Nasr impressiona ao aproveitar chance em Interlagos e dá passo para ficar na F1 enquanto Gutiérrez atinge fundo do poço

Enquanto o maior rival na disputa numa vaga pela Sauber, Esteban Gutiérrez, viveu seu fundo do poço na F1 ao abandonar o GP do Brasil soltando cobras e lagartos para cima do chefe, Felipe Nasr viveu seu grande dia como piloto da F1. Pilotou com extrema habilidade numa Interlagos em situação caótica, marcou os primeiros dois pontos do ano e que podem salvar a Sauber. Com um mundo nas costas, Felipe mostrou brio ao aproveitar a única chance real

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O que Felipe Nasr fez no GP do Brasil do último domingo (13) foi salvar a temporada 2016 da Sauber e a sua própria. A atuação sem erros no Brasil foi não apenas a melhor de Nasr em 2016, mas a melhor dele na F1. Quando chegar o momento – e deve ser a qualquer instante – de alguém avaliar sua carreira na F1 para tomar uma decisão – seja uma equipe ou patrocinador – a corrida que vai aparecer como capa do portfólio é o GP do Brasil de 2016. Com uma pilotagem valente, Felipe resistiu ao caos que foi a prova em Interlagos e saiu de lá com o nono lugar e batalhas vencidas.

 
E, escute, Nasr sofreu uma grande quantidade de críticas durante o ano – inclusive deste jornalista e neste site. Não há desculpas a pedir ou palavras a retirar agora. Felipe fez uma temporada ruim, atrás de um medíocre Marcus Ericsson e num carro horroroso da Sauber. É preciso saber admitir isso. É preciso saber admitir que Nasr esteve em seu melhor nível para marcar pontos. E justamente num momento em que estava com as costas contra a parede pela situação complicada de permanecer na F1 e na corrida de casa, na frente de torcida e patrocinadores, num dia em que a chuva foi absolutamente implacável. 
 
"Foi como um sonho. Eu não conseguia esconder como estava feliz", falou Felipe após a corrida. Num dia em que Nasr não foi o restante final do resta 1. Ele ganhou posições na primeira largada, soube escolher a estratégia correta e ficou bem alto na zona de pontuação enquanto os pilotos de carros muito mais rápidos erravam na pista, eram traídos pela água e usavam de estratégia errada. No final, Daniel Ricciardo, Sebastian Vettel, Max Verstappen e Nico Hülkenberg conseguiram deixá-lo para trás. Não havia como evitar algumas coisas. Mas Nasr foi bravo, inclusive com sua briga do dia: manter Fernando Alonso atrás.

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O nono lugar do GP do Brasil pode não ser a melhor colocação de Nasr na F1, mas é mais representativo e fruto de mais impressionante pilotagem que o quinto posto com o qual estreou na F1 – e que seus defensores mais ferrenhos e mais desconectados da realidade usam como escudo incompreensível para 'provar' o quanto sua carreira curta tem sido impressionante. Se Nasr mostrou para alguém no grid, nos quase dois anos de F1, que pode ter uma carreira impressionante foi em Interlagos no último domingo.

Felipe Nasr em Interlagos (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Aproveitar a única chance real que tinha de pontuar foi ainda mais valioso porque é no ponto mais baixo do que neste momento parece seu maior rival por uma vaga na Sauber, Esteban Gutiérrez. O mexicano abandonou de novo, segue sem pontos por uma Haas que ele mesmo não atura e que não o suporta mais. Gutiérrez saiu xingando no rádio, descontou pessoalmente no chefe Guenther Steiner e sumiu na garagem causando um desconforto que, não tivesse tanta coisa mais importante acontecendo, seria colossal. No domingo mesmo, fotos capturaram uma reunião de Gutiérrez com a chefe da Sauber, Monisha Kaltenborn. 
 
O dinheiro do magnata das telecomunicações, Carlos Slim, para Esteban é infindável e a entrada dele na briga pela vaga de uma equipe que precisa de grana é de causar muita preocupação, especialmente para um piloto que se vê às voltas com a diminuição da participação de seu principal patrocinador. O Banco do Brasil talvez em nada mude seu ponto de vista e suas necessidades por causa deste resultado, mas Nasr deu um passo enorme para pescar outros parceiros e complementar o buraco do BB. 
Nasr apenas se permitiu emocionar quando saiu do carro. Antes, durante um final de semana em que foi bombardeado com perguntas sobre a permanência, fez questão de tomar o cuidado com as palavras e colocar o foco na corrida. Suas atenções estavam realmente no que faria na pista, na penúltima chance de desfazer um ano terrível e talvez na última oportunidade de impulsionar seu nome antes das decisões finais do grid. Os pontos tiraram uma tonelada dos ombros do brasiliense, isso estava evidente após a prova. 
Felipe Nasr atende a imprensa no Paddock de Interlagos (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

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Talvez a atitude ponderada tenha sido fruto dos conselhos dados por Felipe Massa, que disse para ficar calmo, trabalhar até o final e acreditar. Ou talvez, como ele mesmo disse, não estava preocupado com o futuro. Talvez o resultado não tenha influência, mas é difícil imaginar não tenha um impacto. Mesmo que Nasr não consiga ficar no grid, a corrida do caos no Brasil vai ser o ponto alto do portfólio técnico que Nasr vai apresentar nas negociações para voltar à F1 daqui um ano. Fora, vocês sabem, baldes imensos de dinheiros.

Manter Sebastian Vettel e Fernando Alonso atrás por algumas voltas, como Nasr falou, é bom para a foto. É brio. Por vezes parecia que faltava para Felipe.
 
Brio, inteligência. Com isso, sim, as fotos vão ficar cada vez melhores. Com isso, sim, Nasr pode ser um fator para o público brasileiro a longo prazo.
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