Por que Verstappen põe mão na taça em Las Vegas mesmo com carro inferior ao de Norris
Max Verstappen ficou dez corridas sem vencer, porém o máximo que Lando Norris conseguiu foram dois triunfos durante a seca do rival. Os constantes erros frente à regularidade do piloto da Red Bull explicam a diferença de 62 pontos, mesmo Verstappen não tendo mais o melhor carro desde o GP da China, quinta etapa da temporada 2024
Max Verstappen está a um passo de chegar ao tão seleto grupo de pilotos que conquistaram quatro ou mais títulos na Fórmula 1, e não deixa de ser admirável — e também surpreendente — que tal feito possa ser alcançado com duas corridas de antecedência se for levado em conta que o neerlandês não sabe o que é ter o melhor carro do grid há tempos. Mais precisamente desde o GP da China, que marcou o começo do fim da era Red Bull na categoria e viu o renascimento de uma McLaren que não soube aproveitar a enorme superioridade do equipamento que passou a ter nas mãos.
E nada melhor do que analisar os números para constatar como a regularidade de Max frente aos inúmeros erros de Lando Norris com a equipe laranja ainda o fez ganhar 10 tentos nas últimas 16 corridas realizadas. Sim, mesmo com a abrupta queda de performance do RB20, Verstappen chega a Las Vegas com 62 pontos de vantagem.
Quando tinha o melhor equipamento nas mãos, a diferença para Norris era de 52. Ali, em Xangai, quinta etapa da temporada 2024, ao conquistar a quarta vitória do ano até então, Verstappen anotava 110 pontos e tinha como principal adversário o companheiro de equipe, Sergio Pérez, então em segundo com 85. A Ferrari era quem surgia como segunda força, com Charles Leclerc próximo em terceiro, com 76 tentos. Norris era somente o quinto, com 58.
Mas a derrota pessoal dos italianos para a McLaren na China foi o primeiro indício de que a F1 poderia ver mudança interessante dali em diante. Tudo dependeria, porém, das atualizações que seriam introduzidas na corrida seguinte, Miami. Não só deram certo como fizeram Norris desencantar e conquistar a primeira vitória da carreira na principal categoria do automobilismo mundial — com uma pequena dose de sorte, é verdade, mas a performance do MCL38 já era outra, e a Red Bull entendeu que teria muito a perder dali em diante.


No Mundial de Construtores, a liderança foi facilmente destroçada, muito também em função da inoperância de Pérez, que somou míseros 66 tentos de Miami até São Paulo — média de apenas 4,12 por etapa. Só que no de Pilotos era cada um por si, e é muito difícil imaginar no grid atual quem faça mais diferença dentro de uma equipe do que Max.
Agora, se Verstappen sobrou de um lado na força do braço, a McLaren abusou do direito de errar. Para se ter uma ideia, o neerlandês amargou depois da vitória na Espanha a maior sequência sem subir ao degrau mais alto do pódio desde 2020, quando a F1 ainda vivia sob o reinado de Mercedes e Lewis Hamilton. Foram dez corridas no total, e Norris aproveitou a chance para tentar encostar de vez na classificação em somente duas.
E nem dá para dizer que a McLaren se viu em uma briga tripla, com a presença de Ferrari e Mercedes, pois as vitórias conquistadas por Leclerc, assim como as da Mercedes, com Hamilton, foram totalmente em função da leitura de corrida precisa que resultou no acerto das estratégias. Mas até mesmo nessas ocasiões, Norris era superior em velocidade pura e até ritmo de corrida. No mínimo, estava no mesmo nível.
Ter feito 10 pontos a menos que o #1 da Red Bull surpreende ainda mais se for levado em conta que Lando anotou sete poles de Miami para cá, mas em apenas uma ocasião, em Singapura, liderou de ponta a ponta. Até mesmo a acachapante vitória nos Países Baixos teve parcela providencial do MCL38, soberano o suficiente para se recuperar rápido de outra largada ruim.
Para evitar o título antecipado de Verstappen, Norris precisa vencer ou torcer por combinações de resultados. Em suma, em Las Vegas, precisa anotar 3 tentos a mais que o rival taurino, mas depois do que se viu em Interlagos, não é exagero dizer que se trata de uma tarefa complicada.
A Fórmula 1 volta às pistas para o GP de Las Vegas, nos Estados Unidos, entre os dias 21 e 24 de novembro. Depois, realiza corridas no Catar, última sprint do ano, e Abu Dhabi.
Fórmula 1 2024, pontuação do Mundial de Pilotos de Miami até São Paulo (16 corridas):
| POS | Piloto | Equipe | Pontos |
| 1 | M VERSTAPPEN | Red Bull RBPT Honda | 283 |
| 2 | L NORRIS | McLaren Mercedes | 273 |
| 3 | C LECLERC | Ferrari | 231 |
| 4 | C SAINZ | Ferrari | 175 |
| 5 | L HAMILTON | Mercedes | 171 |
| 6 | G RUSSELL | Mercedes | 159 |
| 7 | O PIASTRI | McLaren Mercedes | 94 |
| 8 | S PÉREZ | Red Bull RBPT Honda | 66 |
| 9 | F ALONSO | Aston Martin Mercedes | 31 |
| 10 | N HÜLKENBERG | Haas Ferrari | 27 |
Fórmula 1 2024, pontuação do Mundial de Construtores de Miami até São Paulo (16 corridas):
| POS | Equipes | Pontos |
| 1 | McLaren | 497 |
| 2 | Ferrari | 406 |
| 3 | Red Bull | 349 |
| 4 | Mercedes | 330 |
| 5 | Aston Martin | 46 |
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