Na Garagem: Lauda finalmente vencia em casa e abria vantagem sobre Prost em 1984

Niki Lauda se livrava da seca de vitórias na Áustria e abria ótima vantagem para Alain Prost na classificação da temporada 1984 da F1. O austríaco conseguiu seu primeiro triunfo em casa com a McLaren

O dia 19 de agosto de 1984 marcava no calendário daquela temporada o GP da Áustria. Uma corrida especial por ser o 400º GP desde a primeira prova da categoria em 13 de maio de 1950. Naquele ano, as McLaren de fibra de carbono engoliram a concorrência, fazendo a disputa ficar polarizada entre o francês Alain Prost, recém-chegado ao time de Ron Dennis, e Niki Lauda, veterano de 14 temporadas na F1.
 
Prost vinha numa trajetória ascendente: quinto no Mundial em 1981, quarto em 1982 e vice-campeão em 1983, perdendo o caneco na última corrida em Kyalami para Nelson Piquet e sua Brabham. Os ótimos resultados nesses três anos de Renault chamaram a atenção da equipe inglesa. Prost substituiu o inglês John Watson no cockpit branco e vermelho da McLaren.
 
Já o austríaco tentava retomar a carreira vitoriosa dos anos 1970. Entre 1974 e 1978, com a Ferrari e a Brabham, Lauda sempre esteve entre os quatro primeiros. Mas o fraco desempenho da Brabham em 1979 o fez abandonar a carreira para se dedicar aos negócios – entre eles uma empresa aérea. Lauda voltou às pistas em 1982 pela McLaren e, nas duas primeiras temporadas de seu retorno, pouco fez, ficando bem longe do desempenho dos tempos de Ferrari.
 
Havia outro motivo pelo qual esse GP era especial para Lauda. Em 13 temporadas na categoria, ele jamais havia vencido em casa. O melhor resultado havia sido o segundo lugar em 1977, sua melhor temporada até então. Em três ocasiões, ele acabou nos pontos. Em 1976, ainda por conta do grave acidente em Nurburgring, 14 dias antes, ele ficou fora da prova. Outras quatro participações resultaram em abandonos.
 
A corrida em Zeltweg marcava o início do terço final do campeonato. Quando a F1 chegou à Áustria, a tabela marcava 43,5 x 39 em favor de Prost. A pontuação quebrada tinha razão de ser: por conta de um temporal, a prova de Mônaco foi encerrada com 40% e Prost levou apenas metade dos pontos (a vitória valia nove pontos à época).
Niki Lauda vencia a primeira em casa em 1984 (Foto: Reprodução/Twitter)
Depois da corrida em San Marino, a quarta do ano, Prost chegou a abrir 24 x 9 na tabela. Apesar de três vitórias e dois outros pódios na primeira metade do campeonato, Prost não deslanchou na tabela por conta de três abandonos (Bélgica, Dallas e Inglaterra). Lauda teve seis abandonos nessas nove etapas, mas venceu na África do Sul, França e Inglaterra e, apesar da irregularidade, estava a apenas 10,5 pontos – pouco mais que uma vitória – atrás na tabela.
 
Assim, o título era um sonho possível para o veterano de 35 anos. Mas, para isso, ele precisava quebrar o tabu e vencer em casa. Piquet fez a pole, empurrado pelo motor BMW e pela boa fase – era o único piloto além da dupla da McLaren a ter vencido duas corridas no ano. Prost partiu em segundo. Na segunda fila estavam a Lotus de Elio de Angelis e Lauda, o dono da casa.
 
Prost pulou na ponta por ter largado melhor que Piquet. Lauda estava em terceiro e Senna, que largou em décimo, era quarto colocado com a surpreendente Toleman-Hart. No entanto, como de Angelis, da Lotus, ficou parado no grid, a corrida teve bandeira vermelha, a largada foi cancelada e um novo procedimento de partida foi iniciado.
Ninguém conseguiu segurar Lauda na Áustria em 1984 (Foto: Reprodução/Twitter)
Na segunda largada, Piquet novamente largou mal, mas retomou a liderança de Prost na Hella-Lucht-Kurve ainda na primeira volta. As duas Renault, com Patrick Tambay e Derek Warwick estavam em terceiro e quarto. Em quinto, vinha de Angelis, dessa vez sem problemas para largar. Lauda largou muito mal e estava em nono.
 
Lauda iniciou uma corrida de recuperação: em apenas oito voltas ele ganhou seis posições e, depois de passar as duas Renault, estava de volta ao terceiro lugar. Essa ordem entre os ponteiros se manteve até a volta 29, pouco depois da metade da prova. O motor de Elio de Angelis explodiu, deixando óleo na Rindt-Kurve, a última antes da reta de chegada. Na volta seguinte, Prost passou por cima do óleo deixado pelo italiano e rodou, também deixando a corrida.
 
Era a deixa que Lauda precisava: aos poucos, o austríaco foi tirando a vantagem de Piquet e, na volta 40, ultrapassou o brasileiro da Brabham quando ambos davam uma volta no retardatário Michelle Alboreto, da Ferrari. Mas a vitória de Lauda não viria fácil: com problemas na caixa de câmbio, ele viu o brasileiro recuperar a ponta.
 
No entanto, a sorte iria finalmente sorrir em casa para Lauda: Piquet tinha problemas nos pneus e o austríaco conseguia, assim, retomar a dianteira. Para o brasileiro, era uma questão de sobreviver e apenas levar o carro até o fim. Lauda finalmente vencia em casa. Além da conquista do GP de número 400 da F1, um aspecto importante na luta pelo título: era a primeira vez que o austríaco liderava a tabela do campeonato em 1984.
 
Dali em diante, Prost nunca mais liderou o campeonato. O francês ainda venceu as provas da Holanda, Europa e Portugal, mas, com a vitória na Itália e dois segundos lugares na Holanda e Portugal, Lauda controlou a diferença e venceu por apenas meio ponto. Foi o final de campeonato mais apertado da história da F1.

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