Mazepin agradece Haas por apoio “muito útil” após abuso: “Não me comportei como deveria”

Durante os cerca de 20 minutos de entrevista coletiva com determinados jornalistas, Nikita Mazepin foi, naturalmente, muito questionado sobre o abuso sexual que cometeu contra a modelo Andrea D’Ival no fim do ano passado. O russo tem o entendimento que errou: “Não me orgulho disso”

O VF-21, novo carro da Haas para a temporada 2021

O layout do novo carro da Haas para a temporada 2021 da Fórmula 1, o VF-21, reflete de forma cristalina o impacto financeiro que representou a chegada da família Mazepin. O bólido traz as cores da bandeira russa — branco, azul e vermelho — e também, em destaque, a marca de fertilizantes Uralkali, de Dmitry Mazepin, pai de Nikita Mazepin. Talvez por ser tão importante financeiramente, o piloto, recém-contratado, recebeu tanto apoio por parte da equipe norte-americana mesmo depois do caso de abuso sexual em que se envolveu no fim do ano passado. Nikita compartilhou um vídeo nas redes sociais em que ele próprio apalpa um dos seios da modelo Andrea D’Ival. O piloto apagou a postagem pouco depois, mas o caso ganhou grande repercussão pouco depois.

Mazepin foi perdoado pela equipe, que o confirmou como titular ao lado de Mick Schumacher nesta nova temporada. Mas o fato, apontado como “abominável” até mesmo pela Haas, não foi esquecido pelos jornalistas que estiveram na entrevista coletiva virtual, com 20 minutos de duração, que contou com a participação do piloto russo. O assunto principal, claro, foi o caso de abuso sexual.

O moscovita de 22 anos se pronunciou em seguida. “Assumo a responsabilidade pelas minhas ações, sou muito firme nisso. Em relação ao vídeo que foi para as redes sociais, posso dizer que estava nas minhas mãos o que foi postado”. O piloto, no entanto, se recusou a dizer se pediu ou não desculpas à modelo assediada.

Nikita Mazepin falou sobre o apoio que recebeu da Haas após o caso de abuso sexual em que se envolveu (Foto: Haas)

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“Acho que a questão da privacidade dela é muito importante neste caso. Não acho que seria correto trazer outras pessoas para essa ampla discussão na mídia. E é por isso que não vou fazer isso”, explicou.

E ainda que também não tenha falado em arrependimento, Mazepin assume que errou e ressaltou o aprendizado adquirido. “É muito claro sobre como eu reflito sobre as minhas ações. Não tenho orgulho disso. Não me comportei como deveria. A transição entre estar na Fórmula 1 e perceber o que conquistei foi muito curta e não me adaptei a isso como deveria”.

Novamente, assim como no fim do ano passado, Nikita atribuiu a necessidade de mudança de comportamento ao fato de, hoje, ser um piloto titular de uma equipe na Fórmula 1.

“Subir para a Fórmula 1 e ser um piloto de Fórmula 1 significam que, de repente, você vira um exemplo para muitos jovens que desejam chegar ao mesmo nível. Então, com isso, você tem de ter uma certa maneira de se comportar em relação a si mesmo. Mas era tarde demais para perceber isso, infelizmente. Em relação ao que aprendi, está bastante claro, em primeiro lugar, sobre o comportamento que você deve ter sobre si mesmo e sobre como você deve agir, dentro e fora das redes sociais”, disse.

Mazepin se mostrou grato à Haas por mantê-lo na equipe mesmo diante com a atitude do piloto. “Gostaria muito de agradecer à equipe porque ela me apoiou demais sobre como me ajudar a aprender com este incidente. O pessoal tem sido muito paciente em dedicar tempo e me ajudar a aprender mais sobre esse assunto e acho que, na minha fase de aprendizado sobre todo o incidente, estou muito além do que nunca. Então, isso é bastante útil”.

O competidor é ciente da reação negativa sempre que a Haas menciona seu nome nas redes sociais. A hashtag #WeSayNoToMazepin (nós dizemos não a Mazepin, em tradução livre), é sempre mencionada, e o próprio Nikita entende que não tem como mudar a situação no momento, mas espera que sua performance na pista seja capaz de arrefecer a rejeição que tem por parte de muitos fãs da Fórmula 1.

“Não vou conseguir colocar palavras na boca das pessoas. Tenho certeza de que vou corresponder na pista. Estou confiante de que, com o esforço que estou empregando e com as atitudes que tenho feito, os resultados vão chegar e vou tentar com que a pista fale por si”, comentou.

Quando perguntado se entendeu que havia cometido um grave erro, Mazepin consentiu e se mostrou disposto a mudar. “Sim, eu entendi. Assumi a responsabilidade por isso, como disse antes. Nós, como seres humanos, temos de demonstrar um determinado comportamento uns com os outros para vivermos num mundo em harmonia e, você sabe, humano. Portanto, estou confiante de que serei um desses humanos a partir de agora”.

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