Pérez revela que negociou antes de Mercedes contratar Hamilton: “Eu era a segunda opção”

Sergio Pérez viveu um grande marco na carreira no fim de 2012, quando abriu mão de um contrato com a Ferrari para defender a McLaren: “Infelizmente, não valeu a pena”. A novidade é a revelação do mexicano sobre uma negociação feita com a Mercedes antes de decidir pela equipe de Woking

ANÁLISE: Com Albon perdido, Red Bull fica entre Hülkenberg e Pérez. Mas qual é melhor opção?

GP da Malásia, 25 de março de 2012. Naquela tarde de domingo em Sepang, Sergio Pérez surpreendeu o mundo da Fórmula 1 ao liderar algumas voltas da prova com a Sauber, equipe de meio de grid, e lutava com a Ferrari do bicampeão Fernando Alonso. Depois, o mexicano de Guadalajara, então com 22 anos, cometeu um erro típico de novato e viu o espanhol fazer a ultrapassagem para vencer a corrida. Mesmo em segundo, ‘Checo’ chamou a atenção de vez na Fórmula 1 com seu primeiro pódio na categoria.

Vieram, então, outros dois top-3: terceiro lugar no GP do Canadá e segundo no GP da Itália, na mítica Monza. À época, Pérez era vinculado à Academia de Pilotos da Ferrari e, consequentemente, já era apontado como futuro piloto de Maranello. A perspectiva era que o mexicano ocupasse o lugar de Felipe Massa a partir da temporada 2014.

Mas veio então a decisão que mudou para sempre a carreira de Pérez na Fórmula 1. Antes, Lewis Hamilton surpreendeu ao anunciar a saída da McLaren para assinar um contrato de longa duração com a Mercedes para substituir Michael Schumacher. A equipe de Woking, portanto, viu em ‘Checo’ o substituto ideal de Lewis e o tirou da Sauber.

SERGIO PÉREZ; SAUBER; FÓRMULA 1; GP DA MALÁSIA; 2012
Sergio Pérez no seu primeiro pódio na Fórmula 1 (Foto: Sauber)

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A princípio, a contratação de Pérez significou o fim do sonho de correr pela Ferrari. Mas Sergio chegou a negociar também com a Mercedes, que tinha em Hamilton a sua primeira opção. O britânico acabou sendo contratado e está até hoje na equipe de Brackley, onde está muito perto de conquistar seu sétimo título mundial — seis, no caso, pela Mercedes.

‘Checo’, em contrapartida, ainda não estava maduro o suficiente para defender uma equipe de ponta e não se encaixou na McLaren. Seu melhor resultado foi apenas um quinto lugar no GP da Índia. Antes do fim da temporada 2013, Pérez recebeu a notícia de que não continuaria no ano seguinte.

O resto é história. Pérez foi contratado pela Force India e levou para Silverstone a gama de patrocínios oriundos das empresas de Carlos Slim, um dos maiores apoiadores da sua carreira. Sergio conquistou outros cinco pódios, mas depois de sete anos amargou uma nova notícia de não-renovação de contrato. Na nova Aston Martin, futuro nome da Racing Point — que sucedeu a Force India —, Sebastian Vettel vai ocupar seu lugar a partir de 2021.

Em entrevista ao site oficial da Fórmula 1, Pérez trouxe à baila as memórias da conquista do seu primeiro pódio, naquele domingo de março em Sepang, ao lado de dois campeões do mundo, Alonso e Hamilton.

“Eu me lembro muito bem daquele dia. Subir ao seu primeiro pódio é uma grande coisa. Eu estava lá ao lado de dois campeões mundiais. Ter o respeito dos meus ídolos foi muito grande para mim. Foi um choque estar ao lado deles, em uma corrida tão difícil. Fernando me disse ‘não se preocupe, as vitórias virão para você em breve’”, lembrou ‘Checo’.

F1; FÓRMULA 1; SERGIO PÉREZ; MCLAREN; GP DA ÍNDIA; 2013
Sergio Pérez conquistou apenas um quinto lugar como melhor resultado na McLaren (Foto: LAT Photographic/Forix)

As vitórias, no fim das contas, não vieram para o mexicano. E muito dessa falta de vitórias passa pela decisão que o piloto tomou para a temporada 2013.

“Foi tudo natural. Eu fazia parte da Academia da Ferrari e havia muito contato com a equipe. Era um passo natural que uma parte motriz da academia fosse ligada a eles. Parecia que iria para lá, mas, então, as coisas mudaram”, comentou.

“Estávamos conversando com a Mercedes, mas isso realmente dependia de Lewis não ir para lá, eu era a segunda opção. É o que eles disseram. Tínhamos algumas opções, olhando em retrospectiva”, disse.

A fala de Pérez a respeito da Mercedes vai em direção oposta ao que Ross Brawn, então chefe da equipe na época, falou sobre quem despontava como segunda opção: Nico Hülkenberg.

“2013 foi o mais perto que cheguei de ir para a Ferrari. Foi muito perto. Em retrospecto, se eu não tivesse ido para a McLaren, certamente teria ido para a Ferrari, mas as coisas mudam muito rápido na Fórmula 1”, explicou.

Pérez entende que, à época, era impossível recusar uma proposta da McLaren, que lutava por vitórias até 2012, tendo inclusive vencido a última corrida da temporada com Jenson Button. O início do jejum de vitórias da McLaren coincidiu com a chegada de Pérez.

“A McLaren, na época, estava dominando, eles me ofereceram um contrato. Fazia muito sentido na época. Infelizmente, não valeu a pena. O carro era muito ruim e não consegui marcar nenhum pódio ou lutar por nada além de pontos. As coisas mudaram muito desde então”, comentou.

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Sergio Pérez ainda não tem vaga definida para a próxima temporada da Fórmula 1 (Foto: Racing Point

Hoje com dez temporadas disputadas na Fórmula 1, Pérez fala sobre a carreira com um tom de satisfação pelo que alcançou diante das condições e dos carros que teve às mãos.

“Estou satisfeito com minha carreira. Estou em uma boa fase. Tenho orgulho do que conquistei, com o material que recebi. Este é um esporte que está relacionado ao desempenho do carro e depende de qual time você está. Com o material que tive, com os resultados que tive, estou orgulhoso disso”, afirmou.

“Eu me sinto um privilegiado por estar aqui. Se você olhar para trás, muitos podem dizer que tive azar com os carros e coisas que não tinha, mas, por outro lado, tenho muita sorte de ter feito carreira neste esporte difícil”, concluiu.

Pérez tem seu futuro incerto na Fórmula 1 enquanto aguarda a decisão da Red Bull. O mexicano é um dos cotados para a segunda vaga na equipe taurina, além de Nico Hülkenberg, caso os comandados de Christian Horner e Helmut Marko decidam não seguir com Alexander Albon em 2021.

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