Pirelli e engenheiros temem que regulamento de 2017 provoque queda no número de ultrapassagens na F1

A Pirelli e alguns dos principais engenheiros da F1 estão preocupados com as regras de 2017, quando o Mundial vai passar por uma nova transformação, visando deixar os carros até cinco segundos mais rápidos. Na verdade, os profissionais temem que, com as novas soluções, o número de ultrapassagens nas corridas pode cair de forma drástica

As mudanças que a F1 busca impor para a temporada 2017, com a intenção clara de deixar os carros bem mais rápidos, também pode causar uma drástica redução nas ultrapassagens. Quem alerta são alguns dos principais engenheiros do Mundial. 
 
A ideia principal é tornar os carros até cinco segundos mais velozes. Os planos vêm sendo discutidos depois das muitas reclamações de que a F1 já não é mais tão desafiadora quanto antes. Por isso, as novas regras também devem trazer pneus mais largos, novas asas dianteiras e difusores. Tudo para proporcionar maior velocidade aos bólidos da principal categoria do esporte a motor. 
Engenheiros teme pelo fim das ultrapassagens (Foto: Getty Images)
"O que acho que nos pediram para fazer é deixar os carros com um visual mais agressivo e torna-los mais rápidos — aliás, querem os carros mais rápidos de todos os tempos. Além disso, também querem que esse novo carro seja fisicamente mais duro de pilotar, não mais difícil, mas fisicamente mais complicado porque a força G será maior em curvas de alta velocidade", explicou James Allison, diretor-técnico da Ferrari, em entrevista ao site da ESPN.
 
"Eu acho que as regras vão contemplar as situações que eles querem, mas temos de nos certificar de manter mais ou menos o mesmo nível de ultrapassagens no esporte, já que no momento isso funciona realmente muito bem", completou.
 
"E existem alguns mecanismos para garantir isso. As duas principais coisas são o desgaste de pneus, fazendo com que a degradação não seja uniforme ao longo da corrida, e os ajustes no tamanho da asa móvel", acrescentou o engenheiro inglês.
 
Pat Symonds, diretor-técnico da Williams, também acredita que as ultrapassagens serão mais complicadas com o aumento do downforce e se mostrou cauteloso quanto às soluções encontradas para tornar as provas da F1 mais emocionantes. 
 
Na verdade, Symonds duvida de que um desgaste excessivo dos pneus e auxílios para as ultrapassagens sejam suficientes para atingir os objetivos dos dirigentes.
 
"Eu acredito que, quanto mais downforce o carro tiver, mais difícil será de segui-lo", afirmou o britânico. "O carro de 2017 tem mais downforce, então, independentemente de qualquer solução do Grupo de Trabalho da F1, o fato é que, se você tiver mais pressão aerodinâmica, será difícil de ultrapassar. É um pouco simplista, mas é a mais pura verdade", emendou.
 
Já para a Pirelli, o segredo está mesmo no tamanho dos pneus. Com dimensões mais amplas, a fornecedora entende que será possível obter também maiores velocidades. Ainda assim, Paul Hembery, o diretor-esportivo da marca, acha que o esporte está em um caminho errado ao decidir por mais downforce.
 
"Acho que, com os modelos atuais e pneus mais largos, já será possível melhorar em três segundos por volta. Quer dizer, não vai demorar muito para alcançar os cinco segundos que desejam. Mas acho que algumas pessoas vão questionar o rumo que o campeonato está tomando, especialmente no que diz respeito às ultrapassagens. Ainda será possível? Nós conseguiremos aumentar as ultrapassagens ou vamos torná-las mais difíceis? Nós não entramos ainda em um consenso sobre isso."
 
"Eu só espero que o esporte não tome uma decisão errada e que acabe não solucionando os problemas que estamos tentando resolver agora", encerrou.

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