Por que melhoria da Mercedes no Canadá incomodou Alpine e gerou ameaça de protesto

A FIA chegou a autorizar o uso de um suporte extra nos carros no fim de semana no Canadá, mas Otmar Szafnauer não encarou a atualização com bons olhos, afirmando que o ganho de vantagem que uma equipe teria sobre as demais era contra o regulamento

A decisão da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) de estabelecer uma diretriz técnica para controlar os quiques dos carros da Fórmula 1 segue causando discórdia entre as equipes no paddock. Ainda sem determinar como será feita essa intervenção, a entidade máxima do automobilismo mundial chegou a permitir que os times usassem no GP do Canadá um suporte extra no assoalho de seus carros de forma a amenizar o porpoising, mas a Alpine não ficou muito satisfeita, afirmando que a vantagem que a atualização proporcionaria poderia ser protestada por ir contra o regulamento.

Durante o fim de semana em Montreal, de acordo com uma reportagem da revista alemã Auto Motor und Sport, McLaren, Ferrari e Red Bull estranharam a presença tão rápida de um suporte extra no carro da Mercedes nos treinos livres, uma vez que a diretriz para controlar os quiques havia sido aprovada em muito pouco tempo — dando a entender, portanto, que a mudança já estava programada.

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Mercedes celebra pódio de Hamilton no Canadá (Foto: Jiri Krenek / Mercedes)

Embora o time de Brackley tenha argumentado que alguns membros ficaram na base preparando a atualização a tempo de ser introduzida para as atividades no circuito Gilles Villeneuve, a Mercedes decidiu retirar o suporte por julgar que não faria diferença — e também para evitar protestos. Otmar Szafnauer, inclusive, foi bastante incisivo ao comentar o caso.

“No que diz respeito ao processo, trata-se de uma diretriz técnica — e diretrizes técnicas, como todos sabem, não estão no regulamento”, disse o chefe da Alpine. “Provavelmente não deveríamos andar com isso na classificação e na corrida. E se equipes trouxeram esses suportes, acredito que isso talvez possa ser avaliado depois e protestado. É contra o regulamento atual”, acrescentou.

Ao ser questionado se a A522 possuía tais suportes, Szafnauer negou. “Definitivamente não temos. E se você tiver um suporte extra, poderá deixar o carro mais rígido, descer a altura e conseguir alguma vantagem”, concluiu.

A polêmica em torno do porpoising ganhou força total após o GP do Azerbaijão, e foi quando a FIA, então, decidiu intervir de alguma forma para estabelecer limites para as oscilações verticais dos carros na pista. No Canadá, a entidade coletou dados para determinar qual seria o nível aceitável desse movimento, podendo, inclusive, solicitar que um carro seja elevado em ao menos 10 milímetros. Em situações extremas, a equipe poderia até ser impedida de correr, caso seja constatado perigo à saúde dos pilotos.

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