Prancheta GP: O que há por trás da polêmica envolvendo o motor da Ferrari

O Prancheta GP desta semana traz em detalhes toda a análise feita em cima da controvérsia envolvendo os motores da Ferrari no fim de semana do GP dos EUA. Paolo Filisetti explica a razão pela qual a unidade de potência da equipe italiana foi colocada sob suspeita e como nem tudo parece ser o que é

Antes do GP dos EUA, a Red Bull solicitou esclarecimentos à FIA (Federação Internacional de Automobilismo) sobre a adoção de um sistema que modificasse os valores lidos pelo sensor de consumo instantâneo (o fluxômetro), calibrado até o limite máximo de 100kg/hora. A equipe de Milton Keynes acreditava que o sinal dos dois sensores ultrassônicos, parte integrante do medidor, poderia ser impreciso por um campo eletromagnético, distorcendo a leitura por padrão, permitindo uma passagem de combustível além do limite permitido. Na base, a suspeita de que a unidade de potência 064 da Ferrari ignorou as regras, produzindo um excedente de energia. Os desempenhos opacos dos carros vermelhos na corrida americana pareciam aos rivais a confirmação de que, após a diretiva da FIA, sobre a irregularidade de um sistema como esse, a Ferrari, antes, ‘trapaceou’.
 
O fluxômetro, produzido pela empresa inglesa Sentronics, é afogado dentro do tanque de cada carro, testado quanto à confiabilidade da leitura e sensibilidade a vibrações e campos eletromagnéticos presentes em um carro de F1. Consiste em um tubo de metal com capacidade de cerca de 15 ml, através do qual o combustível flui diretamente para os injetores. Dois sensores ultrassônicos para leitura, um na entrada e o segundo na saída, com uma frequência de 2,2 kHz, ou seja, um pulso 2.200 vezes por segundo. A frequência da onda sonora varia com a velocidade do fluido no tubo, a partir da qual é determinado o volume de combustível que passa através dele. O fato de o impulso ser de 2.200 vezes/s já destaca a impossibilidade de ‘doping’ do sistema. 
Como funciona o fluxômetro:
1) Entrada de combustível
2) Saída de combustível
3) Sensor de leitura de entrada
4) Sensor de leitura de saída
5) conexão de dados
(Ilustração: Paolo Filisetti)
Depois que a controvérsia sobre o sensor desapareceu, a FIA introduziu a diretiva 38.19 na quarta-feira, proibindo a introdução de um fluido de refrigeração nas câmaras de combustão como um aditivo ao combustível. Alvo não declarado, ainda a unidade da Ferrari. O objeto da disputa seria um fluido, o etilenoglicol, produzido industrialmente a partir de óxido de etileno. Amplamente utilizado em radiadores, permite miniaturizar o circuito de refrigeração e manter baixas pressões no interior. Possui um ponto de ebulição muito alto, acima de 170 graus e autoignição acima de 410°C, não detona, como o lubrificante do motor no centro de controvérsias e diretrizes há dois anos…
 

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