Presidente da FIA revela que poder de veto da Ferrari na F1 é histórico, mas possui “limites e algumas condições”

Jean Todt, presidente da FIA, revelou que o poder de veto da Ferrari está associado a algumas condições. Embora a equipe italiana tenha o direito de impedir propostas para os regulamentos, o dirigente afirmou que o time precisa provar que as medidas vão contra seus interesses

Presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Jean Todt revelou que existem condições associadas ao poder de veto da Ferrari no que diz respeito às regras na F1. A informação vem na esteira da controvérsia sobre o limite de preço para os motores que a entidade teima em fazer as equipes aceitarem.
 
Recentemente, a esquadra italiana usou seu direito de vetar e impediu que um plano para estabelecer o valor limite para motores em US$ 12 milhões (R$ 45 mi) por temporada fosse adiante, o que fez a federação alterar todo o trabalho e ir buscar como solução uma unidade padrão para atender às exigências das equipes clientes, que desejam uma redução no preço das unidades.
 
Embora tenha dito que a Ferrari tinha o direito de vetar a proposta, o dirigente francês deixou claro que a esquadra vermelha só será capaz de utilizar esse poder se puder provar que o seus direitos comerciais serão prejudicados. "O direito ao veto, que privilegia a Ferrari, é uma direito histórico", afirmou Todt. 
Presidente da FIA, Jean Todt falou que o direito de veto da Ferrari está condicionado a determinadas condições (Foto: AP)
"Mas eles precisam mostrar que estão vetando algo porque vai contra seus interesses. Então, implantar um motor padrão não vai contra os seus interesses, por isso ficarei feliz de ir atrás disso e debater essa proposta", completou.
 
O presidente da FIA tem grande conhecimento sobre o poder de veto da Ferrari, principalmente porque ele próprio já chefiou a mais tradicional equipe do grid, entre os anos de 1993 e 2007. Entretanto, Todt revelou que questionou a continuidade do veto nas mãos ferraristas durante os últimos acordos comerciais que foram firmados entre as equipes na temporada 2013.
 
"O veto teve origem por volta dos anos 1980, quando o Pacto da Concórdia foi implementado", contou o gaulês. "É algo que sempre me deixou curioso, porque quando entrei na Ferrari, em 1993, eu tentei entender qual era a história por trás disso. E a história é simples."
 
"Enzo Ferrari era o fundador e estava isolado em Maranello na comparação com as equipes inglesas. Ele estava sozinho e, se você lembrar a década de 80, a Ferrari era a única fabricante de chassis e motores. Ele enfrentava times privados, como Williams, McLaren e Lotus, que usavam o mesmo motor. Então, ele ganhou o poder de veto nas discussões."
 
"Foi algo que lhe foi dado no Pacto da Concórdia, e isso sempre foi levado em consideração e aceito", acrescentou.
 
Todt ainda admitiu que chegou a questionar a legitimidade do direito e que ficou surpreso quando as equipes e Bernie Ecclestone se mostraram favoráveis com o fato de a Ferrari seguir com o direito a veto. "Quando chegamos, em 2013, foi a primeira vez, como presidente da FIA, que me vi reconsiderando o direito de veto e devo dizer que fiz isso de modo cauteloso, porque é como ter uma arma. Mas fiquei surpreso, porque Bernie, o detentor dos direitos comerciais, e as equipes estavam a favor da Ferrari", explicou.
 
"No fim, na renovação do Pacto para os anos 2013 a 2020, nós simplesmente alteramos algumas partes do texto, apenas para ficar mais preciso. Então, não é um direito a veto, eles precisam ter um argumento muito forte para exercê-lo", finalizou.


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