Presidente da FIA diz que F1 tem dor de cabeça, não câncer, e critica postura das equipes menores

Jean Todt, presidente da FIA, comentou a respeito de uma série de fatores que envolvem a atual crise da F1. Assumiu a responsabilidade pelo preço elevado dos motores, disse que a crise da categoria é menor do que alegam e criticou a postura das equipes médias e pequenas: elas assinaram os contratos porque quiseram

Para o presidente da FIA, Jean Todt, a crise que a F1 enfrenta não é grande como pintam alguns. O francês concordou que há problemas que precisam ser resolvidos, como os custos das unidades de força introduzidas em 2014, mas se disse frustrado por algumas reclamações feitas pelas equipes médias e pequenas do grid.
 
“Não acho que estamos lutando contra um câncer. É uma dor de cabeça. Então precisamos encontrar uma receita para a dor de cabeça”, declarou o dirigente no último fim de semana, em Spielberg.
 
“De certa forma, a dor de cabeça está sendo curada. Não precisamos de grandes mudanças. Eu não acho que a F1 precisa. E, se precisasse, eu precisaria de ajuda. Precisaria saber onde, pois não sei”, afirmou.

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Jean Todt reconheceu um erro, mas não tem uma proposta formulada para curar de vez a "dor de cabeça" da F1 (Foto: AP)
A questão financeira foi um dos temas abordados por Todt, em dois aspectos: os preços dos motores e a divisão do dinheiro dentro da categoria.
 
No primeiro tópico, ele admitiu que errou. No segundo, jogou a responsabilidade para as equipes, alegando que foram elas que assinaram contratos desfavoráveis. Ainda, disse que, nas reuniões, as reclamações não são acintosas como nas entrevistas que dão à imprensa.
 
“Eu concordo que são caros demais”, afirmou sobre os valores superiores R$ 70 milhões pagos pelas equipes-clientes às montadoras pelos motores. “Aqui, assumo a responsabilidade por não ter assegurado um preço máximo. É algo que vamos resolver, antes tarde do que nunca. Sou realista e quero garantir que vamos fazer o que pode ser feito”, falou. “Infelizmente, a Honda está com dificuldades e a Renault ainda não embalou. Mas estou otimista que é uma questão de tempo até que três ou quatro montadoras estejam próximas.”

No entanto, Todt não tem uma proposta pronta para controlar isso, e, a respeito dos custos em geral, reafirmou que não é grande fã de um teto orçamentário, por exemplo. Até aprovaria um, se fosse a vontade geral, mas "ninguém é a favor".

Todt também criticou a postura das equipes do fundão (Foto:AP)
Sobre as equipes, disse que não é responsabilidade da FIA comandar a divisão do dinheiro. “Se as pessoas esperam que a FIA é quem vai mudar a distribuição dos direitos comerciais, eu desisto. Seria completamente irrelevante que eu dissesse ‘vou falar com eles’, pois estas são as regras. Como posso me permitir abraçar algo que não está dentro das nossas responsabilidades?”, indagou.
 
“O que me frustra são os que estão reclamando que não tem os melhores contratos: por que aceitaram? Individualmente, um, dois ou três reclamaram, e eu reclamei com eles, mas não vou dar nomes. Eu disse ‘gente, li sua entrevista, então por que você ficou quieto durante toda a reunião?’”
 
Segundo Todt, a F1 hoje é mais barata do que há dez anos, e medidas tomadas por seu antecessor, Max Mosley, caminhavam na direção correta. O problema é que os mais recentes acordos favoreceram algumas equipes. “Estamos lidando com gente que está muito feliz por ter assinado e gente que está muito infeliz por ter assinado. Tendo dito isto, há um ponto em comum: todos eles assinaram.” 

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