Opinião GP: Piastri convence na Arábia Saudita e joga McLaren contra parede em 2025
Oscar Piastri obteve uma vitória importantíssima na Arábia Saudita, não só porque o colocou na liderança do Mundial, mas também porque pode se transformar em um forte argumento para subverter a hierarquia da McLaren. Afinal, são três triunfos em cinco corridas em uma pilotagem segura e cerebral. E a equipe inglesa não pode simplesmente fechar os olhos para isso, especialmente diante da ameaça constante de Max Verstappen
AO DEFENDER A POSIÇÃO na curva 1 contra Max Verstappen na largada do GP da Arábia Saudita, Oscar Piastri não só foi capaz de vencer o tetracampeão, mas também construiu um forte argumento capaz de mudar a hierarquia dentro da McLaren na Fórmula 1 2025. O caso é que o australiano fez o que se espera de alguém que tem nas mãos o melhor carro do grid: aproveitou as mazelas do concorrente, se impôs e caminhou para uma vitória das mais importantes neste ponto do campeonato. Piastri é agora um dos candidatos ao título mundial, e a equipe britânica não pode simplesmente fechar os olhos para essa realidade. Ou corre o risco de sair derrotada.
Em seu terceiro ano na Fórmula 1, o piloto de 24 anos parece ter superado a performance oscilante da última temporada e já entende que está realmente em uma briga pelo título, e isso é facilmente percebido pela maneira como lida com os momentos de pressão. Como curiosidade, o triunfo na etapa árabe deste domingo já o faz ter o mesmo número de conquistas do colega Lando Norris na equipe laranja. O que diz muito também sobre a fase dos papaias.
Na noite em Jedá, Piastri tentou enfrentar Max, não só largando melhor, mas também posicionando o carro em um lugar em que forçou o neerlandês ao erro. É claro que a punição ao piloto da Red Bull que veio na sequência — afinal, não se pode cortar curvas — acabou por determinar a história da corrida. Mas é igualmente verdade dizer que o australiano da McLaren fez a sua parte.
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No primeiro trecho da prova, acompanhou o ritmo do líder Verstappen, controlando bem a distância e cuidando para não ficar refém da turbulência — o que poderia destruir mais rapidamente os pneus. Sem contar que o carro laranja encontra mais problemas para seguir um rival. Depois, parou antes, na volta 19. No retorno à pista, procurou não perder tempo e, nesta toada, fez uma bonita ultrapassagem em Lewis Hamilton. Chegou a liderança e, de lá, não saiu mais, sempre administrando bem os pneus e os tempos para Verstappen.
“Depois que consegui ficar por dentro, não sairia da curva 1 em segundo”, reconheceu Piastri. “Eu me esforcei ao máximo. Os comissários tiveram de se envolver, mas achei que estava bem à frente e, no final, foi isso que me garantiu a corrida. Estou muito, muito feliz com todo o trabalho que fizemos nas largadas, e foi isso que nos garantiu a corrida.”
“Fizemos o que tínhamos de fazer. Ainda precisamos de um pouco mais, eu acho. Max chegou um pouco perto demais para o nosso gosto, mas foi uma ótima corrida e um ótimo fim de semana”, completou.
De fato, o tetracampeão foi uma ameaça real e esse parece que será o caso em quase todas as corridas até Abu Dhabi. Então, a briga da McLaren não será apenas interna. E é aqui que entra o argumento de Piastri. São três triunfos em cinco corridas até aqui. Oscar dominou o companheiro de time em ao menos duas: China e Bahrein. E isso jamais havia acontecido.

Na Arábia Saudita, o inglês até ensaiou uma revanche, mas acabou no muro na fase decisiva da classificação, e isso o deixou completamente fora da briga pela vitória. Lando foi apenas o quarto na corrida e agora está a 10 pontos do colega de garagem, tendo ainda de lidar com alguns pontos fracos, como a disputa das posições de largada. Ele mesmo falou sobre isso: “Só preciso me recompor. Tenho o ritmo. Está tudo lá. Às vezes, peço demais e, às vezes, fico com um pouco ‘ego’ demais, provavelmente, e tento fazer a volta perfeita. Só preciso relaxar um pouco.”
Piastri, por outro lado, vive cenário diferente. E a natureza menos emocional do jovem parece garantir também a confiança necessária para a empreitada que a McLaren pretende promover em 2025. E isso foi reconhecido até mesmo por Verstappen. “Oscar é muito sólido”, afirmou Max após a corrida. “Ele é muito calmo, e gosto disso. Isso transparece na pista. Ele entrega quando precisa, quase não comete erros — e é disso que você precisa quando quer lutar por um campeonato.”
Portanto, mesmo levando em consideração o quão longo o campeonato é e o quanto exige dos pilotos, Oscar parece realmente ter o que é necessário. A performance na Arábia Saudita convenceu, e isso já coloca a McLaren na parede, porque essa parece ser uma temporada de gente grande. E sendo esse o caso, os vacilos têm um preço alto demais.
A Fórmula 1 volta de 2 a 4 de maio em Miami, primeira corrida da temporada 2025 nos Estados Unidos.
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