Organização do GP do Brasil garante reforma pronta até meio de outubro em Interlagos e rechaça invasão de pista

As obras em Interlagos estão exatamente “dentro do cronograma estabelecido” pela prefeitura de São Paulo e vão terminar até 15 de outubro. É o que disse o promotor do GP do Brasil, Tamas Rohonyi, a pouco mais de três meses da realização da 44ª edição da etapa em solo nacional

A reforma que impediu Interlagos de realizar eventos automobilísticos em 2015 segue rigorosamente os prazos indicados para que o autódromo de São Paulo reabra e mostre suas novas estruturas de boxes para o GP do Brasil de F1 marcado para 15 de novembro. Em um almoço com presença do GRANDE PRÊMIO, os promotores do evento enfatizaram — não sem certo espanto — a fluência das obras e até esperam que os ingressos para a edição 44 estejam esgotados antes que a pista esteja pronta.

Tamas Rohonyi, húngaro naturalizado brasileiro que tem mais de 35 anos de experiência na organização de GPs, foi elogioso à beça com a charmosa Interlagos, o pontual prefeito paulistano Fernando Haddad e, claro, o velho amigo estrategista Bernie Ecclestone. Só mudou o tom quando o assunto foi a invasão de pista do ano passado após a vitória de Nico Rosberg.

A reforma em Interlagos está dentro do cronograma (Foto: Divulgação)

“Interlagos é conhecido um autódromo charmoso justamente porque não é muito grande. Você encontra todo mundo andando na área de boxes, e os estrangeiros gostam muito. O asfalto, eu diria que hoje está entre os melhores – tinha fama de ser ‘bumping’, e não é mais. Mas realmente precisava de uma condição melhor para as equipes. E a reforma ficou excelente”, declarou Rohonyi.

O discurso veio acompanhado de certa surpresa por tudo estar “exatamente dentro” do cronograma estabelecido. “O projeto original foi cuidadosamente reestudado antes de iniciar a obra para conseguir a maior economia possível porque a coitada da prefeitura não está nadando em dinheiro, e o mais importante é que o Secretário de Obras [Roberto Garib] acompanha toda semana e vai lá ver a obra”, declarou Tamas. “De forma geral, posso dizer que Fernando Haddad fez exatamente o que prometeu”, e prometeu “um abraço” no governante, “porque ele merece”.

Bernie Ecclestone em Interlagos (Foto: Getty Images)

Neste ritmo, a organização tem certeza de que em meados em outubro tudo está pronto. “Não tenho a menor dúvida disso. Zero problema”, falou o organizador.

A estrutura do prédio novo dos boxes já está montada, mas, segundo Rohonyi, “provavelmente não vai ser usada para este ano”, deixando o antigo ainda como base para a prova de 2015.

Ecclestone tem acompanhado a reforma. “Ele recebe vídeos e fotografias. Ele sabe de tudo”. Sua última visita a Interlagos aconteceu em maio, época em que também passou para Amparo para falar de seus negócios como produtor de café. “Ele praticamente está morando aqui”, disse Rohonyi.

Sobre as queixas que solta vez ou outra, Tamas sorri e minimiza a “estratégia de Bernie”. “Ele reclama na casa dele. Ele reclama de tudo: da China, da Malasia, da Rússia. Mas ele sabe que está sendo feito praticamente um milagre com os recursos que a prefeitura tem. E Interlagos tem 75 anos – é um pouco diferente de se trabalhar num autódromo desta idade do que no do Texas, onde é pegar um pedaço de terra e fazer.”

Largada do GP da Hungria (Foto: AP)

Hungria = Brasil. Ou melhor, São Paulo

A comparação com os países que esbanjaram para erguer autódromos colossais é injusta para quem está no comando tanto do GP daqui quanto de seu país natal. Rohonyi acompanhou o GP da Hungria que deu vitória a Sebastian Vettel e só acha justo que sejam feitas relações com as situações que vive.

“Existem dois tipos de GPs hoje: os dos países ricos e dos menos ricos. A Hungria é um país pobre, com uma população com a metade de São Paulo, e tem dificuldades econômicas. No entanto, renovaram o contrato até 2026 e estou iniciando uma reforma mais ou menos como a que está sendo feita aqui. Tanto Hungria quanto Brasil estão na mesma categoria onde o dinheiro é difícil de arranjar. Então é bom tomar cuidado quando se compara com Malásia e Bahrein, onde os boxes são melhores, ao Brasil – aliás, à cidade de São Paulo”.

Daí que Tamas cita uma “pequena mágoa de muita gente, não só dos promotores” por o evento ter a nomenclatura ‘do Brasil’. “O custo disso é, sobretudo, da cidade de São Paulo. Não é muito certo. Até porque não tivemos dificuldade com nenhum prefeito desde que o GP voltou para cá”, completou.

A economia em compasso de espera não tem afetado a procura pelas entradas do GP do Brasil. “Os ingressos estão vendendo muito bem, melhor do que no ano passado”, de acordo com Rohonyi, que crê em um evento ‘sold out’ até o meio de setembro.

E o que levaria a este interesse neste 2015 difícil: a Copa do Mundo ter tomado a atenção e o dinheiro do público no ano passado e o dólar em alta que tem sido obstáculos a viagens ao exterior?, questionou o GRANDE PRÊMIO. “Não tenho a menor ideia”, respondeu o promotor. “Certamente são vários motivos”. Os dois pilotos brasileiros são chamariz? “Sim, ajuda muito quando tem um astro nacional. Mas os melhores anos no Rio foram os de Alain Prost, quando ele ganhou tudo. Quem vai para o autódromo é alguém que gosta de automobilismo, não necessariamente um torcedor de personagens esportivos.”

Fãs invadem pista para cerimônia do pódio (Foto: AP)

Nós não vamos invadir sua praia

Se tem sido comum a cena pós-bandeirada da aglomeração do público abaixo dos boxes, que não se espere que se repita no GP do Brasil deste ano. Ao menos, é o que os promotores asseveram.

Em 2014, assim que os carros retornaram aos boxes, os torcedores romperam o alambrado com alicates e ocuparam a reta principal de Interlagos. A organização não esperava tal comportamento e tentou conter a multidão, que se espremeu na pequena saída improvisada. Os seguranças usaram a força para impedir a aproximação do público, mas acabaram cedendo e apenas fazendo uma linha para evitar que os torcedores entrassem na área do pit-lane.

"Eu garanto a você que não vai acontecer isso. Eu acho perigoso. Tem autódromos que incentivam isso, e eu acho um grande erro porque basta um idiota qualquer para fazer uma besteira”, falou Tamas.

Lembrado pelo GP de que na Hungria semanas atrás houve invasão do público, Rohonyi alegou que “depende também do layout do autódromo”. “Eu falei para os húngaros lá. Não acho isso certo. Você permitiria a invasão em um campo de futebol? Se você permitir, vai agradar a 300 pessoas e possivelmente vai criar um constrangimento para o país”, completou. 

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