Mônaco, 25 de maio de 2014: o dia em que Bianchi foi a estrela da F1

O GP de Mônaco de 2014 ficou marcado não só pela discussão entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg, mas também pelos primeiros pontos de Jules Bianchi no Mundial de F1. Os únicos marcados por ele e pela equipe Marussia

Poucas vezes um nono lugar foi tão marcante na F1 quanto no GP de Mônaco de 2014. Jules Bianchi, com a modestíssima Marussia, marcou os dois únicos pontos de sua vida e da passagem da equipe pela categoria.

O promissor francês se classificou em 19º, mas largou apenas em 21º após ser punido por troca de câmbio. Na prática, aquela era a última posição, já que Marcus Ericsson sequer partiu para a sexta etapa do campeonato. Antes mesmo da largada, no entanto, ele já ganhou um lugar, uma vez que Pastor Maldonado também ficou parado no grid.

De qualquer forma, Bianchi estava bem ligado naquele dia: completou a primeira volta em 16º. A partir dali, em um traçado difícil de ultrapassar e com um carro inferior, seria preciso se manter na corrida esperando eventuais abandonos.

Exatamente o que aconteceu.

Jules Bianchi somou os primeiros pontos da Marussia nesta domingo (Foto: Marussia)

O turbo da Red Bull de Sebastian Vettel quebrou na quinta volta e o tirou da prova; o escapamento de Daniil Kvyat pifou e o levou pelo mesmo caminho; Jean-Éric Vergne se retiraria com o mesmo problema; Adrian Sutil, que estava logo atrás, bateu na 24ª volta e provocou a intervenção do carro de segurança; o motor Mercedes de Valtteri Bottas quebrou; e, por fim, Esteban Gutiérrez bateu sozinho e também abandonou.

Assim, a 18 voltas do fim, Bianchi se viu em décimo lugar. O lado negativo: com cinco segundos de time-penalty por cumprir por uma ultrapassagem irregular durante o período de safety-car. A garantia do pódio veio com o acidente entre Kimi Räikkönen e Kevin Magnussen.

Bianchi cruzou a linha de chegada em sétimo, caindo para nono após o acréscimo de tempo. Motivo de muita festa, é claro.

"Estávamos esperando por isso há muito tempo e agora conseguimos, estou orgulhoso demais da equipe. Eles fizeram um trabalho muito bom e estou muito feliz por lhes dar o resultado", afirmou Bianchi após a corrida. "Foi bem estressante para mim dentro do carro, e imagino que tenha sido para a equipe também, pois tivemos uma punição, então eu tive sorte. Não posso dizer mais nada, é incrível."

 

A Marussia, que entrou na F1 em 2010 como Virgin, e que virou Manor outra vez em 2015, tem até hoje 63 GPs. Os dois pontos de Bianchi foram os únicos, e imprescindíveis para a sobrevivência do time nos últimos meses e a manutenção de centenas de empregos.

Jules Bianchi (Foto: Marussia)

O nono lugar no Mundial de Construtores, à frente da Sauber e da Caterham, rendeu R$ 111 milhões para a Marussia. Depois de entrar em administração judicial em novembro de 2014 e só sair em fevereiro, o time sabe que continua operando graças ao esforço do francês.

“Voltar lá vai nos lembrar de muitos bons momentos de um companheiro de equipe que está atualmente no hospital”, afirmou John Booth, chefe do time na semana do GP de Mônaco. “Haverão alguns momentos pessoais difíceis para todos no time, primeiramente por causa do Jules, claro, mas também porque foi um fim de semana de corrida memorável por conta do que conquistamos no final. Obviamente, o resultado do ano passado foi ótimo para o nosso time e foi realmente um esforço de todo o time. Mas todo esporte tem seus heróis, e no nosso esporte os pilotos são os heróis, e Jules fez uma corrida realmente ótima naquele dia”, elogiou.

Quando Romain Grosjean retornou ao Principado para o GP deste ano, também mencionou o feito de Bianchi em 2014. “Quando eu passei pela linha de chegada, pensei muito no Jules. Na última vez que marquei pontos, ele estava marcando pontos também. Eu acho que se eu puder lhe passar um pouco da energia e um algo a mais para a luta em que ele está… Eu acredito que, se você nunca desiste, as coisas dão certo”, declarou.

Piloto da Academia da Ferrari, Bianchi era tido como provável piloto do time italiano no futuro.

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