Renovação de Pérez amplia brecha para rivais e ‘Verstappendependência’ na Red Bull

A Red Bull cedeu e entregou os dois anos de contrato em novo vínculo com Sergio Pérez. O mexicano, assim, vai para pelo menos seis temporadas com a que hoje é a grande equipe do grid da F1, entregando pouquíssimo no período. É, no fim das contas, a ampliação da 'Verstappendependência' nos boxes taurinos, já que o neerlandês vai precisar seguir brigando sozinho com as ascendentes Ferrari e McLaren

A Red Bull fechou sua dupla de pilotos para 2025 — e 2026: nesta terça-feira (4), os austríacos confirmaram a já esperada renovação de contrato de Sergio Pérez, mantendo o mexicano ao lado de Max Verstappen pelas próximas duas temporadas. Sem surpresas, mas com muitas questões levantadas.

A verdade é que Pérez está bastante longe de ser unanimidade. Com o novo acordo, Sergio parte para seis temporadas completas com a Red Bull, a grande equipe da F1 no período. Mas, afinal, qual foi exatamente o mérito do piloto para receber tantas chances?

Responsável direto pela perda do título de Construtores dos austríacos em 2021, ‘Checo’ ganhou novo vínculo e bastante moral ao ficar com a pecha de ‘Ministro da Defesa’ de Verstappen. Naquele ano, o mexicano travou duras batalhas com Lewis Hamilton, que brigava ponto a ponto contra o neerlandês, que sairia campeão. Só que veio 2022, depois 2023, então 2024 e a pasmaceira no carro #11 continua a mesma.

Em 2022, ano em que Verstappen enfiou quase 150 pontos em cima da concorrência, conseguiu a façanha de perder o vice-campeonato para Charles Leclerc, de uma Ferrari que começou bem, mas sumiu após diretiva da FIA para conter os quiques dos carros. Em 2023, Pérez foi vice, é verdade, mas teve parcas duas vitórias e não fez nem metade dos 575 pontos registrados por Max no ano. Nem metade.

Sergio Pérez pouquíssimo ameaça Max Verstappen (Foto: Red Bull Content Pool)

O fato é que o mexicano foi ficando na Red Bull muito por conta da perda abissal de eficiência do programa de jovens da equipe, mas principalmente porque era o mais cômodo a se fazer. E isso tem dois motivos claros e que se encontram: Pérez não dá trabalho dentro dos boxes e Verstappen está mais do que satisfeito com o companheiro inofensivo que tem.

A motivação da renovação de Checo voltou a aparecer agora, com o novo vínculo até 2026, só que a situação da F1 é que mudou. E drasticamente. Se antes o papel de Pérez era evitar um desastre e apenas fazer o suficiente para a Red Bull vencer entre os Construtores, o desenho da temporada 2024 indica um cenário totalmente diferente: Ferrari e McLaren cresceram e vieram para briga.

Os reflexos disso já começam a aparecer na tabela de pontos, com Leclerc, principalmente, encostando em Verstappen, pressionando o tricampeão. Na batalha das equipes, McLaren e, especialmente a Ferrari, já surgem grandonas no retrovisor da Red Bull. Mas e Pérez nisso? Pérez já caiu para quinto no campeonato, tem só três pódios, nenhuma vitória, nenhuma pole e nem ao Q3 chegou na última corrida.

Ou seja, se a Red Bull literalmente venceria o campeonato de equipes do ano passado só com os pontos de Verstappen, isso parece completamente utópico em 2024. E mais: hoje parece mais fácil o time perder para a Ferrari do que levantar o caneco. Isso passa muito ou quase totalmente por Pérez, o elo mais fraco da equação das três grandes forças atuais do grid.

Christian Horner tornou-se defensor de Sergio Pérez (Foto: Red Bull Content Pool)

Desta forma, com a renovação chancelada por Christian Horner em meio a uma guerra de poder entre o chefe do time e Helmut Marko, entre acionistas da Áustria e da Tailândia numa Red Bull em ebulição, a equipe energética confirma de vez uma enorme ‘Verstappendependência’, ou, em outras palavras: Verstappen ou nada.

Assim, Max fica com o companheiro com quem se dá bem e que nem enxerga em momento algum da pista, mas também acumula responsabilidades. Além de puxar todo feedback técnico que a equipe precisa, ainda tem de dar um jeito de segurar na unha, sozinho, os carros vermelhos e laranjas.

A Red Bull, no fim das contas, opta pelo mínimo conforto interno em meio ao caos, mas praticamente entrega de mãos beijadas o ouro para o bandido. McLaren e Ferrari, assim, podem acreditar: fica o homem de cinco vitórias em quatro anos com o melhor carro.

Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 7 a 9 de junho, com o GP do Canadá, nona etapa da temporada 2024.

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