Retrospectiva 2021: Fórmula 1 abraça controvérsia com Catar e Arábia Saudita

Os circuitos de Losail, no Catar, e Jedá, na Arábia Saudita, fizeram sua estreia na Fórmula 1 em 2021 — e polêmica e controvérsias não faltaram em nenhum deles. Além disso, as corridas de classificação também marcaram presença pela primeira vez na categoria, e prometem ficar por muito tempo

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As pistas estreantes da temporada da Fórmula 1 em 2021 ficam no Oriente Médio, local que a maior categoria do automobilismo, sob controvérsias e muitas manifestações, escolheu realizar alguns de seus eventos. Os GPs do Catar e da Arábia Saudita — este último feito às pressas e pronto aos 45 minutos do segundo tempo — foram os novatos do ano. E, com corridas noturnas e pouca informação à respeito dos circuitos catari e saudita, os 20 carros da F1 foram à pista desconfiados, mas não se pouparam de emoção, tampouco de polêmicas.

O circuito de Losail, no Catar, foi o primeiro dos estreantes a receber a F1. Inaugurado em 2004, foi construído por 1.000 trabalhadores — e, detalhe: em menos de um ano. É uma pista que costuma receber as categorias de motovelocidade, como MotoGP, Moto2, Moto3, Superbike, entre outros. Tem 16 curvas, possui 5,380 km de extensão e 57 voltas. O tempo de volta recorde é de Max Verstappen, que anotou 1min23s196.

Max Verstappen fez uma boa largada para avançar em Losail desde o início da disputa (Foto: Red Bull Content Pool)

Calhou, no entanto, da etapa catari cair num momento extremamente positivo para a Mercedes, que mostrou seu poder no GP de São Paulo, a corrida anterior. Quando chegou a Losail, antepenúltima etapa da temporada, os dois W12 dominaram. A exatos 0s597, Lewis Hamilton tomou a pole-position de Max Verstappen, que encaixou uma volta à frente de Valtteri Bottas por apenas 0s054.

Além disso, o piloto da Red Bull ainda foi punido em cinco posições no grid de largada por desrespeitar bandeiras amarelas durante a sessão classisficatória. No entanto, não foi muito problemas para o holandês, que conseguiu chegar à segunda colocação para ameçar Hamilton. Só que mais uma vez a Mercedes mostrou grande superioridade no quesito velocidade, ainda que sem utilizar o então chamado ‘motor apimentado’ da etapa brasileira. Resultado? Segunda vitória consecutiva de Lewis Hamilton, com Verstappen logo atrás, e com uma Red Bull quebrando a cabeça para diminuir a vantagem dos alemães em Jedá.

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“A próxima pista deve favorecer a Mercedes, sem dúvidas. Abu Dhabi, com as modificações, quem sabe? Mas tem sido muito apertado. Então essas corridas finais, são apenas oito pontos de vantagem entre os pilotos e a redução da diferença nos construtores para cinco”, disse Christian Horner, chefe da equipe taurina, após a corrida.

Lewis Hamilton largou da pole do GP da Arábia Saudita (Foto: AFP)

Só que, antes da corrida final em Abu Dhabi, a pista de Jedá guardaria uma penúltima prova cheia de emoções. Mesmo no fim de semana do evento, era possível notar trabalhadores ainda ativos ao redor do circuito. E é muito verdade que a preparação do GP da Arábia Saudita foi uma verdadeira novela, que misturou incerteza com a esperança dos promotores e a organização da Fórmula 1.

Contudo, a prova aconteceu. O circuito de de rua de Jedá apresenta 27 curvas distribuídas em 6,174 km de extensão. O traçado tem três zonas de aberturas de asa móvel, e a corrida contou com 50 voltas. Estreito, com poucas áreas de escape e completamente novo, as informações eram mínimas e a questão da segurança era um ponto de preocupação muito forte. Ainda nos treinos, Charles Leclerc escapou de traseira na curva 22 e foi parar na barreira de proteção para danos impressionantes no chassi. Ele saiu bem da SF21 que, por sua vez, acabou praticamente destruída.

Na classificação, a Mercedes mostrou um ritmo forte num circuito muito veloz. A dupla de pilotos da escuderia alemã carimbou a primeira fila, com um Max Verstappen quase beliscando a pole-position ao ir ao limite para tentar a posição de honra, mas relando o muro no último trecho. Ele foi para a corrida de domingo, portanto, com a terceira posição no grid de largada. Domingo este que viria a ser caótico.

LEWIS HAMILTON; GP DA ARÁBIA SAUDITA; JEDÁ; TL3
A corrida em Jedá foi caótica (Foto: Mercedes)

Isso porque, embora a largada tenha sido cautelosa, a tranquilidade foi quebrada pelo forte acidente sofrido por Mick Schumacher, que destruiu o carro da Haas na curva 22, a mesma onde Leclerc bateu na sexta-feira. A direção de prova acionou o safety-car. Hamilton e Bottas foram chamados pela Mercedes e fizeram o pit-stop, enquanto Verstappen seguiu na pista. Mudança de estratégia para a Red Bull.

O jogo virou na volta 13, quando a direção de prova da FIA acionou a bandeira vermelha cinco giros depois da batida e interrompeu a corrida em Jedá. Verstappen, que na teoria tinha se dado mal com a opção da Red Bull em mantê-lo na pista, se deu bem, e o jogo virou demais. Isso porque as equipes têm permissão de trocar os pneus com a bandeira vermelha. Assim, Max foi muito beneficiado pela decisão.

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A nova largada foi tensa e acidentada. Na frente, Hamilton largou muito melhor e chegou a assumir a ponta. Mas Verstappen cortou a curva 1 e retomou a liderança ao exceder os limites de pista. Só que, mais atrás, Sergio Pérez fechou Leclerc e levou a pior e bateu no muro. Em meio a toda a confusão, George Russell também bateu e Nikita Mazepin acertou em cheio, por trás, a traseira do carro da Williams. Bandeira vermelha de novo.

Depois de uma confusão para a devolução de posição, ficou decidido que Ocon largaria na ponta, Hamilton em segundo, e Verstappen em terceiro. Este último largou bem, ultrapssou os dois adversários antes da primeira curva. A relargada foi limpa, e o holandês conseguiu manter a liderança, ainda que tivesse um Hamilton sedento logo atrás.

LEWIS HAMILTON; MAX VERSTAPPEN; F1; FÓRMULA 1; GP DA ARÁBIA SAUDITA;
Rivais pelo título, Verstappen e Hamilton se envolveram em controvérsias durante 2021 (Foto: Lars Baron/Getty Images/Red Bull Content Pool)

Perto do fim da corrida, Hamilton tentou passar, mas Verstappen espalhou e forçou o #44 a recolher o carro. Como o holandês tinha saído da pista, a Red Bull orientou o piloto a entregar a posição “estrategicamente”. Max, então, ficou no centro da pista e diminuiu o ritmo. Com a falta de espaço, Lewis tocou a traseira da Red Bull e quebrou um pedaço da asa dianteira. O ato do #33 foi apontado por muitos, dentro e fora do grid, como um brake-test.

Verstappen cedeu a posição pouco depois, mas deu o troco no britânico e manteve a liderança. Lewis, contudo, conseguiu a ultrapassagem e garantiu a vitória, o que resultou em um empate no Mundial de Pilotos. Ambos os competidores foram à Abu Dhabi com incríveis 369,5 pontos. Mas, claro, no meio do caminho muitas polêmicas foram pauta na mídia, como as cinco punições que o holandês tomou — uma delas horas depois do término da corrida, em que o piloto da Red Bull foi, de fato, considerado pelos comissários como “predominantemente culpado” pelo incidente com Hamilton no brake-test.

Para 2022, o circuito de rua de Jedá permanece no calendário. Será a segunda etapa das 23 corridas previstas. O GP do Catar retornará à categoria em 2023, já que o país se concentrará em sediar a Copa do Mundo FIFA em 2022.

Uma estreante à parte: as corridas de classificação

As corridas de classificação ou sprints foram as estreantes à parte na Fórmula 1 em 2021. Sob a premissa de dar mais emoção e preencher de uma melhor forma um fim de semana de GP, a organização da Fórmula 1 optou por trazer o novo formato à temporada.

O objetivo da novidade é definir o grid de largada para a prova de domingo de uma maneira diferente do habitual na F1, com o sistema bem-sucedido de classificação dividido entre Q1, Q2 e Q3. O antigo formato permanece, mas nos finais de semana em que a corrida sprint acontece, a sessão é realizada na sexta-feira (em horário que é normalmente realizado o TL2) e serve para definir a ordem de largada no sábado. O resultado da corrida sprint propriamente dita é que define, no sábado, o pole-position do evento principal do fim de semana.

Outra peculiaridade é que as corridas sprint premiam os três primeiros colocados com pontos extras, na seguinte ordem: o vencedor da prova de sábado marca 3 tentos, contra 2 do segundo melhor posicionado e 1 do terceiro lugar.

Valtteri Bottas e Max Verstappen se cumprimentam após a corrida sprint do GP da Itália (Foto: Beto Issa)

Em 2021, a Fórmula 1 realizou a corrida sprint em caráter experimental em três praças muito importantes para a categoria: Inglaterra, Itália e Brasil. Apesar da possibilidade de ver duas corridas no mesmo final de semana, a categoria precisou lidar com a falta de emoção em muitos momentos das corridas curtas. Um grande revés no sábado prejudica totalmente as pretensões de um bom fim de semana. Prova disso foi o ocorrido com Pierre Gasly em Monza.

O campeão mundial Max Verstappen e o finlandês Valtteri Bottas foram os que mais aproveitaram os bons resultados das corridas sprint e conseguiram somar 7 pontos cada nas três disputas — Max venceu na Inglaterra e chegou em segundo na Itália e Brasil, enquanto Bottas foi o terceiro em Silverstone e triunfou em Monza e Interlagos.

Para 2022, a Fórmula 1 vai dobrar a meta: serão seis corridas sprint ao longo do ano, e apenas a etapa de São Paulo deve voltar a receber o evento no ano que vem. Além de Interlagos, os outros cinco locais planejados são Bahrein (Sakhir), Emília-Romanha (Ímola), Canadá (Montreal), Áustria (Red Bull Ring) e Holanda (Zandvoort). Ou seja, podemos ter a sprint logo na etapa inicial, que é estudada para ser realizada no anel externo do circuito barenita. Já Itália e Inglaterra, que receberam a prova rápida em 2021, ficaram de fora da lista para o próximo ano.

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