Opinião GP: Em corrida real na Inglaterra, Massa, Hamilton e Vettel comprovam que mudança revigora carreira

Protagonistas na Inglaterra, Felipe Massa, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel também deixaram evidente a grande fase que vivem na carreira como reflexo da decisão acertada que tomaram quando resolveram abandonar o casulo

2013 MARCOU O ÚLTIMO ANO de Felipe Massa na Ferrari. A última de oito temporadas na escuderia que o colocou o mais próximo possível de um título mundial quase o fez desaparecer para a F1, especialmente a partir da convivência com Fernando Alonso. 

No tempo em que permaneceram juntos, o espanhol lutou por títulos e foi vice-campeão em três oportunidades — 2010, 2012 e 2013 —, enquanto Massa obteve como melhor colocação dois sextos lugares. Muito pouco diante do que o rival fazia. A disparidade, como era de se esperar, não passou despercebida pelos críticos, que pediam a cabeça de Felipe. Por algum tempo, a equipe italiana segurou a onda, mas a situação se tornou insuportável no fim daquele 2013. E o brasileiro acabou substituído por Kimi Räikkönen

A verdade é que Massa vinha em um ambiente de pressão e cobrança quase insano. Vez ou outra, Felipe fala disso nesta nova fase que atravessa na carreira. Já chegou a criticar a Ferrari por não dar importância às suas opiniões, disse que havia perdido a motivação e que a saída foi um alívio. Nunca escondeu os erros, mas sempre deixou claro que a vida em Maranello era bem mais complicada do que se achava.

O piloto saiu pela porta da frente, entretanto. Ganhou uma despedida emocionante e digna dos ferraristas. Mas o futuro era incerto, apesar da rapidez com que acertou a vida naquele fim de temporada. E a Williams foi o caminho que surgiu. A incerteza vinha da condição da equipe inglesa — que atravessava um período de reestruturação depois de um 2013 igualmente decepcionante — e da própria situação de Massa, desacreditado após anos de tormento nas garagens vermelhas. Portanto, a pergunta era: que futuro seria esse?

Felipe Massa se encontrou na Williams (Foto: Williams Racing/Facebook)

A resposta surgiu logo no ano seguinte. Massa havia acertado na decisão de defender as cores do tradicional time inglês. O brasileiro encontrou em Grove um ambiente leve, de gente que deseja crescer em grupo. Que erra e acerta junto. E que, principalmente, ouve. A reestruturação técnica, a escolha acertada dos motores Mercedes e a dupla de pilotos colocou a Williams de volta à briga. Talvez ainda não por vitórias ou títulos, mas em uma disputa competitiva, certamente.

Mesmo com todas as suas imperfeições — conservadorismo demasiado e decisões muitas vezes equivocadas no que diz respeito à estratégia —, a Williams caiu como uma luva em Felipe.


A questão é que a experiência dele faz diferença e é valorizada. E ele próprio sabe como se fazer ouvir e se impor, e isso vem de forma natural. Ou seja, mesmo lutando com um colega veloz e bem mais jovem, Felipe consegue manter o equilíbrio e vencer batalhas em igualdade de condições. E a corrida de Silverstone, neste fim de semana, foi mais uma prova disso, assim como já havia sido a etapa da Áustria, há quase duas semanas. 

Hoje é possível dizer que Massa se adaptou muito bem à escuderia britânica. E se encontrou lá, onde talvez venha a ser a sua última casa na F1. A saída de Maranello, ainda que tenha deixado trauma e mágoas, foi boa, no fim das contas.

O emblemático exemplo de Massa não é único nessa F1 cada vez mais jovem. Quando Lewis Hamilton estreou no Mundial em 2007, acreditava-se que o inglês jamais defenderia outra equipe. A ida para a Mercedes no fim de 2012 caiu como uma bomba.

E hoje a história confirma que a busca por novos ares do inglês foi mais do que acertada. Hamilton é parte da Mercedes. Perfeitamente adaptado à equipe prateada, o bicampeão já conquistou a todos. E agora dificilmente se imagina fora dela. A vitória deste domingo em Silverstone é simbólica não só por se dar diante de sua torcida. Hamilton é o líder de uma escuderia/montadora que escreve capítulos de domínio poucas vezes visto na F1. E por mais que Nico Rosberg tente, é no inglês que se concentram as atenções e os sucessos.

O mesmo pode-se falar de Sebastian Vettel. Mesmo com todos os flertes dos últimos anos, dificilmente alguém imaginaria que o alemão trocaria a Red Bull por uma errática Ferrari. Mas foi o que ele fez depois de um ano de mudanças em que se viu pouco adaptado ao carro rubro-taurino e um companheiro, Daniel Ricciardo, capaz de batê-lo com constância.

A integração com os italianos parece ter sido tão ou mais veloz do que aquela vivida pelo compatriota e ídolo Michael Schumacher muitos anos atrás. Vettel voltou a ser aquele tetracampeão de múltiplas habilidades. Ganhou a segunda prova do ano e é claramente o homem a guiar os vermelhos ao embate contra a Mercedes. E se não conta lá com um fim de semana bom, como vinha sendo até a metade da prova em Silverstone, eis que a sorte em formato de chuva trata de lhe brindar com um pódio.

Lewis Hamilton vibra na linha chegada em Silverstone (Foto: Beto Issa)

Ninguém achava que os três poderiam sobreviver fora dos casulos, mas as mudanças, corajosas, provaram exatamente o contrário. Se a F1 se renova cada vez mais e vê até um 'menor' de idade no grid, os três experientes pilotos mostram que ainda dão um ótimo caldo. Basta ter a consciência de mudar — e mudar certo.

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