Pressão abaixo do esperado estourou pneus de Stroll e Verstappen em Baku, diz Pirelli

Mario Isola, diretor da Pirelli para a Fórmula 1, deu uma explicação técnica para o que provocou o rompimento dos pneus de Lance Stroll e Max Verstappen no GP do Azerbaijão. No entendimento do engenheiro italiano, a pressão abaixo do recomendado causou o estouro dos pneus

Acidente do líder, erro do campeão e vitória de Pérez: os melhores momentos do GP do Azerbaijão (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

A polêmica sobre os problemas nos pneus que resultaram em fortes batidas com Lance Stroll e Max Verstappen em Baku e ajudaram a definir os rumos do GP do Azerbaijão segue dando pano pra manga. Diretor da Pirelli para a Fórmula 1, Mario Isola deu novas explicações sobre o ocorrido no circuito azeri e, diferente do que havia citado dias atrás, quando disse que ninguém teve culpa, desta vez apontou um problema na pressão dos pneus como causa para os estouros. O engenheiro italiano revelou que a pressão nos dois pneus estourados era menor que a recomendada pela fornecedora de Milão, o que foi determinante para o rompimento da borracha.

De certa forma, trata-se de uma resposta ao que disse Verstappen na última quinta-feira. O líder da temporada 2021 da Fórmula 1 acusou a Pirelli de ter sido vaga na sua explicação sobre os estouros dos pneus em Baku.

Em entrevista veiculada pelo site britânico RaceFans, Isola deu uma explicação detalhada para o ocorrido no GP do Azerbaijão.

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MAX VERSTAPPEN; RED BULL; ACIDENTE; BAKU;
Verstappen chuta pneu furado que lhe tirou vitória certa no Azerbaijão (Foto: AFP)

“O que aconteceu em Baku é simplesmente que as condições de rodagem eram diferentes a comparação com as condições reais, e isso criou a falha. A falha foi um corte circunferencial na parte interna, para os dois pneus foi o mesmo tipo de falha. Quando você tem muita energia sendo direcionada para os pneus com uma pressão menor que o esperado, o resultado é que, na parede lateral, você tem o que nós chamamos de ondas estacionárias”, disse.

“As ondas estacionárias colocam muita energia na parte interna do pneu e, num determinado ponto, o pneu se rompe. E foi isso o que aconteceu e o motivo pelo qual tivemos essa situação em Baku”, comentou o engenheiro.

Isola explicou que, no atual regulamento, não é possível monitorar em tempo real a pressão que as equipes definem para seus pneus. Algo que será bastante diferente na próxima temporada em razão da adoção dos pneus de 18”, uma das novidades para 2022.

“De forma ideal, o que devemos policiar, os parâmetros importantes para policiar os pneus, são as condições de funcionamento. As condições de funcionamento são a pressão, a carga, a velocidade, a curvatura. Obviamente, alguns desses parâmetros não são aplicáveis simplesmente porque não temos as ferramentas para isso”, salientou.

“No ano que vem, todos sabem que com os pneus de 18” haverá um sensor padrão, que é fornecido para todos os carros e que é controlado pela FIA. E, nesse caso, é possível policiar a pressão durante a rodagem. No momento, cada equipe instala sensores diferentes, e esses sensores não estão sob controle, de modo que não podemos policiar a pressão estabilizada durante a rodagem. Não é porque não queremos fazer isso, simplesmente não é possível”, frisou.

Contudo, Isola reforçou que, em que pese a escolha das equipes Red Bull e Aston Martin por uma pressão menor nos pneus que foram rompidos, não há como falar em infração nas regras.

“Se não está escrito no regulamento que você tem de respeitar essa pressão, não posso dizer que eles fizeram algo contra a regra na busca por mais performance. Se o mesmo acontecer no ano que vem quando nós, com um sensor padrão, impusermos uma pressão de rodagem, aí eles estarão contra o regulamento. Mas não é o caso neste ano e não é possível fazer isso simplesmente porque não temos um sensor onde possamos confiar em termos de medições”, concluiu o diretor da Pirelli.

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