull segue forte em segundo dia de testes mais normal

A Mercedes acabou o sábado de testes na frente, mas precisou de pneus mais macios para entregar um ar de normalidade à F1. Só que essa é uma liderança que traz mais desconfianças do que certeza. Por outro lado, a rival dos alemães, a Red Bull, segue muito consistente

Hamilton atolado na brita, Alonso de volta e Bottas na frente: assista o dia 2 no Bahrein

A Fórmula 1 ganhou um ar de normalidade neste sábado (13). O segundo dia de testes no Bahrein não teve tempestade de areia ou um calor intenso. Pelo contrário, as atividades aconteceram com a pista mais limpa, apesar dos fortes ventos, e sob temperaturas mais amenas. Assim, em um olhar mais superficial, não é nenhuma surpresa notar a Mercedes de Valtteri Bottas ali na ponta da tabela. É bem verdade a sexta-feira foi de problemas para os alemães, mas hoje a equipe se recuperou com a liderança. Mas tal qual um ‘Paredão falso’, o melhor tempo do finlandês guarda mistérios e informações bem contraditórias.

A começar pela manhã de trabalhos. Lewis Hamilton foi o responsável por levar o W12 à pista. O inglês ainda briga com a modificada traseira do carro preto. A Mercedes talvez tenha sido a equipe que mais mexeu no assoalho e em tudo que podia na parte de trás, incluindo a caixa de câmbio, para conseguir anular a redução do downforce. A esquadra procura a pressão aerodinâmica, mas o campeão ainda encontra dificuldades. A rodada durante o período matutina é uma prova, embora tenha sido ajudada pelas severas rajadas de vento.

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“A traseira do carro não parece boa com essas mudanças. Mas seguimos tentando achar o ponto certo”, disse o britânico antes de Bottas assumir o carro. Curioso observar a mesma percepção do finlandês: “Certamente estava com mais vento aqui do que costumamos ter em corridas, mas uma das maiores questões do carro é a traseira. Ainda está escorregando e não perdoa erros. Com esses novos pneus, tudo é bem sensível, então precisamos acalmar o carro.”

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Valtteri Bottas, o mais rápido do dia. (Foto: Mercedes)

O que se nota é que a equipe chefiada por Toto Wolff está à procura de respostas, porque ainda tenta entender suas soluções dentro de um regulamento que teve apenas mudanças pontuais, mas traiçoeiras. Portanto, não é de se espantar com o “começo horrível” definido pelo dirigente austríaco.

Na parte da tarde, o time conseguiu obter mais quilometragem e trabalhar as mudanças, em um programa mais tradicional. Vale destacar que o ritmo de corrida segue muito forte. Só que ficou nítido que, para liderar, era preciso um pouco mais. Então, no fim do dia, quando a F1 se deparou com um pequeno ensaio de classificação, a Mercedes calçou Bottas com os compostos mais macios da gama da Pirelli. E foi aí que o nórdico cravou a volta mais rápida do dia.

Acontece que o tempo foi pouco menos de 0s2 do obtido por Pierre Gasly e a bem acertada AlphaTauri. Quer dizer, ainda que o trabalho de desenvolvimento seja o ponto mais forte dessa equipe, há algumas questões em aberto. E a quebra do câmbio no Aston Martin, parceira dos alemães, é uma delas – afinal, é o segundo defeito do componente. A confiabilidade está devendo, e isso é um problemão para os heptacampeões. De fato, acendeu uma luz amarela nas garagens.

Sergio Pérez fechou o dia na oitava posição (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Mas se a Mercedes precisa de mais tempo, a Red Bull parece cada vez mais pronta para a temporada 2021. Os austríacos vêm conduzindo os testes de forma mais sólida e consistente, procurando entender seus novos elementos um passo de cada vez. Neste momento, o que mais chama atenção no conjunto RB16B-Honda é a confiabilidade.

Como Max Verstappen, Sergio Pérez também foi capaz de andar muito neste sábado e comprovar o ritmo sólido do holandês. O mexicano andou por 117 voltas, simulou a distância de um GP, incluindo procedimentos de pit-stop e estratégia. A esquadra trabalhou com diferentes tipos de pneus. Ou seja, cumpriu um grande programa de testes, com tempos bem consistentes. A Red Bull não quis entrar na performance de classificação ainda, isso deve ficar para esse domingo e será interessante acompanhar o desempenho com os compostos mais macios e o carro sem tanta carga.

O que se pode dizer é que taurinos estão em uma evolução mais constante. Importante dizer também que o fundo do carro usado por Pérez era diferente daquele utilizado por Verstappen. Os engenheiros decidiram testar novas soluções para aprimorar os fluxos na parte traseira do modelo. E parece que deu certo. A única ressalva do dia foi o incidente com a tampa do motor, que não deve ter maiores consequências.

Neste domingo, a F1 realiza o último dia de testes da pré-temporada no Bahrein, que também sedia a primeira etapa do Mundial em 28 de março.

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