Petição contra construção de autódromo em Deodoro se aproxima de 25 mil assinaturas

Petição levantada por defensores do meio ambiente ganhou apoio de fãs do automobilismo. Campanha é contra a construção do autódromo de Deodoro na Floresta do Camboatá

O controverso projeto para a construção do autódromo de Deodoro, no Rio de Janeiro, na região da Floresta do Camboatá e que tem intenção de receber a Fórmula 1, motivou uma petição online que tomou as redes sociais na última terça-feira (7).

A petição, publicada no site O Bugio, busca obter 25 mil assinaturas. Na manhã desta quarta-feira, já ultrapassava a marca de 24.456. Outra campanha, publicada no Avaaz em junho de 2019, ultrapassou a marca de 28 milhões de assinaturas.

O processo de construção do autódromo na região militar é alvo de suspeitas pelo envolvimento da Rio Motorsports, de José Antonio Soares Pereira Júnior, que virou JR Pereira para evitar expor os problemas judiciais que enfrenta desde que uma de suas empresas, a Crown Processamento de Dados, acumulou dívidas superiores a R$ 25 milhões à União.

A F1 e o Rio Motorsports chegaram a um acordo – ao menos a priori (Foto: Reprodução)

A Rio Motorsports, através do próprio JR Pereira e de uma das companhias vertentes da Crown, acabou participando da regulação do processo de licitação da obra, algo que qualquer ente público proíbe. Ainda, nunca houve comprovação, por parte da Rio Motorsports, da origem dos mais de R$ 800 milhões inicialmente previstos para a obra — na região da floresta do Camboatá, área de Mata Atlântica.

A promessa da Rio Motorsports era tirar o GP do Brasil de Interlagos já a partir de 2021. A proposta ganhou apoio do presidente Jair Bolsonaro, que, em 24 de junho do ano passado, disse que era “99% certo” que a corrida passaria a ser realizada no RJ. O projeto do novo autódromo de Deodoro segue parado.

Os últimos meses foram marcados por intensa batalha judicial envolvendo o licenciamento do autódromo. É que ainda em maio a juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 14ª Vara da Fazenda Pública, suspendeu a audiência pública para apresentação do EIA/RIMA [Relatório de Impacto do Meio Ambiente] referente à tentativa de construção da pista na região do Camboatá.

Meses e liminares depois, em meio a uma pandemia de coronavírus, o prefeito Marcelo Crivella pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a realização da audiência pública virtual. O governante obteve êxito.

Em agosto, na audiência pública virtual que durou mais de dez horas e atravessou a madrugada, o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro concluíram que o projeto de autódromo de Deodoro é ilegal por conta do impacto ambiental em área de mata atlântica, além do processo de licitação irregular.

No último sábado, o site DIÁRIO MOTORSPORT, parceiro editorial do GRANDE PRÊMIO, publicou uma carta enviada por Chase Carey, diretor-executivo do Liberty Media, ao governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, afirmando que as negociações para a realização do GP do Brasil foram finalizadas, e pressionou pelo aceleramento das licenças ambientais pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Comissão Estadual do Controle Ambiental (CECA).

Carta enviada por Chase Carey ao governador do Rio de Janeiro pede liberação das licenças ambientais (Foto: Reprodução)

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