Monza repete história de Spa e mostra Ferrari mais forte e Mercedes ainda atrás

A sexta-feira em Monza foi encurtada e dificultou o trabalho das equipes no que diz respeito às análises de desempenho e estratégia. Ainda assim, é possível de dizer que o roteiro apresentado na semana passada, em Spa-Francorchamps, parece que vai se repetir em Monza. Ou seja, a Ferrari se mostra melhor de novo e favorita

O primeiro dia de treinos livres do GP da Itália foi prejudicado pela chuva e por um acidente feio, mas que não trouxe consequências para o piloto, felizmente. E uma vez mais, mostrou que o cockpit da F1, com o halo instalado, é realmente seguro e que o caminho adotado pela categoria é acertado.  Acontece que o clima pela manhã, frio e chuvoso, limitou muito o trabalho das equipes. A pista molhada de Monza na primeira sessão acabou mascarando a ordem de forças e impedindo a coleta de dados – a atividade serviu mesmo para destacar o talento dos coadjuvantes, como Brendo Hartley, que chegou a liderar, Esteban Ocon e Sergio Pérez, que ficou com o melhor tempo antes do almoço em Monza. Já à tarde, com o clima mais ameno e sem chuva, os pilotos não se enrolaram para ir à pista, mas logo nos primeiros minutos a bandeira vermelha foi necessária: um defeito do sistema hidráulico ocasionou uma falha da asa traseira da Sauber de Marcus Ericsson, o que jogou o piloto na parede no momento da freada no fim da grande reta dos boxes. O acidente foi espetacular, uma vez que o sueco levantou voo e capotou três vezes. Nada lhe aconteceu, mas a demora em limpar o local resultou também em uma redução do tempo de pista dos pilotos. Então, assim que a bandeira verde foi acionada, todo mundo começou a avaliar os pneus supermacios, macios e médios da Pirelli. Neste cenário, uma vez mais, a Ferrari surgiu com força.
 
Seguindo quase que à risca o roteiro da semana passada, em Spa-Francorchamps, os carros vermelhos voaram pelo rápido circuito italiano. Sebastian Vettel fechou o dia como o mais veloz, mas, novamente, se mostrou consistente em ritmo de corrida. A única diferença é que o time de Maurizio Arrivabene usou bem mais os supermacios – pensando, claro, no domingo e também na tática de uma parada que deve ser usada pela maioria. Isso com Vettel. De forma inteligente, a esquadra dividiu os trabalhos: enquanto o tetracampeão se preparou para o início da corrida, digamos assim, Kimi Räikkönen se dedicou à performance para a segunda metade da prova. Ou seja, o nórdico guiou mais com os pneus macios – e andou melhor que a Mercedes, que seguiu seu programa de testar ambos os compostos. 
Sebastian Vettel (Foto: AFP)

Ainda que Monza e Spa tenham como característica a alta velocidade, os dois traçados também são distintos na medida em que, na Itália, as retas predominam, ao passo que, no circuito belga, as longas e velozes curvas dão o tom. E isso poderia representar uma vantagem para a Mercedes, mas não. A Ferrari segue muito melhor, mesmo em uma pista tão extrema como Monza, o que apenas comprova o grande trabalho de evolução que vem sendo feito em Maranello.

 
Em média, Vettel andou dois décimos melhor que Lewis Hamilton em simulação de corrida, usando os supermacios (os pneus vermelhos e mais velozes). A diferença de desempenho é muito parecida com a de Spa, inclusive. Portanto, a Mercedes perde ainda em performance. E isso ficou claro em uma emblemática declaração do inglês após as atividades desta sexta-feira: "Durante a tarde, nós completamos muitas voltas com pista seca e foi possível notar que, como em Spa, nós ainda temos uma pequena diferença para a Ferrari, e isso tanto em ritmo de classificação como em corrida. As minhas voltas foram muito boas, mas eles estão um pouco mais velozes. Nós estamos trabalhando a todo vapor em todas as áreas e espero que possamos conseguir alguma coisa até a classificação."
 
"Tem sido uma grande batalha neste ano, e eles conseguiram realmente uma vantagem desde a metade do verão (na Europa), mas estamos tentando de tudo para reduzir isso", completou o tetracampeão.
 
As palavras de Lewis foram acordadas por seu parceiro de garagem, o que diz muito sobre a atual fase da outrora poderosa Mercedes. "Como esperávamos, a Ferrari parece mesmo mais rápida com pista seca. Não será fácil para nós e ainda temos coisas para melhorar até a classificação. Agora, comparando com Spa, o carro parece melhor nas curvas de baixa velocidade, o que é um bom passo na direção certa. A previsão do tempo ainda é inclusiva para amanhã, então temos de estar preparados", afirmou Valtteri Bottas, quarto colocado, quase 0s7 atrás de Vettel.
Lewis Hamilton (Foto: Mercedes)
O finlandês tocou no ponto onde mora a esperança da Mercedes. Se o roteiro parece se repetir em favor da Ferrari, a chuva pode novamente ajudar o ‘amigo’ Hamilton. De fato, há uma expectativa de precipitação para este sábado, mas a chance, por enquanto, é pequena. Mesmo assim, se chover, aí o cenário muda e o roteiro, onde Lewis celebra, se torna mais real. 
 
A verdade é que os vermelhos saem em vantagem neste momento, ainda que a diferença pareça um pouco menor do que aconteceu há uma semana. Então, a batalha pela vitória deve ficar mesmo restrita entre as duas ponteiras. A Red Bull, terceira força do campeonato, vem cada vez mais longe. A dupla, Max Verstappen e Daniel Ricciardo, apareceram atrás dos carros de Ferrari e Mercedes e distantes. Embora satisfeito com o desempenho, o jovem holandês já deixa a equipe austríaca fora de qualquer luta pela primeira fila. Quer dizer, um repeteco da semana passada é altamente provável, mas os dados ainda estão rolando. Hoje, Vettel e Hamilton cometeram seus erros, o que mostra que não são infalíveis. 
 
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