Opinião GP: Legado do acidente de Bianchi aponta para melhor uso do safety-car e fim da subjetividade do controle da velocidade
A FIA não perdeu tempo e aproveitou que a F1 se reuniu novamente, apenas cinco dias depois do acidente de Jules Bianchi, para esclarecer as circunstâncias da forte batida do francês na parte final do GP do Japão e se mostrou coerente na busca por soluções. Só que também é preciso que os pilotos entendam e se mostrem mais conscientes de suas atitudes em situações de perigo

A questão é que a FIA deu a cara para bater, o que denota uma nova postura da entidade frente a situações mais polêmicas e complicadas. A federação, levada pela mão de ferro de Jean Todt, não se escondeu e tratou rapidamente de pedir uma investigação sobre as circunstâncias do acidente.
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O próprio dirigente francês ligou para o delegado técnico e diretor de provas, Charlie Whiting, que já se encaminhava para a Rússia, e solicitou que um relatório fosse logo aprontado. A reação, a princípio, ainda no Japão, havia sido cautelosa, mas logo, e diante dos críticos, se fez necessário um posicionamento mais firme da entidade, que não esperou muito para buscar respostas. E apresentá-las ao público.
Com base no documento, a FIA tentou esclarecer diversos pontos com relação ao momento da batida. A entidade citou que os comissários não viram as imagens do acidente de Jules em tempo real e nem recebeu um sinal. Quem avisou a Whiting e aos demais membros foi o fiscal de pista responsável por aquele posto.

Quando olharam para a TV, o carro da Marussia não foi avistado naquela barreira de pneus. Também não houve sinal de nenhuma falha mecânica ou técnica no carro de Bianchi. O diretor de provas ainda disse que o horário da corrida também não teve qualquer influência no acidente. E o que houve foi uma repetição do que já havia acontecido com Adrian Sutil uma volta antes. Só que Jules aquaplanou, perdeu o controle do carro e foi de encontro ao trator que fazia a remoção da Sauber do alemão. A velocidade era de 203 km/h.
Whiting também assegurou que os comissários não viram necessidade de chamar o safety-car por conta da batida anterior de Sutil e que a opção pela bandeira amarela dupla já seria o suficiente. E é nesse ponto que mora a principal consideração da FIA no momento. A federação quer tomar medidas rápidas, mas também parece não querer colocar a carroça na frente dos bois, o que também é compreensível e altamente aceitável. O caminho a ser tomado a partir de agora precisa ser trilhado com calma e inteligência, para que não se deixem lacunas a serem preenchidas no futuro.
O plano é simples. Em um primeiro momento, a medida é tirar dos pilotos a decisão de como reagir ao ver uma situação de perigo na pista — a instrução dada aos pilotos atualmente é a de que, assim que avistarem o pano amarelo, são obrigados a reduzir a velocidade no ponto indicado. Só que não existe uma marca determinada, não há uma regra que limite a velocidade. Cada piloto diminui o quanto acha que é necessário.
De fato, depois de tudo que aconteceu, não existe mais espaço para tal subjetividade. O procedimento precisa ser exato e sem margem de erro. E para isso também será necessária a participação dos pilotos. Os astros do espetáculo também terão de ter mais consciência e atenção nesses casos. É imperativo que isso aconteça. E só há uma forma: obrigar a redução, ou por meio de um sinal ou dispositivo que alerte o piloto de alguma forma. É claro que a comunicação aí será crucial, mas há tecnologia para isso e não há razão para não utilizá-la.
Porém, há outros procedimentos que terão de ser alterados também. O acionamento do safety-car é um deles. Como citou Jacques Villeneuve, não pode haver dúvidas quanto à intervenção do carro de segurança sempre que houver a necessidade de se retirar um carro acidentado seja da pista, seja da área de escape. Ainda sobre a remoção dos veículos, talvez tenha chegado o momento de se repensar a presença dos tratores ali nas áreas de proteção. Não é o primeiro incidente com esses guindastes.
No fim, a coisa caminha para a última frase de Todt, em tom de promessa. "Nós temos de aprender com o que aconteceu e vamos aprender, porque não podemos mais enfrentar situações como essas de novo". A FIA sabe onde estão os erros. É o legado que o acidente de Bianchi deixa.

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