F1

Quilometragem, testes aerodinâmicos e avaliação de pneus: o que cada equipe fez na primeira semana de testes

O GRANDE PRÊMIO acompanhou in loco o trabalho das equipes nestes primeiros dias de pré-temporada em Barcelona e traz uma análise do que cada time fez, além de uma projeção para a próxima semana

GRANDE PRÊMIO, de Barcelona / EVELYN GUIMARÃES, do Circuito da Catalunha / ERIC CALDUCH, do CIRCUITO DA CATALUNHA
A F1 completou os primeiros quatro dias de testes nesta semana em Barcelona com uma marca interessante: de modo geral, a confiabilidade dos carros foi o que, de longe, mais chamou atenção. Muita gente foi capaz de percorrer marcas de três dígitos facilmente e as falhas mecânicas surgiram com menos frequência que em anos anteriores. É claro que as duas protagonistas do grid, Ferrari e Mercedes, são especialistas quando o assunto é quilometragem, mas também há de se destacar a velocidade do carro vermelho e a programação técnica bem diferente da equipe alemã. O pelotão intermediário surgiu bem interessante e ainda mais compacto, tendo na liderança ainda a Renault – a equipe fechou a semana com o melhor tempo, inclusive. Alfa Romeo e Toro Rosso estão bem próximas, com McLaren e Haas na cola. Racing Point ainda tenta se encontrar e a Williams mal começou sua preparação.
 
A Pirelli também teve grande influência no desempenho das equipes. A fabricante italiana apareceu no circuito catalão com um molde cromado, que deixou os pneus mais 'brilhantes'. A ideia foi acabar com as imperfeições dos compostos mais macios - C4 e C5. O processo foi desenvolvido na F2. De forma geral, a indicação da fornecedora foi: C1 (duros/sem marcas), C2 (médios/brancos), C3 (macios/amarelos), C4 (ultramacios/vermelhos) e C5 (hipermacios/sem marcas).
 
O GRANDE PRÊMIO traz uma avaliação geral e o resumo do que cada uma das dez escuderias do grid fez nesta primeira sessão de testes para o campeonato de 2019, sempre levando em consideração a divergência de níveis de combustível, configuração aerodinâmica e uso dos diferentes tipos de pneus. 
Lewis Hamilton (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
MERCEDES
 
Uma vez mais, a Mercedes priorizou a alta quilometragem e os estudos quanto à confiabilidade do W10. E foi bem-sucedida. A equipe alemã foi quem mais percorreu voltas ao longo da semana, explorando os diferentes aspectos. Ao todo, foram 610 giros de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, a marca é equivalente a 2.840 km. O carro é equilibrado e traciona bem. Mas a Mercedes ainda não mostrou a mesma velocidade que a rival Ferrari e entende-se que ainda procura uma solução mais eficiente para a parte dianteira do carro. 
 
Depois de focar os testes com os pneus médios (C2) e macios (C3) durante os três primeiros dias, os prateados decidiram lançar mão dos compostos ultramacios e hipermacios no dia final, em uma tentativa de ganhar velocidade. Ao invés de stints longos e ritmo de corrida, na quinta-feira, a esquadra preferiu andar por sequências de poucas voltas e, ao que parece, pouca carga de combustível. Só que nenhum dos dois pilotos conseguiu tempos velozes com os compostos vermelhos – C4 e C5. 
 
FERRARI
 
A Ferrari se apresenta como a equipe mais forte da pré-temporada. Até o momento, todo o paddock coloca os italianos como favoritos a começarem o campeonato na liderança, ainda que pese o desenvolvimento da Mercedes. Tanto Charles Leclerc como Sebastian Vettel fizeram um bom trabalho ao acumular uma grande quilometragem ao longo dos quatro dias de testes. Foram 598 giros em diferentes configurações - stints longos consistentes e ritmo de classificação, usando os pneus mais macios da Pirelli.
 
A escuderia vermelha iniciou a semana na liderança, usando os pneus C3 (macios). A SF90 tem, de fato, um desempenho sólido e o motor, mais uma vez, é potente. Leclerc parece bastante adaptado ao ambiente ferrarista.
Charles Leclerc (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
RED BULL
 
A Red Bull também chegou com um carro de aerodinâmica refinada, mas a grande questão relacionada à equipe estava ligada à parceria com a Honda. E o início do trabalho pareceu bastante promissor, apesar de alguns pequenos contratempos. Ainda assim, a esquadra austríaca não enfrentou nenhum grande problema ao longo da semana. Mas, como a Mercedes, o time também tenta aprimorar o desempenho da parte dianteira do RB15, sobretudo com relação ao desenho da asa. 
 
O desempenho geral, no entanto, é encorajador. Tanto o chefão Christian Horner quanto o consultor Hemult Marko se mostraram contentes com o começo do vínculo com os japoneses - o projeto da montadora de Sakura ganhou fôlego novo, uma vez que os energéticos deixaram os nipônicos liderarem o desenvolvimento sem interferências. 
 
Ao todo foram 2.211 km ao longo dos quatro dias de testes - 30 km a menos que a irmã caçula -, mas é preciso levar em conta o acidente de Pierre Gasly no segundo dia e que forçou a mudança de algumas peças. O time priorizou, portanto, a confiabilidade nesta primeira semana, e isso fica claro no uso insistente dos pneus C3 – macios. E se reflete na tabela de tempos. A velocidade em ritmo de classificação está por vir. 
 
No geral, a equipe está cautelosamente satisfeita e se vê bem perto da Mercedes.
Max Verstappen (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
RENAULT
 
A Renault foi a equipe mais rápida da semana. A marca francesa pode se orgulhar de ter o melhor tempo da pré-temporada depois do 1min17s393 de Nico Hülkenberg no quarto e último dia da primeira semana de testes. Daniel Ricciardo também fez um tempo muito rápido na manhã de quinta-feira, embora ambos com o C5, os pneus mais macios da Pirelli.
 
O modelo gaulês mostra velocidade e tem potencial, embora não tenha feito grande quilometragem. Ricciardo estava muito sorridente na quinta-feira com os jornalistas, já se sente confortável na equipe e, apesar da perda do DRS, o time trabalhou bem no inverno. A mudança de cenário deixando a Red Bull deu vida à equipe.
 
A Renault pode ser um time interessante para acompanhar durante a segunda semana da pré-temporada. A tendência é melhorar a quilometragem e a confiabilidade. 
Nico Hülkenberg (Foto: AFP)
HAAS
 
A Haas não esteve na lista das equipes com maior quilometragem ou que mostrou grande confiabilidade. Muito pelo contrário, a equipe norte-americana enfrentou contratempos mecânicos e falhas elétricas. A esquadra provocou bandeiras vermelhas ao longo da semana por conta das falhas, aliás. Apesar dos problemas, a equipe foi capaz de imprimir velocidade com os pneus mais macios da Pirelli. Mas está claro que o time ainda tem muito que resolver em seu VF19. 
Kevin Magnussen (Foto: Haas)
McLAREN
 
Depois de pré-temporadas marcadas pela extrema falta de confiabilidade, a equipe inglesa pode respirar aliviada. Isso porque foi capaz de percorrer uma alta quilometragem, sem enfrentar problemas graves – nem de motor e nem relacionados ao carro. A MCL34 tem linhas aerodinâmicas interessantes, além de uma base sólida de um projeto que começou cedo no ano passado. Desta vez, não há problemas quanto a adaptação do motor Renault. 
 
A esquadra começou a semana dando prioridade aos stints mais curtos e com menos carga de combustível, daí as primeiras colocações na tabela. Mais tarde, o time mudou a estratégia e passou a andar em um ritmo maior, com mais peso. Ficou claro que ainda falta um ajuste fino e velocidade. Mas a confiabilidade existe e talvez esse seja o ponto mais importante agora.
 
Como Lando Norris disse após o primeiro contato com o carro, ainda é impossível pensar que os problemas foram todos embora, mas o início é encorajador.
Lando Norris (Foto: McLaren)
RACING POINT
 
A Racing Point enfrentou uma semana difícil, mas o carro não é tão ruim como deixou a entender. A nova equipe ainda tenta se reajustar aos desafios do ano. Por enquanto, tudo acontece muito devagar e a falta de peças de reposição está fazendo a pré-temporada ficar bastante longa. Sergio Pérez já admitiu na quarta-feira que a quebra de algumas peças poderia causar o fim prematuro dos testes, o que torna a estratégia da esquadra mais cautelosa. 
 
Na nova equipe, Lance Stroll teve um início de trabalho discreto, tentando apenas acumular quilômetros. A Racing Point espera ter um carro completo na Austrália, mas até o momento o objetivo é acumular o maior número possível de dados para o desenvolvimento do RP19.
Sergio Pérez (Foto: Racing Point)
ALFA ROMEO
 
A Alfa Romeo é uma das revelações desta primeira semana de pré-temporada na Espanha. A presença da marca italiana parece querer dar uma nova vida ao time remodelado de Peter Sauber. As sensações são boas e, apresentando uma enorme confiabilidade, a equipe parece estar pronta para comandar o pelotão intermediário. A presença de Kimi Räikkönen fortalece e a juventude de Antonio Giovinazzi traz esperança.
 
O carro revolucionário parece funcionar e a ligação com a Ferrari ficou bastante evidente. O C38 tem a mesma aerodinâmica refinada e possui um desempenho fascinante da parte dianteira. Os caras foram rápidos com os pneus mais macios, ao mesmo tempo em que exibiram um ritmo impressionantemente consistente.
Kimi Räikkönen (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
TORO ROSSO
 
Depois de um primeiro ano quase experimental, a Toro Rosso e a Honda vivem agora a expectativa de uma temporada mais competitiva. Assim como na Red Bull, o início dos testes foi bastante produtivo. E em duas frentes: a primeira, evidentemente, se ateve à confiabilidade e, a segunda à velocidade. Tanto é assim que a equipe liderou o terceiro dia e ainda se posicionou entre os mais velozes da sessão final. Andou com o C4 e C5 e foi sempre muito rápida. Não teve qualquer contratempo grave durante a semana.
 
A Toro Rosso foi a quarta equipe que mais andou em Barcelona. Daniil Kvyat e Alex Albon completaram 482, 160 a mais do que na primeira semana do ano passado. Além disso, Albon foi o dono do segundo melhor tempo dos quatro dias: 1min17s637.
 
"Tudo foi muito bem e conseguimos adquirir uma boa quantidade de dados. É a primeira vez na era híbrida que estamos fornecendo motor para duas equipes e posso dizer que aprendemos muito nestes últimos quatro dias", disse Toyoharu Tanabe, o responsável pelo projeto da Honda na F1.
Alexander Albon (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
WILLIAMS
 
A equipe inglesa teve uma semana complicada. O projeto atrasado acabou comprometendo o início dos trabalhos da esquadra em Barcelona. O FW42 só chegou a Barcelona na quarta-feira, dia em que deu pouquíssimas voltas. Na quinta, o time foi capaz de andar por 65 giros, que representam pouco ou quase nada. O dia foi dedicado às avaliações dos sistemas e das peças aerodinâmicas. Em nenhum momento, mostrou velocidade e é impossível, neste momento, falar em confiabilidades. A verdade é que a preparação propriamente dita da Williams vai começar mesmo nesta segunda semana de testes. 
Robert Kubica (Foto: Williams)