Na Garagem: Räikkönen inicia arrancada para título com vitória na Bélgica

A vitória no GP da Bélgica de 2007 fez com que uma incrível arrancada de Kimi Räikkönen tivesse início. O finlandês emendou grandes resultados e conquistou seu primeiro título na F1

O ano de 2007 foi marcado pela ida de Fernando Alonso para a McLaren e a estreia de Lewis Hamilton na categoria, também pelo time de Ron Dennis. A temporada foi polarizada entre a equipe prateada e a Ferrari. Kimi Räikkönen venceu na Austrália, na abertura, e depois ficou seis corridas sem ganhar.
 
Nesse período, Alonso venceu na Malásia e em Mônaco, Felipe Massa emendou duas seguidas no Bahrein e na Espanha e a F1 viu Hamilton ser um novo vencedor – o novato venceu na perna norte-americana do ano, emendando duas conquistas no Canadá e nos EUA.
Kimi em um momento de rara felicidade na F1 (Foto: Ferrari)
Parecia que teríamos uma temporada equilibrada: após a prova do Bahrein, havia um triplo empate em 22 pontos: Alonso, Kimi e Lewis. Mas, no intervalo entre Mônaco e Itália, a McLaren ganhou seis das nove corridas. Três com Alonso e três com Hamilton. Räikkönen só voltou a ouvir o hino finlandês nas etapas da França e da Inglaterra. Massa teve uma esparsa conquista na Turquia.
 
Tudo indicava uma disputa entre Alonso e Hamilton. O campeão seria o veterano tirado da Renault a peso de ouro ou o menino-prodígio “adotado” por Dennis desde os 14 anos e preparado para ser o novo ídolo inglês da F1? Mesmo sem vencer, Hamilton liderava o campeonato após o GP da Espanha e Alonso sofria para superar seu companheiro de equipe nos treinos e corridas.
Kimi Räikkönen no topo do pódio em Spa-Francorchamps ao lado de Massa e Alonso (Foto: Ferrari)
Após o GP dos EUA, a sétima prova do ano, Hamilton tinha 58 pontos, dez a mais que Alonso. Massa vinha em terceiro com 39 e Kimi tinha parcos 32 pontos. Alonso reclamou que Hamilton não abriu a porta para ele, mesmo sabendo que o espanhol tinha menos gasolina no tanque – conforme o combinado entre eles. A McLaren poderia ser campeã e, mais do que isso, percebeu que poderia ganhar o título com o inglês. Esse foi o estopim para uma das mais espetaculares rivalidades da história da F1.
 
Aquele foi apenas o primeiro de três atos de uma guerra que se estendeu até Interlagos, três meses mais tarde. Alonso deu o troco em Hamilton na Hungria, atrapalhando o rival no treino e escancarando ao mundo uma disputa que estava intramuros. Na Bélgica, o último e mais perigoso entrevero entre os dois pilotos da McLaren. Na primeira volta do GP belga, Hamilton, em quarto, tentou passar Alonso por fora na Eau Rouge. A F1 prendeu a respiração ao ver os dois entrarem lado a lado numa descida a mais de 300km/h.
Kimi Räikkönen arranca para vitória em Spa. Resultado seria fundamental para título improvável (Foto: Ferrari)
Foi justamente em Spa-Francorchmps o início de uma das mais avassaladoras viradas – senão a maior – da história da F1. Quando a categoria chegou em terras belgas, a tabela apontava Hamilton com 92 pontos, Alonso com 89 e Kimi com 74. Mesmo se a Ferrari fizesse a dobradinha nas quatro provas restantes, o finlandês precisava de um tropeço das McLaren para ser campeão.
 
Durante os treinos, a Ferrari prevaleceu sobre a McLaren. O finlandês foi o único a andar abaixo de 1min46s e cravou a pole com o tempo de 1min45s994. Massa fechou o 1-2 ferrarista no grid com a marca de 1min46s001. Alonso ficou 0s080 atrás do brasileiro e foi o terceiro. Hamilton não conseguiu acompanhar os rivais e marcou 1min46s406. Ainda assim, o inglês ficou quase 1s à frente do restante do grid.
Ao lado de Massa, Räikkönen faz a festa com a Ferrari em Spa (Foto: Ferrari)
Räikkönen sustentou a ponta após a largada e se defendeu do ataque de Massa na curva La Source, ao fim da reta. Com as McLaren, a coisa ficou mais séria: Alonso “espalhou” a curva e obrigou Hamilton a usar a área de escape. Com a trajetória mais aberta, Hamilton ganhou velocidade e obrigou o espanhol a dividir a Eau Rouge com ele. Uma batida a 300km/h seria grave para ambos.
 
Kimi foi, aos poucos, abrindo vantagem para Massa e a Ferrari fez do brasileiro um escudo contra as McLaren. O finlandês ganhava 0s2 por volta e, ao parar nos boxes para seu primeiro pit-stop, já tinha 4s8 de vantagem para o brasileiro. Quando parou, Massa fez ajustes na aerodinâmica e andou mais rápido que Kimi: ao voltar da segunda parada, Massa estava apenas 1s5 atrás do parceiro de Ferrari.
Kimi vibra com uma grande vitória no GP da Bélgica de 2007 (Foto: Ferrari)
Mas, pensando no campeonato, a Ferrari pediu aos pilotos que conservassem suas posições e, assim, a equipe de Maranello conquistou a 14a vitória em Spa com Kimi. Alonso chegou 10s atrás de Massa. Hamilton, por sua vez, chegou em quarto – 9s3 atrás do espanhol. A tabela, então, apontava Lewis com 97 pontos; Alonso com 95 e Kimi com 84.
 
Com o Mundial de Construtores tornado inútil pela desclassificação da McLaren por conta da espionagem de segredos industriais da Ferrari, Alonso e Lewis estavam livres para esquecer ordens de equipe e duelar pelo título. Hamilton venceu no Japão e Alonso abandonou após bater o carro no dilúvio que se abateu sobre Fuji.
Kimi Räikkönen cruza a 'Eau Rouge' para vencer em Spa na temporada 2007 (Foto: Ferrari)
Já em Xangai, no GP da China, situação invertida entre as McLaren: Alonso foi segundo e Hamilton atolou na única caixa de brita da pista de forma bizarra na entrada dos boxes. Hamilton ficou com 107 pontos contra 103 de Alonso e 100 de Kimi.
 
Em Interlagos, uma corrida histórica: Hamilton errou ao tentar passar Alonso e caiu da quarta para a oitava posição na primeira volta. Logo em seguida, sofreu com uma falha no câmbio e caiu para 18o. Para ser campeão, ele precisava ser ao menos quinto colocado se Kimi vencesse. O inglês escalou o pelotão e acabou apenas em sétimo. Räikkönen só liderou o campeonato em dois momentos: ao fim da corrida em Melbourne e nas últimas 19 voltas em Interlagos. Foi campeão tirando 17 pontos em duas provas e após estar 26 pontos atrás na tabela nos EUA.

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