Por que Fórmula 1 excluiu pedido de desculpas de declarações sobre caos em Las Vegas

A Fórmula 1 até voucher no valor do ingresso para quem só foi assistir aos treinos livres disponibilizou para compensar o papelão de sexta-feira em Las Vegas, mas chamou a atenção a falta de um pedido direto de desculpas aos torcedores. Só que a atitude pode ser explicada do ponto de vista jurídico

A Fórmula 1 viveu na madrugada de sexta-feira (17), ainda final da noite de quinta-feira em Las Vegas, um dos capítulos mais vexatórios de sua história recente. O incidente causado pela tampa de um bueiro que se soltou do chão e destruiu o carro de Carlos Sainz não era novidade na categoria, é verdade, mas os eventos desencadeados após o ocorrido demonstraram uma total falta de preparo e consideração com o público: por conta do atraso de mais de duas horas para o início do TL2 e a necessidade de devolver a cidade à sua rotina natural às 4h da manhã, os torcedores foram convidados a se retirar. A sessão, portanto, aconteceu com as arquibancadas vazias.

Mais uma vez, é possível até argumentar que a categoria ficou de mãos atadas, tanto que emitiu um extenso comunicado horas depois justificando a decisão. De compensação, ainda disponibilizou aos fãs que haviam adquirido ingresso para apenas a quinta-feira um voucher no valor de US$ 200 (cerca de R$ 1 mil, na cotação atual) para compras na loja oficial do evento. Chamou a atenção de todo o mundo, porém, a ausência de um termo que as crianças aprendem como sendo uma das três palavras mágicas: desculpa.

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O documento de duas laudas foi assinado por Renee Wilm, CEO do GP de Las Vegas, e Stefano Domenicali, chefe da F1. A corrida, aliás, foi organizada pelo próprio Liberty Media, grupo detentor dos direitos comerciais da classe. O longo texto começa dizendo que a “principal prioridade da Fórmula 1 é a segurança de nossos pilotos, funcionários e fãs”. Em seguida, contou detalhadamente o passo a passo desde o incidente do bueiro até a decisão de adiar o início do TL2 em 2h30 — apoiada “por todas as partes para garantir a integridade esportiva do restante do evento”.

Depois, o texto agradece aos “pilotos, mecânicos e todas as equipes pela paciência e comprometimento para garantir que pudéssemos realizar o treino com sucesso” e volta-se para o público, assumindo a preocupação com os “funcionários de segurança pública que estavam em serviço há muito tempo e trabalhariam nas próximas três noites”. A nota cita ainda os trabalhadores dos transportes, além da equipe de hospitalidade “que precisava limpar e reabastecer nossas áreas de convidados para garantir que a experiência dos torcedores fosse a ideal para todos nos próximos dias”.

Tampa de bueiro se soltou da pista em Las Vegas, mas a F1 não pediu desculpas pelo transtorno (Foto: AFP)

Num momento de reflexão, os organizadores até admitem que mandar os torcedores embora “foi decepcionante”, mas em nenhum momento faz um pedido de desculpas, pelo contrário: cobra compreensão. “Esperamos que nossos fãs entendam, com base nesta explicação, que tivemos de equilibrar muitos interesses, incluindo a segurança de todos os participantes e a experiência dos fãs durante todo o fim de semana da corrida.”

“Todos nós participamos de eventos como shows, jogos e até outras corridas de Fórmula 1 que foram canceladas por conta de fatores como clima ou problemas técnicos. Isso acontece e esperamos que as pessoas entendam”, salientou, prometendo, por fim, resolver trabalhando “para garantir que possamos funcionar e servir os fãs com a melhor experiência possível no caso de um cronograma de corrida estendido”.

A ausência de admissão clara de responsabilidade por tudo o que ocorreu ganhou destaque na imprensa internacional, mas pode ser explicada do ponto de vista jurídico. Dependendo da jurisdição (as leis de um determinado Estado) e da situação em curso, um pedido direto de desculpas pode ser encarado como confissão de culpa e ser usado como prova em caso de processo.

No caso do GP de Las Vegas, são várias organizações envolvidas na realização, cada uma à sua maneira — as autoridades locais, promotoria, Fórmula 1, Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Quando isso acontece e há um incidente, o potencial de responsabilidade financeira fala mais alto. Essa também é uma das razões pelas quais companhias de seguros sugerem que não haja pedido de desculpas em caso de colisões, uma vez que a responsabilidade é determinada posteriormente.

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